Porto Alegre, 10 de setembro de 2020

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Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.como criar loja

01.01.08 ECONOMIA GLOBAL, 

(01 Internacional, 01 Economia global, 08 número de ordem do post)

Eu fecho um post e dou uma espiada de como estão as coisas lá fora.  Preciso identificar um novo conteúdo.  O Brasil está muito previsível, mas o mesmo não acontece no Exterior.   O mundo busca a fórmula para reanimar a atividade econômica.  Aqui, o titular da Fazenda deve ter esquecido que chegou ao governo com uma alcunha, Paulo Posto Ipiranga Guedes.  

Como ex professor de música, com o teclado parado ao meu lado, eu recorro ao Youtube.   O mundo à minha escolha.  É uma das coisas mais sensacionais que a tecnologia me ofereceu nessa vida.  Uma melodia mexe com a sensibilidade.  Você já ouviu a música Senza Fine?  Confira com Giani Morandi e Paola Cortellesi em    https://www.youtube.com/watch?v=XH-KdiRpJy0

Senza Fine significa Sem Fim.   Uma canção maravilhosa.   No Youtube, pode ser ouvida também pelas vozes de Ornella Vanoni, Andrea Bocelli ou, pelo próprio autor, Gino Paoli.  Eu comecei a escutar a música e me veio, instantaneamente, a ideia de elaborar um post sobre a conjuntura global, isso, um grande inventário do que está acontecendo nessa quarta-feira.

E assim aconteceu.  Comecei olhando os números da pandemia.   São 27,7 milhões de infectados e 902,4 mil óbitos.   Estados Unidos, Índia e Brasil lideram a lista dos infectados; Estados Unidos, Brasil e Índia o rol dos óbitos.   Quando tudo começou eu apostei na tecnologia, na inovação, isso, na inovação e pensei que a guerra era breve. 

Hoje, com a suspensão da vacina de Oxford, por motivo de segurança, eu começo a entender porque a crise da gripe espanhola foi o que foi.  Eu fui em busca de estatísticas e tomei conhecimento que a II Guerra Mundial fez 60 milhões de vítimas, enquanto que a gripe espanhola contabilizou 50 milhões de óbitos.  A pandemia atual causou menos de um milhão de vítimas. 

É.   A conjuntura global sabe, agora, é o que é uma epidemia.  A pandemia prostrou o PIB mundial.   Não houve lugar onde o vírus tenha deixado de produzir efeitos.  O petróleo sobrecarregou todos os lugares onde poderia ser estocado.  A oferta global tem buscado estratégias para enfrentar o momento porque nunca devia ter ouvido falar em preço negativo do ouro negro.   Artificialmente esboça reação, mas não há demanda.  Parece-me uma daquelas equações a diferenças em que a solução parcial evidencia uma solução não explosiva, ao contrário, há uma tendência ao equilíbrio, mas as intervenções dos produtores de petróleo não permitem que a solução tome o seu curso,

As bolsas vivem o dilema de estarem se dirigindo a um destino.  O céu parece não estar demasiado distante do inferno.  O investidor observa a pior das crises e vê que sempre houve uma solução.   Ora, nada mais natural de acreditar que se o céu está ao alcance, mesmo que haja um caminho crítico para chegar até lá, porque não precificar?     Quanto pior a pandemia, maior será a recuperação?    Então, se há fé que esse é o caminho, porque não precificar?

A atividade econômica, bem, a atividade econômica se mantém em standby,   O Posto Ipiranga já disse que o Brasil vai surpreender em sua recuperação.   Ninguém tem dúvida que o país tem futuro, o problema é quando se consolidará esse porvir?  Essa é a dúvida atros de Donald Trump a Hans Adam II, sua alteza sereníssima do Liechtenstein.  Eu estive em Vaduz.  Achei um lugar extraordinário.  Castelo, museus, catedral, centro, tudo numa área reduzidíssima entre a Áustria e a Suíça.   Trump quer a agitação da atividade econômica; Adam II quer a serenidade da atividade turística.   O coronavírus não permite nem uma, nem outra. 

E assim, la nave vá.   A atividade econômica não vivencia  a retomada.  O petróleo não vê sinal da retomada.   A bolsa, ora, a bolsa, só não vê quem não quer, que a retomada está na volta da esquina.  Um quadro curioso.   Repete-se o que aconteceu em todas as crises anteriores.  A diferença é que dessa vez o Trump pode ser indicado para premio Nobel da Paz.  

Sigo, em verdadeiro pout pourri.  Phil Murphy, 63 anos, membro do Partido Democrata e governador de Nova Jersey, afirmou ontem que fecharia o Estado se Trump fosse honesto.   Biden está dez pontos à frente de Trump, A Índia roubou a cena do coronavírus.  Vai para o pódio certamente.  Nas últimas duas semanas 13,7 milhões de trabalhadores dos EUA solicitaram auxílio desemprego.  A fila não para de crescer.  Na Espanha há boatos sobre a utilização de uma máscara transparente nos colégios.     A Tesla vendeu US$ 5 bilhões em ações, a cotação perdeu um quinto do seu valor no dia seguinte e mesmo sendo importante no Nasdaq foi rejeitada no S&P 500, tudo numa semana.  Do automóvel elétrico para o avião.  A Boeing nem entregou o Dreamliner 787 e já confirmou que um novo problema surgiu.   Do carro à aeronave mera correlação espúria com o coronavírus.

Aurelio De Laurentiis, 71 anos, informou ontem que está com Covid 19 , febre de 38,5.  Ele é o famoso produtor de cinema italiano.  Ele afirmou ao Corriere della Sera que a culpa do vírus é da ostra.   No Le Figaro há uma análise de que destino os franceses podem tomar para turismo.   As restrições pelo coronavírus tolhem o livre transito porque não se consegue controlar o coronavírus.  O BRF Nachrichten, da Bélgica, polemiza em destaque na capa se a interrupção da vacina é uma rotina ou um retrocesso?   Em suma, desloquei-me virtualmente pelo Velho Continente e constatei que o vírus continua sendo a estrela da mídia.  

Para encerrar, de volta à economia, mas sem deixar o coronavírus à margem.   Cristine Lagharde, presidente do Banco Central Europeu, disse essa manhã, no horário de lá, que o coronavírus está diminuindo o seu impacto na economia europeia em 2020, mas que está aumentando o seu impacto na economia europeia para 2021.   Os europeus discutem a diferença das cotações nas bolsas de lá com as de cá, do Atlântico.   As praias do Velho Continente estão abarrotadas de gente.  Afinal, ninguém quer perder a última semana do verão.

Aqui, no beco, eu, aos 76, continuo em isolamento total.  Atento à economia, mas com os olhos voltados às variedades.  A televisão está ligada na RAI e mostra as preocupações de jovens viajando em um trem de alta velocidade e discutindo temas da escola, dos jornais, de esportes e do coronavírus.   Os figurantes presentes às cenas fingem que leem e riem sozinhos.  

Encerro ligando o Youtube e acompanhando o Senza Fine com o Bocelli.  Uma boa pedida.  Ah, hoje à noite, a dupla Grenal entra em campo.   Boa tarde, leitor do blog! 

Micro cursos, Internacional, post 01.01.08, 10.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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