Porto Alegre, 09 de outubro de 2020, 18:10, 20 graus C, 73% de umidade

Quando eu criei essa seção intitulada CARTUM eu pretendia apresentar textos em tirinhas junto a algum desenho que eu preparasse simultaneamente.   Não deu tempo.  Há uma falta de convergência entre o que eu penso e o que eu posso realizar. 

De qualquer forma eu não quis perder o divisor de seções acima, a imagem acima, e  estou direcionando o título àquela pauta que mais me preocupa em dado momento.

No post anterior dessa série, de número 26. eu escrevi sobre algumas coincidências que eu observei ao longo da vida com relação à trajetória de Joe Biden, o candidato democrata ao governo dos EUA.   Veja o que eu escrevi naquela ocasião no endereço

http://antoniocarlosfraquelli.com/2020/08/23/micro-cursos-internacional-post-01-09-0x-22-08-2020-se-eu-ainda-estivesse-em-sala-de-aula-2/

Naquela ocasião era a noite final da Convenção Democrata.   Era o momento de Joe Biden, 77 anos, advogado, aceitar a candidatura do partido à Casa Branca.   Eu havia escrito um post na véspera sobre o evento.   E pretendia me ater ao discurso do candidato nesse post.  Depois, mudei de ideia.  Veja o porquê no endereço eletrônico acima.

Passo, agora, ao texto deste novo post.  O assunto não tem nada a ver com a natureza do meu blog.  De qualquer forma o assunto me parece muito importante.   E, mais, não sei se o leitor do blog chegaria a esse conteúdo se eu não o apresentasse aqui, nesse meu ambiente de trabalho.

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Eu me refiro a um texto que eu li no site da CNN.   Ele trata de comida, de estresse, de hiato entre o sujeito e o seu refrigerador.  E fala de um medidor de fome.  Eu coloquei o endereço eletrônico no fim desse post. 

O assunto do alimento é recorrente em meio às famílias, creio eu.   Eu lembro que quando pequeno eu desejava engordar.  Se fosse possível de um dia para outro, melhor.  Nunca tive sucesso. 

Quando adolescente eu ainda desejava muito, engordar de vez.  Reconheço que sempre estive na contramão da grande maioria.   Sou vegetariano desde 1978.   Acho que o meu peso não tem muito a ver com esse fato, mas não posso ignorá-lo.   Mesmo porque o meu desejo de engordar se perde na minha vida pregressa.

Eu lembro de ter feito de tudo.  De praticar o que constava nos livros da Ginástica Canadense até à busca de livros que explicassem o tamanho do meu desafio.   Nada adiantava.   Os meus resultados eram pífios.   Eu achava que o culpado era o meu pai que me botava em aula particular à tarde, toda. 

Não bastava o colégio que ocupava todo o horário da manhã.   Eu tinha aula particulares às 14:00, às 15h00, às 16:00, às 17:00, às 18:00.   Era aula de inglês, de matemática, de física, de química, de piano, de pintura em grafite, de canto.  Eu pensava, às vezes, precisa tudo isso?

Com 12 anos eu já era professor de solfejo.  Nos sábados eu tinha que participar de programas de calouros na rádio Cultura da minha cidade natal.

Quando eu cheguei aos 15, 16, eu fui ser jogral, fui estudar para piloto de avião.  Era muita aula para um aluno só. Eu lembro que no aeroclube me perguntavam como é que eu não sabia guiar automóvel e já estava fazendo voo solo de avião.   Eu não tinha resposta, mas, no fundo eu acreditava que tudo era decorrente da vontade do meu pai. 

Eu lembro que um dia eu cheguei nos 55 kgs e parei.  E fiquei.  E os anos passavam e eu permanecia no partidor.  Eu tinha 1,75 metro de altura e 55 quilogramas.   Eu venho do tempo em que não havia roupa pronta e nem comida embalada.  Era o alfaiate ou a modista; era a balança com os contrapesos e o papel de embrulho.

O meu pai tinha a mania do relógio.   Eu acordava e já vinha a pauta do dia.  Às 14:27 eu tinha que estar no correio.  Às 14: 37 eu tinha que estar em casa.  Às 14:50 eu tinha que estar de volta no correio, entregar um pacote e obter um carimbo num documento.  Às 15:00 o papel carimbado tinha que estar nas mãos do meu pai para ele colocar dentro do envelope que eu teria que levar aonde?  Aonde?  Certamente, ao correio. 

O meu dia começava muito cedo.  Às 06:00 eu era acordado para tomar uma colher de sopa de azeite de oliva com gotas de limão.  Aí eu voltava a dormir.  Às 06:30 eu voltava a ser acordado para comer um bife mal passado.  O meu pai repetia, sem cessar, que o bife tinha que estar correndo sangue.  Às 07:00 era a hora de levantar, tomar café e sair para o colégio. 

Nesse ritmo eu vivia.  O meu pai não tinha mau humor.  Na verdade, nunca teve.  Gostava de música da época dos tenores italianos.   Ele tinha uma diferença de 17 anos com relação à minha mãe.  Eu precisaria escrever um livro para contar a vida dela.

O meu pai não podia ser contrariado nas horas das refeições.  Eu não podia nem iniciar discussões com os meus irmãos.  Um sorriso de ironia bastava.  A hora da comida era sagrada.   Eu nunca entendia porque o relho corria solto nessa hora. 

Bem, dou as costas à minha adolescência e sigo adiante.  Eu passei os anos de 1968 e 1969 em Lisboa com 55 quilos. Em 1970 eu cheguei aos Estados Unidos com 55 kgs.  Estudei um tempo em Houston e o peso se manteve. 

