Porto Alegre, 23 de setembro de 2020

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Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.09.20 ESTADOS UNIDOS, o testemunho de Jerome Powell no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes

(01 Internacional, 09 Estados Unidos, 20 número de ordem do post)

Jerome Powell, o chairman do FED esteve ontem no Comitê de Serviços Financeiros, em Capitol Hill, nos EUA, para dar o seu testemunho sobre a Lei de Ajuda e de Segurança Econômica do Coronavirus.   Como rotina de trabalho eu procuro monitorar todas as manifestações publicas do presidente do FED.   

Eu tenho escrito, de forma sistemática sobre a economia real dos Estados e o comportamento dos mercados.    Procuro analisar o nível de atividade econômica, o mercado de trabalho e comportamento dos principais índices da bolsa de Nova York.    Ao ouvir Powell eu consigo compreender qual a estratégia do FED para enfrentar a adversidade, sem precedentes, que o país enfrenta nos últimos meses.

De tudo o que tenho lido e ouvido sobre a economia dos Estados Unidos nos últimos meses eu confesso que foi a primeira vez que alguém sinalizou uma luz no fim do túnel da crise.   Jerome Powell, 69 anos, presidente do FED desde 2018 e doutor em Direito, tem muita credibilidade.  Eu o acompanho desde a primeira entrevista que concedeu à época da sua posse.

Powell falou confirmou que em ambiente de muita incerteza, a atividade econômica e o emprego estão muito aquém da fase do pleno emprego.    O impacto da recessão foi maior sobre os assalariados de menor remuneração, dentre eles, as mulheres, os afro-americanos e os hispanos.

Disse que depois da economia deprimida do segundo trimestre houve recuperação do setor de construção, de 75% da queda total do gasto das famílias, de 22 milhões dos empregos perdidos no bimestre março/abril e de parte dos investimentos fixos das empresas.

Alguma antecipação quando a retomada será total?   Só quando as pessoas recuperarem a confiança, afirmou Powell.  A estratégia pressuporá o controle sobre o coronavírus e a atividade plena em todos os níveis de governo.

Paralelamente às atividade do governo de estimular a economia e beneficiar o desempregado, o FED reduziu os juros em níveis próximos de zero, abriu 13 linhas de crédito e incrementou o volume de ativos.   Um desbloqueio de US$ 1 trilhão contribuiu para as empresas conviverem com o interregno entre preservação da atividade e readmissão dos desempregados.

Do pronunciamento de Powell eu percebi a preocupação na realização de um corte entre pequenas empresa que dependem do crédito bancário e de empresas de maior porte que acessam aos mercados de crédito público. 

Um ponto que me pareceu extremamente interessante no testimony foi o fato de o FED ter criado o Programa de Empréstimos da Main Street.    Junto houve uma interação para obter comentários e discussões públicas com intermediários financeiros e tomadores dos financiamentos em todos os níveis, entre empresas e organizações sem fins lucrativos .  A interface entre as partes permitiu ajustes na Main Street.

A Main Street envolve cerca de 600 bancos.  Já há em curso 230 empréstimos totalizando US2 trilhões em financiamentos.  O programa previa identificar aquelas empresas que estavam em condições de equilíbrio antes da crise do coronavírus, que enfrentaram restrições de caixa e que passaram a depender de empréstimos de longo prazo.

Ao contrário dos europeus que parecem negociar ad infinitum com os governos, o Departamento do Tesouro dos EUA lançou o Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security (CARES) Act em 27 de março de 2020.    No caso dos norte-americanos não há possibilidade de perdão de dívida.

No contexto e nas condições atuais as empresas, mesmo pequenas, podem acessar o crédito ofertado por instituições privadas.   Então o que o Departamento do Tesouro tornou funcional foi elevar os recursos para reforçar os financiamentos privados em situação incomum.  Não há pretensão de substituir as fontes privadas disponíveis.

Para encerrar o testimony, Jerome Powell afirmou que a economia norte-americana se recuperará totalmente e que a Main Street operará até quando for necessária. 

Pois é, leitor do blog!  Pela primeira vez eu vou levar alguma tranquilidade comigo para o interregno que vai até o início do próximo post.  Eu entendo que Powell ocupa um cargo de responsabilidade e que precisa transmitir uma mensagem positiva.  Sei, também, que o cenário é inédito e vai acarretar perdas irreparáveis para a sociedade americana. 

De qualquer forma é preciso reconhecer que há uma estratégia concebida para enfrentamento da crise.  Pode estar incompleta, mas de todos os governos que eu monitoro, ainda parece ser a mais adequada para o momento.

Por fim, eu apreciei a mensagem sucinta transmitida por Jerome Powell.  Numa crise mundial, alguém deve passar um discurso convincente com contrapartida no plano concreto.   Eu creio que o chairman do FED realizou essa façanha. 

Estou encerrando o post em tempo de assistir ao jogo do Flamengo.  Ao final da partida eu edito o post e publico no horário de 00:30 da madrugada, já na quarta-feira.  É isso aí.

Boa noite, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Internacional, Post 01.09.20, 23.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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