Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 23.10.2020, 12:10, 27 graus C, 46% de umidade

Post 01.03.19

01.Internacional,09 União Europeia, 19 número de ordem do post

 

Tão logo o Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou o World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Global criou-se um ambiente de expectativa com relação ao futuro da economia do Velho Continente.  Foram divulgados os números da recessão de 2020 e da retomada da economia em 2021.  Quais foram eles?

A economia da Zona Euro havia crescido 1,3% em 2019.  A recessão derrubou a economia europeia e o tamanho do prejuízo foi estimado pelo FMI numa queda do PIB da ordem de -8,3%. 

Nesse contexto, a Instituição projetou um incremento do Produto de 5,2% para 2021.   E eu chamo a atenção do leitor que assas informações foram divulgadas na semana passada

Aí surgiu a segunda onda do coronavírus na Europa.  Nas primeiras horas eu percebia, via televisão, que a pauta do confinamento foi retomada.   

No primeiro momento pareceu-me que a polêmica voltaria com força, mas, logo em seguida, eu percebi que a conjuntura era outra e as autoridades estavam conectadas a um novo diagnóstico.

Como eu gostaria que a pandemia chegasse ao fim.  Aos 76, eu não gostaria de permanecer em casa e ter de priorizar o recurso da máscara em qualquer contato com o mundo externo.  Já são muitos meses abrindo mão do tato.  Pois nesse contexto eu estou atento a tudo o que acontece no Velho Continente porque o virus eclodiu na Lombardia e só depois chegou no Brasil.  

À medida que os dias vão passando eu sinto que a minha atenção está, cada vez mais, focada na Europa.  Não só pelos novos brotes do coronavírus, mas pelas manifestações das autoridades e as decisões das instituições.

Hoje os jornais tratam da divulgação dos dados do Índice dos Gerentes de Compras, o  Purchasing Managers Index, PMI na sigla em inglês.  O PMI caiu de 50,4 pontos em setembro para 49,4 pontos em outubro.  Isso significa que a economia do Velho Continente está convivendo com uma nova contração. 

O PMI do setor de Serviços recuou de 48 para 46,2 pontos entre setembro e outubro.  Em paralelo o PMI da Indústria também caiu, no caso, de 54,4 para 53,7 pontos.

Eu lembro que há poucos dias eu li uma matéria em que a recuperação da economia poderia ser em formato da letra K.  Houve a recessão e a o que viria depois se desdobraria em duas direções.   Uma parte retomaria a atividade econômica e outra, seguiria para uma nova contração. 

Agora com as novas informações divulgadas, eu percebi que se fala em segunda recessão.   O normal é que após uma recessão qualquer número conhecido mostre um crescimento expressivo porque a base de comparação é extremamente frágil.  É o que todos esperavam que acontecesse no Velho Continente.

Os números do PMI, entretanto, surpreenderam a muitos analistas.   Nesse caso, uma nova recessão, antes totalmente fora do cenário, agora, não poderiam ser peremptoriamente desprezadas.   Se isso viesse a acontecer, ou seja, no caso de uma segunda recessão, a recuperação se daria em formato de uma letra W.  Cai, sobe, cai de novo e sobe em definitivo.

Então, face às novas informações, estaria o Velho Continente abandonando a recuperação em forma de V ou de K, por outra em forma de W?  Ainda é cedo para defender o K ou W, mas, no presente momento, não se podem descartar nenhuma das hipóteses.  E esperar para ver.

Boa tarde, leitor do blog!     

A UNIÃO EUROPEIA PODERIA ENFRENTAR UMA RECUPERAÇÃO EM V, EM K OU EM W?

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