Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 20.11.2020, 18:10, 24 graus C, 47 % de umidade 

Post 01.09.41

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 41 número de ordem do post

Quem trabalha com conjuntura econômica, que é o meu caso, precisa estar atento a tudo e a todos.  A tudo o que acontece e a todos que se manifestam no dia a dia da economia.  

Às vezes é um fato inesperado, outras vezes é o desencadeamento de um processo em curso.   Às vezes a informação surge pronta; outras vezes, não.   Em certas ocasiões alguém disse algo; outras vezes, alguém disse que outro disse.   E, por aí vai.

Como eu dou a volta ao mundo, virtualmente, a todo momento, as fontes são muitas.   Tendo em vista que eu trabalho por caminhos conhecidos de todos há 50 anos, eu sinto que há alguns atalhos que eu não posso desprezar.   Alguns temas se repetem a todo momento; outros, nem tanto.    

A taxação de jornais, a criação da videoteca, o hobby pela fotografia, o apreço pela música, a espera pela inspiração, o desejo de compor, a vontade de desenhar, a experiência com algumas palavras chaves, tudo, enfim, contribui para que eu termine o dia da forma como comecei, sem tempo para qualquer passatempo.

Em meio a essa viagem no mundo das informações, certamente que a minha prioridade é a economia norte-americana.   Tudo porque ela travava o aprofundamento da desaceleração global em 2019 e porque o início da sua recuperação é fundamental ainda nesse ano de pandemia de 2020.

Os últimos números divulgados pelo FMI, agora, em outubro, mostram que o PIB da economia norte-americana deve recuar -4,3% em 2020.   No texto, os economistas do Fundo constataram que havia uma forte recuperação no terceiro trimestre do ano em curso.   

É isso, segundo diversos indicadores, após a retração do segundo trimestre, havia uma recuperação parcial no terceiro trimestre,   Ao mesmo tempo, já se percebia que a economia desacelerava no início do quatro trimestre.   O impulso que vinha do terceiro trimestre se esvaia à medida que chegava o quatro trimestre.

Essa expansão do terceiro trimestre poderia ser verificado também nos Relatórios de Gerentes de Compras nos Estados Unidos, na China, na Zona do Euro e no Brasil. 

Em outros lugares, como na Índia, Japão e  Coreia, afirmam os economistas do FMI, a situação não se confirmava.   Entretanto, em setembro, havia fortalecimento da Indústria, que não era constatado, da mesma forma,  no setor de Serviços.

Era isso que eu tinha de contexto à minha frente quando começou a sexta-feira.   Hoje eu começo a compreender a insistência com que Antony Fauci fazia referência à pressão da pandemia sobre os Serviços quando o Inverno chegasse ao Hemisfério Norte.

Ao final do dia, cabe o registro que os economistas do J P Morgan preveem uma queda do PIB norte-americano da ordem de 1,0% no primeiro trimestre de 2021.

Ora, o registro da Johns Hopkins University de hoje mostra que há 11,9 milhões de infectados nos Estados Unidos e 254 mil óbitos.   

Esses números estão alinhados com o impacto da atividade econômica no setor de Serviços, uma contribuição que não deverá ser reduzida até à chegada da Primavera.

Por tudo isso, eu julgo que é importante incluir a previsão de um recuo do PIB no primeiro trimestre do próximo ano na configuração de um cenário para a economia global, afinal, a economia dos EUA continua com um peso enorme no desempenho do que há de vir.

 …

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:   Travessa Engenheiro Acilino de Carvalho antes da pandemia.

A rua acima era conhecida como o Beco do Brito no início do século XIX.   Ela liga a rua da Praia à rua Andrade Neves.   Durante os anos 60 eu trabalhava em mercado de capitais e todas as segundas e as terças-feiras eu permanecia na capital.   Eu fazia as refeições num restaurante que tinha entrada pela Avenida Borges de Medeiros e pela Travessa Acilino de Carvalho.   O restaurante servia uma massa com um molho maravilhoso.   Algo inesquecível.  Anos mais tarde a Travessa se transformou numa Rua 24 horas, mas eu creio que nunca se firmou. 

UM SINAL DE ALERTA, A ECONOMIA NORTE-AMERICANA PODE VOLTAR A ANDAR DE RÉ?

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