Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 22.10.2020, 06:10, 19 graus C, 75 % de umidade

Post 01.11.10

01.Internacional,11 China, 10 número de ordem do post

 

Quem trabalha com conjuntura econômica internacional é obrigado a surfar, sistematicamente, nos jornais asiáticos para identificar fatos recentes que afetarão o desempenho da economia regional.  Em tempos de pandemia, de crise sanitária e de recessão mundial, toda nova iniciativa é bem-vinda para a retomada global. 

A noticia de hoje que me parece que eu deva dar o devido destaque é a decisão das autoridades chinesas em promover uma abertura maior da sua economia.   Na edição dessa quinta-feira do People’s Daily há manchete que enfatiza a necessidade de proporcionar maior abertura para os investidores estrangeiros.

Tudo está acontecendo em meio ao stop and go da retomada.  Há muita incerteza internacional sobre a extensão do ambiente de recessão mundial. 

Nesse contexto, os chineses acreditam que é necessário facilitar a vida dos investidores.  Para tanto, na elaboração do Plano Diretor para construção do Porto de Livre Comércio de Hainan, cuja divulgação aconteceu em junho próximo passado, será permitido o acesso a áreas até então restritas.  

…, 

Haverá espaço para maior numero de indústrias no local, criando as condições para o avanço da corrente de comércio internacional.   Essa medida procura compensar a redução nos Investimentos Externos Diretos (IED), fruto da crise sanitária global, mas que vem sendo retomado progressivamente.

A China atravessou a crise com desempenho inédito.  Os indicadores constantes no World Economic Outlook, o Panorama Econômico Mundial do FMI, mostram que o PIB avançou 6,1% (2019), e deve registrar incrementos de 1,9% (2020) e de 8,2% (2021).  Foi o único país que não entrou em recessão no corrente ano. 

Nesse contexto, os números divulgados recentemente pelo Ministério do Comércio evidenciam que os IEDs alcançaram o patamar de US$ 103 bilhões, representando um incremento de 2,5% no período janeiro-setembro 2020 sobre o mesmo período de 2019.   Nesse sentido, esse resultado é um comprovante do aumento de confiança no desempenho nacional.

O jornal destaca o projeto da BASF em Zhanjiang, na província de Guandong.    Na localidade, segundo a matéria divulgada pela imprensa, a empresa já concluiu o lançamento da base das fundações do primeiro lote do projeto. 

A iniciativa, iniciada em novembro do ano passado, é o terceiro do mundo dessa natureza, porque integra produção e verticalização (Verdun).   Os dois primeiros estão situados na Alemanha e na Bélgica.    A ideia dos chineses é publicar um catálogo das indústrias voltadas à presença estrangeira no país, abrangendo os IEDs e os investidores.  

Combinando as informações do Panorama Econômico Mundial do FMI com aquelas do National Bureau of Statistics, o Escritório de Estatísticas da China, percebe-se que elas tem servido de base para que as autoridades locais promovam a ideia do amplo espaço para o crescimento econômico que se configura para o futuro do país.

Nesse futuro, ou melhor, para esse futuro a China conta com a legislação sobre ambiente de negócios, lançada no inicio de 2020, além da Lei do Investimento Estrangeiro.  Há grandes projetos chineses no Exterior, mas há necessidade de atrair pequenas e médias empresas estrangeiras para o país. 

De olho na melhora obtida no Doing Business, da 46a para a 31a posição, entre o ano passado e o atual, o governo pretende implementar, à frente, reformas em âmbito comercial e no setor de intermediários financeiros.   

É isso aí.  Aqui, como acolá, as reformas fazem parte da agenda de todos os governos que procuram a recuperação da economia e a rápida retomada do crescimento.

Bom dia, leitor do blog!

A CHINA EM BUSCA DE UMA MAIOR ABERTURA DA SUA ECONOMIA

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