Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 22.11.2020, 12:10, 26 graus C, 51 % de umidade 

Post 01.10.03

01 Internacional, 10 Japão,  03 número de ordem do post

O Japão registrou 130,9 mil casos de pessoas infectados por covid19 até o presente momento.  O país está no fim da fila, entre Republica Dominicana e Costa Rica.   Paralelamente, o país registra 1.932 óbitos, número que o coloca na quinquagésima (50 a) posição no ranking global.

Embora o Japão não ocupe posição de destaque na classificação global da pandemia, eu percebo que os jornais de Tóquio tem registrado que o país tem contabiliza 500 casos diários nos últimos dias.   Um número recorde para os padrões locais.

Desde o final de outubro que os casos de covid19 começaram a avançar no Japão.  Foram 2.388 infectados com coronavírus somente na última quinta-feira.   Desses, 534 casos somente em Tóquio.   Um terror para os padrões de uma nação com padrões da cultura japonesa.

E tudo isso acontece em meio a economia se movimentando com limitações.    A economia japonesa já vinha sem fôlego antes da pandemia.   O PIB cresceu, apenas, 0,3% (2018) e 0,7% (2019).   A recessão prevista pelo Panorama Econômico Global do FMI para 2020 é da ordem de – 5,3%.

Bem, essa fragilidade da economia já faz parte do desempenho recente da economia japonesa.   Outro problema que preocupa demais as autoridades locais é a estabilidade da economia.   Eu lembro de ter escrito muitos artigos sobre a economia do Japão em décadas anteriores.   A sina japonesa é, efetivamente, a deflação.

A deflação acontece quando os preços estão em queda.   Se os preços vão cair os consumidores optam por esperar que os produtos fiquem mais baratos.   Cai o consumo e caem as compras.  Com a queda das vendas os comerciantes passam a despedir os empregados.   É o pior que pode acontecer.

Eu lembro que em décadas passadas, o nosso problema era inflação nas nuvens.   Os japoneses “oravam”  para conviver com alguma inflação.   Eles almejavam, mais do que nada, que os preços aumentassem.   

O Índice de Preços ao Consumidor avançou -0,5% (2019).  Para o corrente ano, o World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Global do FMI prevê um recuo de -0,1% (2020) no IPC.

Bem, os jornais do Japão de hoje estão a noticiar que os preços ao consumidor, retirados energia e alimentos frescos, recuaram em -0,7% em outubro na comparação com outubro do ano passado.    Esvai-se assim, a inflação, e surge, abruptamente, em meio a pandemia, a deflação. .

O consumo quase não se move.  A meta do Banco Central é de uma inflação de 2,0%.   As autoridades monetárias afirmam que haverá um avanço nos preços, mas a realidade não evidencia que isso possa acontecer.

Com a pandemia, o consumidor diminui a suas exposições aos centros de consumo.   Se as restrições de acesso aos restaurantes for restabelecido, piorará a situação ainda mais.   O que dizer se as viagens estiverem sob novas restrições?

O que se percebe que as quedas vem desde agosto.   Outubro é mais uma repetição de recuo sucessivo.  Então, além da economia ter perdido qualquer força, os preços não estabilizam em níveis esperados pelas autoridades monetárias do pais.

Na Dieta Nacional do Japão, ou seja, no Poder Legislativo do país,  a pauta é densa.   Ela se estende desde às mascaras para fazer frente à pandemia aos estímulos econômicos para viabilizar o andar da economia. 

As máscaras poderão mostrar um cartão de visita na estampa.  Paralelamente, há perspectiva que a Dieta Nacional suplemente o orçamento da esfera pública.   É preciso injetar recursos na economia e mais um orçamento suplementar poderá contribuir para tanto.   Há ideias em profusão, de gastos com alunos do terceiro ano do ensino médio à distribuição universal de dinheiro por pessoa.  

O problema é que o primeiro ministro Yoshihide Suga quer aproveitar a oportunidade para antecipar uma eleição, para dissolver a Câmara na Dieta Nacional.   Vou monitorar os próximos passos de Suga e das autoridades econômicas.  Qualquer novidade eu preparo um novo post para atualizar o leitor.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  AINDA O FIM DA FEE

Quando eu retornei dos EUA eu tinha um convite da Presidência da República para trabalhar no Instituto de Pesquisas Espaciais.  Optei por ficar no Rio Grande do Sul e permaneci por quarenta anos na Fundação de Economia e Estatística (FEE).   O governo local  criou uma instituição moderna em 1074, com recursos humanos extremamente qualificados e que produziram um ESTOQUE DE CONHECIMENTOS sem precedentes na administração estadual.  

Em particular, nessas quatro décadas, a Instituição contribuiu para a elaboração dos Planos de governo, dos Orçamentos Plurianuais, das Propostas Orçamentárias Anuais, de diversos programas setoriais e outros tantos de desenvolvimento regionais.   As Mensagens do Governador para a Assembleia Legislativa sempre incluíam uma participação da FEE através da análise do cenário econômico internacional, do ambiente econômico nacional e do desempenho da economia gaúcha.  

A FEE participou também de todo um processo de treinamento nacional, promovido pelo Ministério do Planejamento, junto às equipes das secretárias estaduais de planejamento para habilitá-las à construção de estatísticas e elaboração de programas e projetos no âmbito da economia regional.   Aos 76, eu penso que assim como tantos outros profissionais e servidores, eu passei toda a minha vida como economista da FEE.   

Um dia, o governo do Estado  do Rio Grande do Sul decretou o fechamento da FEE.  

ALÉM DA PANDEMIA, HÁ O RECEIO DA QUEDA NO NÍVEL DOS PREÇOS NO JAPÃO

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