Porto Alegre, 19 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18:10, 16 graus C, 64 % de umidade

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.01.11 ECONOMIA GLOBAL,  a chegada do novo ciclo

(01 Internacional, 01 Economia global, 11 número de ordem do post)

O mundo aguarda a chegada de um novo ciclo econômico.   Na verdade, o novo ciclo já está aí e muitos ainda não perceberam a sua presença.  Por que?  Porque muitos formaram a opinião que a economia voltaria ao “normal”.   Ledo engano.   Não há volta ao passado.  Ao contrário, o futuro já chegou.  Só que veio em formato de filme.

Um filme de ficção.  Um filme com aparência de ficção.  Quem diria, no dia 31.12.2019, que no dia 18.09.2020  todos estariam usando máscaras?   Nas ruas e nas praias.  Muitos desobedecendo.   Daqui há 15 dias, tantos deles, afoitos, estariam comprovadamente infectados. 

Hoje, foram contabilizados mais 858 óbitos no Brasil.  Aviões parados nos hangares, ônibus deixando estações rodoviárias baixo protocolos.  Passageiros nos metrôs com os olhos atentos às suas vizinhanças.  Quem carrega o vírus, escondido, como se estivesse à espreita de tudo e de todos, mas que ninguém vê?

Escola, o maior desafio de 2020.   Abrindo os colégios as crianças podem se infectar; mantendo-os fechados, os pais não trabalham e não tem como alimentá-las.   Há melhor lugar para deixar as crianças do que numa escola?  Paradoxalmente, há protocolo que garanta a saúde da criança na escola?  Duvidas atrozes.  

Não se domina o conhecimento sobre a letalidade do vírus.  Na II Guerra Mundial morreram 60 milhões de pessoas.   Na gripe espanhola faleceram 50 milhões de vítimas; no covid-19, 1 milhão.    O que esperar enquanto se aguarda?  Qual o ambiente da crise sanitária à frente?  Qual o teto acima desse 1 milhão?  

Migro da crise do coronavírus para a crise do emprego.   De uma epidemiologia para à economia.  Tudo me leva a crer que a pandemia foi o divisor de águas de um ciclo para outro.   Uma transição inesquecível para uma recessão inimaginável.       

A globalização, que eu lecionava em sala de aula até há bem pouco, estava sendo amplamente questionada por Donald Trump.   

Veio a pandemia, derrubou a atividade econômica, enxugou o mercado de trabalho, atolou a liberdade de comércio, zerou os juros, insinuou a formação de uma bolha, atropelou a ordem econômica e carregou as pretensões políticas do presidente dos Estados Unidos, tudo num verdadeiro tsunami recessivo.   Levou tudo a lugar nenhum. 

Onde vão chegar as cotações das ações das empresas de alta tecnologia do NASDAQ?   O investidor comemora ou toma maracujá com folha de amora?  Na terra de Trump, há muitos migrando para títulos do governo.   Ficarão assim até o solstício do inverno?  A persistência de atitude implicará presente de natal ou risco fatal?

Não há o que fazer para recuperar o que se esvaiu.  Esse diagnóstico precisa ser assimilado por formadores de opinião para ser difundido em âmbito global.  A sociedade vai esperar, sem sucesso, entre preservar a vida ou manter os empregos.  A vacina não será a solução mágica para viabilizar uma volta ao passado.    

Ao contrário a vacina contribuirá para a solução da crise sanitária, mas os recursos públicos já se esgotaram procurando manter a conjuntura em standby.  É preciso repensar e criar. 

Repensar a extensão do dano e partir para o novo ciclo de crescimento mundial.  A desigualdade ficou descoberta, uma nova estratégia de desenvolvimento deve emergir entre as lideranças internacionais nos próximos meses.  Doze meses?  Não mais do que isso.

É preciso reconfigurar um novo modelo.   Democrático, por natureza.    A partir de uma inclusão africana.  Um caminho sustentável.  Uma solução com desarmamento.   Um novo padrão de investimentos.   Recursos migrando do belicismo para o pacifismo, com grande dose de praticismo.   A adoção de um novo perfil de gastos públicos.  Especificando uma condição de menor desigualdade. 

Boa noite, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.01.11, 19.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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