Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 23.11.2020, 06:10, 30 graus C, 53 % de umidade 

Post 01.14.08

01 Internacional, 14 Argentina  08 número de ordem do post

A Argentina vive momentos difíceis.  A recessão veio para ficar.  É o que tudo leva a acreditar porque o país já vem de dois anos consecutivos de quedas no PIB e com a pandemia a situação se agravou ainda mais.

Depois de crescer 2,8% em 2017 a economia entrou em recessão e o PIB caiu -2,6% (2018), -2,1% (2019) e deverá recuar -11,8% (2020) segundo as últimas estimativas do mês passado do Panorama Econômico Mundial do FMI.   

Ao mesmo tempo, a taxa de inflação vem crescendo ano após ano.   O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Argentina avançou em 24,8% (2017), 47,6% (2018) e 53,8 % (2019).   

….

De acordo com o INEC, a inflação em 12 meses, até setembro, já era de 40,5% no corrente ano.   Ora, essa inflação que não cede e as desvalorizações cambiais bateram de frente com o Consumo que sentiu o baque.   Há redução em tudo, do consumo dos alimentos aos medicamentos.  

Convém lembrar que eu escrevi em posts anteriores que o ex-presidente Maurício Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional, obteve um empréstimo, mas não conseguiu honrar os compromissos assumidos coma Instituição.  Alberto Fernandez, que está próximo a completar um ano no governo, passou a negociar com o Fundo.

Tendo obtido a contribuição do Papa Francisco, que promoveu um seminário sobre a Argentina no Vaticano e que contou com a presença das autoridades de Buenos Aires e do próprio FMI, parece tudo haver mudado entre Buenos Aires e a Instituição. 

Com esse apoio extra, foi fechado o acordo com os credores internacionais.  O calote externo foi evitado  e os fundos abutres saíram de cena.  Agora o que importa, o que está na pauta é o acordo com o próprio FMI.  É preciso negociar o último empréstimo de standby pendente da gestão Maurício Macri.

… 

Para tanto veio uma delegação do Fundo a Buenos Aires para negociar os termos do acordo.  A equipe chegou há dez dias e eu escrevi um post anterior sobre essa visita.  Nesse fim de semana, a atividade foi concluída e foi publicada uma informação no site do FMI.

O que diz a nota?  Intitulada “Uma declaração da equipe do FMI sobre a Argentina, em 20 de novembro de 2020” o texto diz que uma equipe liderada pela subdiretora do Departamento do Hemisfério Ocidental Julie Kozack,  e chefiada por Luis Cubeddu, chefe da missão para a Argentina.  

O texto prossegue informando que a equipe visitou a capital entre os dias 10 e 20 de novembro.  O objetivo do encontro era iniciar as discussões formais para formalizar um novo programa do Fundo para sustentar os planos econômicos do governo argentino.

Uma nota dessa natureza seria imprevisível há um ano.   E o texto vai além dizendo que o programa permitirá que o governo enfrente os “profundos desafios econômicos e sociais do país, que fora agravados pela pandemia”. 

O governo de Alberto Fernández pretende firmar um acordo do tipo ate Extended Fund Facility (EFF) e para tanto é indispensável um “amplo consenso político e social”. 

A partir de agora, os contatos entre as duas equipes, Argentina e FMI, acontecerá de forma remota.   É preciso que se construa um conjunto de políticas para (i) alcançar a estabilidade, (ii) restaurar a confiança e (iii) proteger as camadas sociais menos favorecidas do país.   

Dessa forma, a iniciativa conjunta pretende definir as “bases para um crescimento sustentável e inclusivo”.  Além de todo esse apoio inédito, a nota diz que a equipe do Fundo agradeceu o apoio recebido e promete todo o engajamento produtivo e contínuo a partir de agora.

Nesses cinquenta anos de acompanhamento conjuntural do país vizinho, debatendo em todos os mais diversos ambiente, eu jamais imaginaria que a Argentina um dia veria a luz no fim do túnel.   Há obstáculos de todo o tipo à frente, mas eu sou obrigado a reconhecer a diferença que um Papa (o cardeal Bergoglio, um engajado político) faz à Economia.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  As quatro que decidem no clã

A imagem não está bem focada, mas é a fotografia que disponho no momento.   Da esquerda para a direita, Eunice Helena Rosa Fraquelli, Stella Maris Fraquelli da Silva, Elaine Beatriz Peres Fraquelli e Maria Hermínia Galo Fraquelli. No clã as decisões são todas com elas. 

ARGENTINA, DAS DIFICULDADES SOBREPOSTAS NA ECONOMIA À EVIDÊNCIA DA FÉ NA SAÍDA POLÍTICA

Deixe uma resposta