Porto Alegre, 20 de setembro de 2020

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Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

02.01.17 BRASIL, de volta ao Rio da gripe espanhola

(02 Brasil, 01 desempenho da economia, 17 ordem do post)

A pandemia levou o país ao fundo do poço.  Aqui e lá fora, tudo está no piso da crise.   Ontem eu escrevi um post em que eu afirmava que a economia convive com um novo ciclo global.   A minha dúvida é quanto à extensão da transição.   Na gripe espanhola foram 50 milhões de óbitos; agora, 1 milhão.  

Hoje eu vou escrever um post diferente.  Eu vou tentar entender como foi a experiência carioca nos anos 18.  A minha ideia é sentir o que se dizia no Rio daquele terrível evento. 

Eu fui à busca dos jornais brasileiros de 1918 para ver qual a leitura da época.  Encontrei a Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro.  Na edição de uma terça-feira, 15 de outubro daquele ano, a manchete dizia O RIO É UM VASTO HOSPITAL.  Esse título diz do que foi a epidemia na Velha Cap. 

No centro da primeira página, havia dois subtítulos.   De um lado, estava escrito A invasão da gripe espanhola, o povo sofre os horrores da exploração; de outro, A desídia criminosa do governo, não há médicos, não há remédios.   Dá para entender o clima local a partir desses dois tópicos? 

… 

Mais abaixo, ainda na primeira página, há duas caixas altas.   À direita, eu leito SOCCORRO!   Essa é a grafia da época.  A epidemia está em toda a parte, de maneira assustadora.  Em seguida, há referência ao fato que as farmácias nem conseguem aviar as receitas que chegam.  Ao lado da matéria, há uma fotografia de uma drogaria lotada de clientes.  À esquerda, está escrito E’ PRECISO DEMITTIL-O!  Uma crítica às autoridades.

No texto eu verifiquei que o editor do jornal fala que a imagem parece um filme de terror.   Cadáveres atraem urubus nas portas das casas.  As carroças carregam corpos sob ar fétido.  Raros transeuntes que andam pelas ruas, mais parecem fugir da doença.    Morreram 15 mil no Rio de antanho contra 45 mil no Rio de hoje.   O que vem à frente?

Pois é.  E se a crise sanitária estiver recém em sua fase inicial  ?  Um século depois da gripe espanhola, a realidade é outra.  Porém, e se mesmo assim a pandemia não perdeu força?  Eu fiquei preocupado com as informações vindas da Espanha.  Madri vivencia uma segunda onda do coronavírus.

… 

A Revista Caretas, número 542, de 09.11, mostrou um desenho, em grafite, representando oito profissionais num Congresso Médico.  O palestrante diz que é preciso esperar com calma pela vacina, porque os sobreviventes poderão utilizá-la quando o vírus reaparecer.  Alguma semelhança?    

Na edição do Estadão de 21.10.1918 havia uma imagem com origem na Revista Careta.  Mostrava uma mensagem intitulada A Epidemia Reinante.  Com pano de fundo mostrando uma multidão em frente a um hospital havia um texto denominado CONSELHOS AO POVO. 

No texto havia a recomendação de evitar aglomerações, evitar visitas, “cuidados higiênicos com nariz e garganta, inalações de vaselina mentolada, gargarejos com agua e sal, com agua iodada, com ácido cítrico, tanino e infusões contendo tanino com folhas de goiabeiras e outras”.

É isso aí, pessoal, folhas de goiabeiras e outras.  Na infusão, é claro.  São lições do Rio, daquele Rio antigo que eu vejo, com muita frequência, nas páginas da antiga revista, O Cruzeiro.  Do meu Flamengo, do tricampeonato carioca de 1953-55, que levo em lugar privilegiado em minha memória.

Boa noite, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.17, 20.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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