Porto Alegre, 13 de outubro de 2020, 12:10, 23 graus C, 63% de umidade 

Professor aposentado (1997) da UFRGS, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda estivesse ministrando aulas de Cenários Econômicos.

02 BRASIL, 01 Conjuntura recente, 20 número de ordem do post: um flash sobre o mês de outubro

Estamos chegando a meados de outubro.   Já contabilizamos 150 mil óbitos na pandemia.  Somos o segundo colocado no ranking mundial do coronavírus.   À nossa frente, estão, apenas, os Estados Unidos de Donald Trump.  

Seis anos consecutivos de crise.  Atividade econômica de ré.   Nada das reformas.   Desacertos entre ministros.  Guedes e Marinho não se entendem.  Desemprego nas nuvens.   A Lava Jato foi.   O Brasil está em compasso de espera.

A fase de cinco meses do Auxilio Emergencial de R$ 600,00 é coisa passada.  A versão do Auxilio Emergencial Residual, de mais quatro meses de R$ 300,00, termina em dezembro.   A iniciativa do governo Bolsonaro contribui para que a população atravesse 2020.    E depois, o quê?  O Renda Brasil?  Financiar, como?

Nesse quadro é preciso uma proposta de ação.  Eu tenho pregado, de forma recorrente, que o governo precisa agir.  O Boletim Focus divulgado agora, pela manhã, prevê um recuo do PIB da ordem de – 5,03% no corrente ano.   Na semana passada a expectativa era de uma queda de -5,02%.    É a recessão em curso.

Na interação com o Exterior, os analistas preveem um saldo da balança comercial da ordem de US$ 57,5 bilhões e de entrada de investimentos na casa de US$ 50,0 bilhões.  

Até a inflação que foi vilã no passado e estava fora do ar por um bom tempo, parece estar de volta às preocupações do consumidor brasileiro.  A gasolina e o preço dos alimentos fazer girar a roda.  Os preços no atacado decolaram. 

O real, a nossa moeda, foi muito desvalorizado nos nove primeiros meses do ano.   Ele botou lenha na fogueira.  Os preços passaram a reagir, em cadeia.  Os aumentos de janeiro a setembro foram expressivos para o arroz (110,6%), o trigo (40,7%) e a soja ( 66,6%).   A previsão é do fechamento do ano com dólar em R$ 5,30.

O consumidor vê a “sua” inflação em 1,35% (IPCA 15) nos nove meses, mas, ao mesmo tempo, no mesmo período ele vê o “seu” aluguel pressionado em decorrência da inflação de 14,4% (IGP-M).  O mercado prevê inflação de 2,47% em 2020. 

Os juros praticados no país caíram dentro do conjuntura vigente.   Todavia, as taxas para empréstimo pessoal junto aos bancos ( 44,92% ao ano) as taxas médias para pessoas físicas (91,42% ao ano) contrastam, com as taxas do cheque especial (125,47% ao ano ) e dos cartões de crédito (250,98 % ao ano). 

No que diz respeito à pessoa jurídica, as taxas de juros praticadas vem recuando há um semestre.  A taxa  média geral praticada em setembro foi de 40,76% ao ano.  Um novo piso para a série histórica. 

A economia começa a se mover?   Aqui, no Rio Grande do Sul, o foco está no confinamento.   Tudo leva a cor do mapa que é publicada nos jornais locais.  As autoridades divergem quanto ao presente do confinamento.  O que dizer, então, do futuro? 

As eleições chegaram.    Ainda não percebi maior empolgação.   De qualquer forma as polêmicas prosseguem.   Eu percebo gente mais jovem chegando ao ambiente político.   Na televisão elas parecem manter a pauta congelada.  Será uma disputa renhida.   

Os vencedores vão conviver com uma esfera pública com cofres vazios e dívida crescente.  Mais uma vez o eleitor ouvirá promessas esdrúxulas.   Estará de volta o hiato entre o discurso e a ação.    É a hora da criatividade do brasileiro?    2021 promete ser um ano difícil.

Boa tarde, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.20, 13.10.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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