Porto Alegre, 18 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18:10, 18 graus C, 42% de umidade

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.01.10 ECONOMIA GLOBAL, uma anotação sobre Rafael Grossi, o diretor geral da AIEA 

(01 Internacional, 01 Economia global, 10 número de ordem do post)

No dia 05.09.2020 eu escrevi o post 01.13.01, o primeiro sobre a Rússia, no formato dos Micro Cursos.  Eu havia lido o artigo Russia’s ‘slow-motion Chernobyl’ at sea, de Alec Luhn, no site da BBC.   Na oportunidade eu redigi uma matéria que tratava de submarinos nucleares submersos que se encontram atolados no fundo do mar.   

Ao longo do texto, o leitor fica sabendo que o problema vem de 2003 e representa um milhão de curries, 90% da radioatividade no local, ou seja, algo equivalente a um quarto daquela liberada no primeiro mês do acidente de Fukushima.  Nele o autor informa que tudo ocorre próximo à fronteira coma a Noruega e nas cercanias do local onde se localiza a frota nuclear da Rússia.

Hoje, eu assisti o programa Hardtalk, apresentado por Stephen Sackurs, que entrevistou Rafael Mariano Grossi, o Diretor Geral da Agência Internacional de Energia.   Para quem lida com milhões de informações, identificado um tema do interesse do meu blog, eu deixo tudo de lado e saio em busca da compreensão do que está acontecendo à minha frente.   

Sentei à frente da televisão e permaneci ali durante os trinta minutos do programa.  O sotaque do entrevistado mostrou que ele não vinha de país de língua inglesa.   Nesse post eu procurei resumir quem é o personagem que ocupa um lugar de tamanho destaque na AIEA e o que o entrevistado falou sobre a questão do controle dos armamentos sobre o Irã.   Apenas isso. 

Mais tarde eu tomei conhecimento que Grossi é argentino, mas está em atividade no Exterior há muitos anos.  Rafel Grossi, 59 anos, natural de Buenos Aires, bacharel em Ciências Políticas na PUC da Argentina e mestrado e doutorado em Política e Relações Internacionais e História pelo Instituto de Relações Internacionais, da Universidade de Genebra, na Suíça. 

Ele foi o presidente do grupo de especialistas em registros bélicos junto à ONU, adjunto do Secretário Geral para assuntos de desarmamento, chefe da assessoria da Agencia Internacional de Energia Atômica e da Organização para proibição de uso de armas químicas, esteve nas instalações da Coreia do Norte e negociou o congelamento do programa nuclear com o Irã.

Na Argentina, Grossi foi Diretor Geral de Coordenação Política do Ministério de Relações Internacionais na gestão Cristina Kirchner,  embaixador na Bélgica e representante argentino nos escritórios da ONU em Genebra.  Mais recentemente ele foi vice- Diretor da Agência Internacional de Energia (AIEA).

Em 2016, Rafael Grossi foi candidato a Diretor Geral da AIEA, com apoio de países da América Latina, mas Macri retirou-lhe o apoio.  Posteriormente, em 2017, o próprio Macri o  indicou para presidente da Conferência de Revisão do Tratado de não proliferação de armas atômicas, a ser realizada em 2020.  Finalmente, em 29,10.2019, ele foi conduzido a Diretor Geral da Instituição, obtendo 23 dos 24 votos em disputa. 

Por tudo o que li sobre o diretor geral da AIEA, ele se tornou amplamente conhecido quando sugeriu a ideia de uma revisão dos arquivos das estações hidro-acústicas da Organização do Tratado de Proibição de Testes Nucleares ( CTBTO).   

Eu li na Wikipedia que Grossi contactou a Instituição e convenceu o seu CEO a fazer as revisões dos arquivos.  Daí a localização, em 2018, do submarino argentino que se encontrava a  907 metros de profundidade.   Ele estava desaparecido desde o ano anterior, no percurso entre Ushuaia e Mar del Plata, com 44 tripulantes a bordo.

Bem, depois de todas essas informações sobre o currículo de Grossi, eu volto à parte inicial da entrevista da BBC de ontem.   Stephen Sackurs, o apresentador do canal britânico, começou a entrevista falando ao entrevistado em cão de guarda, em levar adiante uma missão impossível, fez referências ao Irã, à Coreia do Norte e à Arábia Saudita e à importância de levar uma divisão geopolítica em mente.

Concluída a introdução, a partir de uma entrevista recente de Grossi,  Sackurs indagou se ele pretendia ser uma personagem inteiramente independente na AIEA? 

Ele respondeu que era essencial.  Os países tem as suas próprias agendas internacionais, tem os seus interesses e todos devem crer que alguém que dirige a AIEA seja verdadeiramente independente porque a Instituição é responsável pela inspeção de equipamentos presentes no ambiente global.  Ela, a Instituição, é vigia do que acontece setorialmente.   

Sackurs perguntou se Grossi sentia lobby do governo americano por ter recebido o apoio do mesmo contra o candidato da Romênia e, mais, se isso lhe causava algum dano de imagem?   

Não, ele respondeu.   Disse que recebeu apoio de muitos outros países, o equivalente a dois terços dos votos, ou mais.  Chegou a especificar o número de apoios recebidos. 

A seguir, o entrevistador partiu para questionar sobre o financiamento da AIEA, onde há recursos de milhões de dólares dos Estados Unidos.  A pergunta era se Grossi precisava ficar do lado dos norte-americanos?   

O entrevistado disse que precisa ficar do lado de todo o mundo.  Disse que a Agência tem suporte financeiro não só dos Estados Unidos, mas de muitos países.  Para fiscalizar 1042 reatores nucleares lá fora é preciso estar atento e não se vai no direcionamento errado. 

Com relação à transparência do Irã no relacionamento com a AIEA, o entrevistador perguntou se o diretor-gel passou a utilizar um relacionamento mais soft com as autoridades daquele país? 

Grossi disse que trouxe um novo posicionamento, em geral, para a Agência.  A  historia com o Irã é algo em torno de 20 anos que alterna momentos ruis,  de desacordos, e momentos bons.  Ele afirmou que esteve em Teerã, há algumas semanas, para resolver os problemas em um momento crítico.   Atuallmente o trabalho está normal.

O entrevistador não me pareceu convencido da resposta.  Ele insistiu que a relação não era boa mas que depois que ele foi a Teerã,  Ele acreditava que o Irã estava trabalhando bem?   Os iranianos estão trabalhando de boa fé com relação ao programa de inspeção? 

Grossi disse que o número de infrações é constante e que é preciso conferir, fiscalizar, sempre.   O diretor geral afirmou que ele falou aos iranianos que desejava visitar alguns lugares específicos.    Ele disse às autoridades que desejava visitar pessoalmente o país e que foi gentilmente recebido pelos iranianos e, em particular, pelo presidente.   

À essa altura o entrevistador procurou, e conseguiu, interromper a resposta de Grossi e fez referências a informações que diziam respeito às instalações. 

O entrevistado respondeu que a equipe conseguiu re-estabelecer as atividades de inspeção.   E, Rafael Grossi, concluiu a informação dizendo que tinha acessado um primeiro local, depois esteve em um segundo lugar, mas que não poderia dar maiores informações, maiores detalhes, porque elas são reservadas.   Em suma, o que restou, na visão do diretor geral é o restabelecimento das inspeções.

É isso aí.  Esta foi um primeiro post que eu redigi sobre a primeira parte da entrevista.  Em breve eu voltarei ao assunto.  Boa noite, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.01.10, 18.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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