Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 20.10.2020, 18:10, 26 graus C, 28 % de umidade

Post 01.03.18

01.Internacional,03 União Europeia,18 número de ordem do post

 

Na Europa o coronavírus roubou a cena.  Para onde quer que eu me desloque, virtualmente, o assunto principal é a segunda onda da pandemia.   A dificuldade maior é que passaram quase 10 meses que a crise sanitária eclodiu em Wuhan, na China, e até hoje há dúvidas como se transmite o vírus. 

As autoridades de Bruxelas já vinham solicitando aos governos dos países membros do bloco que dessem atenção à retomada do crescimento econômico e não só às despesas correntes tendo em vista a necessidade de estabelecer metas para o déficit público.

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Ora, quando tudo parecia iniciar um lento processo de volta à normalidade, eis que tudo parece levar ao passado recente quando o vírus surgiu sem qualquer aviso prévio.  A economia global que estava em desaceleração e alguns já falavam em recessão a crise surgiu por onde ninguém esperava.  

Hoje eu soube das informações relacionadas a Andorra e fiquei um tanto  surpreso.  Eu estive no pequeno principado em 1969.  Ele ocupa uma área de 12 quilômetros quadrados.   Eu visitei a capital, a cidade de Andorra la Vieja, um centro de comércio.  Uma pérola incrustrada nos Pirineus, entre a Espanha e a França.

Até hoje eu escuto as estações de rádio locais via o aplicativo Radio Net.  Há rádios em espanhol, em francês e algumas em catalão.   Eu sou da fronteira e estou acostumado com o espanhol por ter estudado no Uruguai, mas eu consigo perfeitamente entender o conteúdo da rádio falada em catalão.   

Experimente ouvir a rádio RAC 1  89,0FM (catalão) no endereço eletrônico  

https://www.radios.com.br/aovivo/radio-rac1-890-fm/27296

Pois eu estava contando que obtive informações do coronavírus em Andorra.   Em termos proporcionais o principado é o lugar de maior número de casos do mundo por milhão de habitantes.   Também, Andorra la Vieja é pequena em tamanho, mas há sempre uma multidão de turistas visitando a localidade.

Na Espanha, o quinto país em infectados com 990 mil casos, a pandemia voltou com toda a força.  A polêmica em torno de manter a economia aberta ou partir par o confinamento é o tema preferido na mídia.  As divergências crescentes criou um ambiente de polarização que é intransponível. 

Hoje, a decisão do presidente do governo Fernando Sanchez (PSOE) está restrita a definir se impõe o toque de recolher no país.  A situação complicou a meu ver à medida que há variações de cepas que não estão presentes em outras regiões da Europa.

A Itália também está convergindo para a possível decisão espanhola de impor um toque de recolher.  No governo de Roma a ideia é partir para uma decisão de toque noturno nas regiões mais afetadas do país.  O país tem 440 mil casos de infectados e ocupa a 15a posição no ranking mundial.   Mesmo assim, a Itália está sexto lugar em óbitos, com 36 mil casos, seguido da Espanha com 34 mil óbitos.   

Em outros países como a Bélgica, a Eslovênia, a França e a República Checa já criaram protocolos para fazer frente à segunda onda da pandemia.   Eu creio que já há uma certa aceitação popular que é impossível enfrentar o vírus sem protocolos mínimos.  O passado recente semeou o medo junto à população.

Esse retorno ao confinamento acontece quando os países enfrentam a pior recessão da crise atual.  A queda do PIB em 2020, segundo o Panorama Econômico Global do FMI, alcançará patamares de -12,8% na Espanha, -10.6% na Itália e -9,8% na França.    Na verdade é uma recessão cruel que toma conta do Velho Continente no corrente ano.

E tudo isso acontece em meio à discussão de alcançar a neutralidade climática até 2050.   Os europeus estão trabalhando em cima de uma estratégia de ação que abrange uma lei climática, um plano que promova a produção limpa de aço, um programa de renovação habitacional com redução de energia nas residências e, finalmente, uma produção rural sem pesticidas e fertilizantes.  

Está difícil a situação no Velho Continente.  As lideranças locais fixaram um objetivo ambicioso para 2050 sem saber como conseguirão chegar ao fim de 2021.  Ironias do destino!

Boa noite, leitor do blog!

A SEGUNDA ONDA DA PANDEMIA NA UNIÃO EUROPEIA

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