No início do inverno de lá eu me transferi para Syracuse, Nova York.   Em Houston a temperatura chegava a 40 graus centigrados.   Eu me sentia como residente de Cuiabá.  Todos tinham ar condicionado em casa porque o calor era insuportável. 

De repente eu fui para Syracuse, Nova York,  em que a temperatura chegava a -20 graus.  Isso mesmo, 20 graus negativos.  O Outono e o Inverno eram muito frios.  A cidade fica junto aos Grandes Lagos, na fronteira dos EUA com o Canadá.  A vantagem era o fato que era impossível viver sem calefação.  A pessoa não sobrevive.  O frio era insuportável. 

Eu sempre gostei de sorvetes.  Em tom de brincadeira, eu repetia aos meus quatro filhos desde criança que eu vinha de um planeta em que a comida era o sorvete.  Nada de refrigerante, muito sorvete.  Quando morei naquela friagem dos EUA, a calefação era tão forte que criava camadas de gelo nos vidros da janela.

Então quando eu entrava em casa era preciso retirar todos os abrigos e botas de uso rotineiro.  Utilizava-se um calção, e bastava.  Nessas condições, a frigidaire estava sempre lotada de sorvetes.  Em três meses o peso foi de 55 kgs para 75 kgs. Um milagre! 

Um verdadeiro milagre.  Na hora eu imaginei que tudo tinha acontecido por conta de promessa realizada à Nossa Senhora Perpétua Socorro.  Depois, com mais calma, eu reavaliei a situação e entendi que a minha brincadeira com os filhos era verdade.   Eu era, realmente, originário de um pais de sorvetes.

O problema é que eles não estavam mais em idade de aceitar a brincadeira.  O fato interessante é que o meu peso cravou nos 75 kgs e congelou, de novo.  Para o resto da vida?  Não sei, mas aos 76 anos de idade parece que sim.  Sempre que vou ao supermercado eu passo na balança e confiro.  É 75,1 kgs, 74,9 kgs, 75,3 kgs, 75,2 kgs e não sai daí.  

Então, quando eu li a matéria da CNN eu percebi que não era nada comigo.  Ao mesmo tempo eu percebo que muitos tem um embate noturno com a balança.   Eu vejo gente de todos os tipos, ansiedade, angústia, remorso, e coisas como tal, tudo a ver com comida.  À noite, na hora de ficar frente à consciência vem o remorso?   Será isso?

Por isso eu achei interessante publicar no blog uma matéria sobre um “medidor de fome”.    O estresse já faz parte de nossas vidas.  Ainda mais, com a pandemia.   

Eu imagino alguém passar na frente do espelho com o sentimento de lamentação.  Por que eu comi o que comi?  E nem comer um sorvetinho?   Isso  nem é pecado venial. 

Como eu sempre estive do outro lado dessa estrada da vida de mão dupla, em algum momento no passado eu fiquei muito feliz quando eu descobri que existia um remédio chamado Vakamoto.  Era o remédio que existia para as pessoas engordarem.   Eu era criança e ouvi numa conversa de adultos. 

Como eu vou fazer o meu pai comprar?   Um dilema atroz.   Depois, ao ver que não funcionava comigo, eu fui saber que se tratava de vitamina B e levedura de cerveja.   Mas a medicação não ficou por aí.  Durantes anos, meu pai obrigava o uso de uma colher de sopa de Emulsão Scott na hora das refeições. 

Anos mais tarde vieram o Biotônico Fontoura, um cálice nas refeições, e um outro, chamado Neuro Fosfato Eskay, um fel.   Esse último, de terrível memória, tinha uma propaganda que dizia que mulher geniosa… lar infeliz… e, aí, vinha a mensagem que o remédio era recomendado para as pessoas que utilizavam o cérebro.

Ou a gente bebia, ou o relho corria.  No fundo eu obedecia porque eu acreditava que um dia eu podia deixar o peso de 55 kgs como águas passadas.   Infelizmente, demorou muito tempo para acontecer.    

Então, catarse à margem, o autor da matéria da CNN diz que a comida, às vezes, pode ser reconfortante.    Às vezes as pessoas querem doces além de comida.  Muitas vezes há interesse em saber o que se come frente ao que se sente.

Aí, segundo o autor, surge a oportunidade para uso do medidor de fome.   Ele cria o espaço entre o sujeito e o seu refrigerador.  Um instrumento útil no momento de estresse?

Como funciona o medidor?   Há escalas no medidor?  O que fazer quando se quer comer?   Bem, vá ao site         https://cnnespanol.cnn.com/2020/10/06/te-estresa-comer-ultimamente-el-medidor-de-hambre-puede-ayudar/       Ele é intitulado ¿Te estresa comer últimamente? El ‘medidor de hambre’ te puede ayudar   

Em bom português Estressa-te de comer ultimamente?  O medidor de fome pode te ajudar.  Boa leitura

Bem, vou preparar o chimarrão para esperar o jogo do Brasil com a Bolívia dessa noite.   Mais tarde eu já começo a escrever o primeiro post do sábado.   É muita estória para contar! 

Às vezes é uma hora da manhã, eu vou dormir e confiro se há leitor no blog.   Vejo se há leitor na Ásia, na Europa, ou onde o fuso horário é outro.  E há. Vou dormir mais entusiasmado ainda.    Talvez esse fato contribua para o meu interesse migrar da Música para a Economia.  

,,,

Boa noite leitor do blog. 

CARTUM, economista pensa demais, post 27, 09.10.2020, da fome e da arte de comer

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