Porto Alegre, 15 de outubro de 2020, 06:10, 15 graus C, 75% de umidade

 

Professor aposentado (1997) da UFRGS, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda estivesse ministrando aulas de Cenários Econômicos.

01 Internacional, 09 EUA, 25 número de ordem do post: um dia da bolsa de NY em ambiente de crise sanitária 

Os dias prosseguem difíceis para Donald Trump.  Ele precisa normalidade no período pré-eleitoral, mas o que eu percebo é instabilidade total na conjuntura norte-americana.   A pandemia não dá folga.  Mesmo tendo sido internado no Centro Médico Walter Reed, em Washington D.C., o Presidente promove o Negacionismo sempre que está em público.

É parte de sua estratégia na reta final para o pleito de 03 de novembro.  A pandemia parece aplicar-lhe uma peça à medida que o número de infectados chegou a 60 mil casos, o número mais elevado nos últimos sessenta dias.   É manchete na mídia local nessa quarta-feira.

O que explica o resultado da bolsa nessa quarta-feira?  Afora todos os percalços de uma reeleição, Bem, Steven Mnuchen falou no Milken Institute, um think tank, um local de reflexão, situado em Santa Barbara, na Califórnia.   Ele participou de uma Conferência em que o moderador foi Gerard Baker, editor geral do Wall Street Journal.

No evento Mnuchen voltou à polêmica entre Donald Trump e Jerome Powell (FED).   Powell propôs a edição de medidas de estímulo à economia nessa fase da pandemia.  Trump rebateu o chairman do Sistema de Reserva Federal, dizendo que um pacote é assunto para a fase posterior às eleições.

Steven Mnuchen afirmou que estava de acordo com Powell na semana passada.   Nessa quarta feira ele se viu obrigado a mudar de posição e disse que não haveria tempo para lançar e aprovar um pacote de estímulo agora.   O mercado reagiu imediatamente. 

Um dia adverso para os mercados.   Dos três principais índices da Bolsa de Nova York, o Nasdaq encerrou a quarta-feira em 11.768,73 pontos, uma queda de  −95,17 pontos, correspondendo a uma desvalorização de – 

O índice S&P 500 fechou em 3.488,67 pontos, uma queda de -23,26 pontos, o equivalente a um recuo de –28.514,00 pontos, uma queda de −165,81 pontos, ou seja uma desvalorização de –

Além da pandemia e da polêmica envolvendo o Secretário do Tesouro do governo Trump, as expectativas com relação aos resultados dos intermediários financeiros em meio a crise estão mudando.

Na Europa eu tenho lido que há instituições elevando provisões para os riscos no período.   A queda de rentabilidade em plena crise sanitária está repercutindo nos resultados dos bancos. 

Nos Estados Unidos, os resultados trimestrais de 2020 estão aquém daqueles obtidos em 2019.   Há uma melhora trimestral dentro de 2020, mas uma piora quando a comparação é realizada com 2019.  Os resultados aquém do esperado pelo Bank of America e Wells Fargo repercutiram ontem na bolsa. 

O FMI na versão do Panorama Econômico Mundial havia alertado sobre os riscos da crise.   A Instituição fez referência aos resultados dos intermediários financeiros espanhóis, mas também manifestou uma preocupação com os níveis desiguais da retomada global. 

O Fundo expressou a sua preocupação em trabalhar com informações do setor de saúde.   Paralelamente, deixou manifesta a possibilidade de os números projetados até aqui podem piorar se o coronavírus partir para uma segunda onda. 

O quadro global pode piorar numa segunda onda porque pode levar à suspensão de novos empréstimos a ao refinanciamento de dívidas em economias em dificuldades.    Além disso, há o possível impacto sobre a demanda externa que produziria um choque ainda maior em algumas economias que dependem da corrente de comércio.

É isso aí.  Eu acredito que teremos muitas outras quartas-feiras como a de ontem.  São mais de 40 vacinas em elaboração, mas as notícias relacionadas ao desenvolvimento dos trabalhos tem sido mais difundidos quando há uma interrupção de algum processo em curso.

Torço pelo sucesso dos profissionais qualificados nos trabalhos em curso nos laboratórios, mas eu penso que Anthony Fauci está certo ao prever que a economia só normaliza em meados de 2021.  

Bom dia, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Internacional, post 01.09.28, 10.10.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Translate »