Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 19.11.2020, 18:10, 24 graus C, 32 % de umidade 

Post 01.03.18

01 Internacional, 03 União Europeia, 18 número de ordem do post

Na última edição World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial,  publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no mês de outubro, há projeções que evidenciam que o PIB da União Europeia apresentaria variações de 1,3%  (2019), -8,3% (2020) e 5,2% (2021). 

Ou seja, o desempenho do bloco estava convergindo para a desaceleração global quando a pandemia surgiu no início do corrente ano.   Daí, a queda abrupta do PIB e uma recessão da ordem de -8,3% no comportamento do Produto no corrente ano.       

Quando a edição veio a público no mês passado, o assunto em debate ente os analistas era a recuperação da Economia com a presença de muita instabilidade no processo em curso.   Desde então o foco migrou da retomada incipiente da economia para a segunda onda da pandemia. 

A partir dessa nova realidade, o Banco Central Europeu optou por apresentar um Pandemic Emergency Purchase Programme (PEPP), um novo Programa de Compra de Emergência da Pandemia, no valor de 1,35 trilhão de euros. 

Eu acessei ao site da Instituição e verifiquei que o objetivo do PEPP busca estabilizar mercados financeiros e compensar o impacto da pandemia na inflação.   Não é pouca coisa.   Nos Estados Unidos os democratas querem implementar um programa de socorro, mas não conseguem o apoio republicano.  

Na Europa, o problema é outro.   O processo decisório implica unanimidade.  Na pauta atual do bloco está o orçamento para o período 2021-27 e a cisão é evidente. 

Hoje houve reunião das lideranças da União Europeia, tudo via teleconferência como as condições estão a exigir devido à segunda onda da pandemia.   Da agenda merecem destaque o Plano de Recuperação Econômica e o Orçamento Plurianual da Instituição que sofreu bloqueio da Polônia, da Hungria e da Eslovênia.

Há uma pressão por parte dos intermediários financeiros que o Plano de Recuperação Econômica de 750 bilhões de euros seja executado de imediato devido à pandemia e o desemprego. 

Da mesma forma, o orçamento do bloco no valor de 1,25 trilhão de euros precisa tomar o seu encaminhamento porque é ele que irá irrigar as finanças públicas dos 27 países membros e permitir que as suas administrações atendam à população europeia nesse momento de crise sanitária e econômica generalizadas.

O grande impasse é a barreira democrática.   O governo de Bruxelas exige os 27 deem provas da prática do Estado de Direito, que não é o caso para o qual convergem os governos da Hungria e da Polônia.    E assim configura-se o impasse em que os dois impasses são exigidos de provas de transparência democrática, mas dão o troco emperrando o curso do Plano de Recuperação e do Orçamento 2021-27.  

A reunião de ontem foi uma segunda tentativa de destravar o processo decisório do bloco.   Viktor Orban da Hungria, Mateusz Morawiecki da Polônia e, agora, Janez Jansa, da Eslovênia formam um pequeno grupo que não parece disposto a ceder à pressão exercida por David Sassoli, o presidente do Parlamento da União Europeia.

Vou ficar atento a todas as novas movimentações internas na política do Velho Continente.   Qualquer novidade eu procurarei atualizar o leitor de forma imediata.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Mosteiro de Alcobaça

Quando menino eu tomei conhecimento de um livro intitulado Selecta.  Ele era utilizado no Colégio na época em que eu realizei o Curso de Admissão ao Ginásio.   Isso aconteceu em 1955, quando eu era aluno do Ginásio Santanense, o colégio dos Irmãos Maristas de Sant’Ana do Livramento.  Havia uma capitulo do livro que descrevia o Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, onde os religiosos pescavam na cozinha do estabelecimento.   

Eu lembrei dessa história quando eu fui estudar em Portugal (1968-69).  Um dia, já em Lisboa, alguém me falou nesse local e eu decidi visitá-lo.  Aluguei um carro e fui até o mosteiro, uma obra  iniciada em 1178 e que é considerada uma das sete maravilhas do país.   

O mosteiro, uma obra atribuída aos monges da Ordem de Cister, uma ordem que se propunha a não acumular riquezas.  Chegados à península ibérica, os monges receberam de Dom Afonso Henriques, primeiro rei português, terras na região de Alcobaça.   E foi assim que tudo começou.

Eu fui até o claustro do mosteiro e bati a foto acima numa tarde de outono de 1968.  A Igreja e o primeiro claustro datam do período que se estende entre 1178 e 1240.  Nos séculos seguintes foram realizadas obras que vieram a se constituir no conjunto do Mosteiro de Alcobaça.

A obra é fantástica.  A nave central da Igreja tem formato de uma cruz.   As naves tem, em média, vinte metros de altura cada uma.  Eu lembro que fiquei impressionado com a altura do mosteiro.   No final da visita eu fui conhecer a cozinha em que os monges pescavam.  

Realmente, no centro da cozinha tinha uma grande mesa de madeira.  Eu pude afastar a tampa da mesa para o lado e me deparei com um rio que passava em baixo do local.  A história do livro da Selecta que tomei conhecimento quando menino estava ali, à minha frente, mostrando a perspicácia dos religiosos ao utilizarem o local para a realização da atividade da pesca.  Assim eles atendiam às necessidades de alimentação de todos os que trabalhavam no local.

O IMPASSE ENTRE O PODER EXECUTIVO DA UNIÃO EUROPEIA E OS GOVERNOS DA HUNGRIA, POLÔNIA E ESLOVÊNIA

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