Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 25.11.2020, 06:10, 20 graus C, 64 % de umidade 

Post 01.09.29

01 Internacional, 09 Estados Unidos 29 número de ordem do post

A transição de poder nos Estados Unidos está muito lenta.   Donald Trump tem feito todo o possível para negar os resultados, apresentar falsas acusações e associar o voto via correio com uma fraude.   

Com esse pano de fundo, Mike Pompeo, o Secretário de Estado dos EUA, tem viajado ao Exterior e prometido uma transição tranquila do primeiro para o segundo mandato de Donald Trump.   Como assim?   

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Bem, ele afirma que o Presidente prosseguirá na Casa Branca independentemente da apuração dos votos vir a  evidenciar Joe Biden na presidência a partir de 20 de janeiro próximo vindouro.

Essa terça-feira eu assisti na televisão uma entrevista coletiva de Joe Biden e Kamala Harris anunciando nomes que vão participar da equipe de governo no próximo ano. 

O Departamento de Segurança Nacional ficará a cargo de Alejandro Mayorkas, 61 anos, nascido em Havana, Cuba.   Ele migrou para os Estados Unidos durante a Revolução Cubana e residiu em Miami e em Los Angeles, onde obteve a sua formação em Direito.

Ele esteve no cargo de vice-secretário da mesma pasta no governo Obama, onde concebeu a política dos dreamers, conhecida como Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA).   través dessa iniciativa, as crianças migrantes sem documentação, podem morar, trabalhar e dirigir nos EUA,   

Assim como aconteceu com outras iniciativas do seu antecessor, Donald Trump quis terminar com a DACA, a Ação Diferida para Chegadas na Infância.    Mayorkas assume o cargo para depurar as iniciativas da gestão republicana nesse campo da política migratória. 

O Departamento de Inteligência Nacional ficará a cargo de Avril Haines, 51 anos, tem formação em Física na Universidade de Chicago e em Direito na Universidade de Georgetown. 

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No passado ela desenvolveu atividades sênior no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e na Comissão Nacional de Serviço Militar.   

A embaixada dos Estados Unidos junto às Nações Unidas ficará a cargo de Linda Thomas-Greenfield,  68 anos, graduada na Universidade de Louisiana e com mestrado em Administração Pública na Universidade de Wisconsin.

Linda Thomas-Greenfield tem um currículo com muitos atividades na administração pública dos Estados Unidos e em cargos no Exterior, mas Donald Trump a demitiu no expurgo que realizou no Departamento de Estado posto em prática durante a sua gestão.

A secretaria de Estado ficará a cargo de Antony Blinken, 58 anos, que já ocupou o cargo de vice-secretário na mesma pasta no governo Obama depois de ser também vice-conselheiro de Segurança Nacional. 

A relação dos indicados por Joe Biden evidencia que ele conta com profissionais em cada setor, mesmo que não tenham o respaldo político baseado nos votos do pleito de 03 de novembro.   

Ao mesmo tempo entre o lado conservador do partido de um lado, e o “socialista”, de outro, Joe Biden parece ter optado pelo centro.  É o que se percebe na primeira relação de assessores diretos do futuro presidente na divulgação da entrevista de ontem. 

Finalmente Janet Yellen, 74 anos, será a nova Secretária do Tesouro dos EUA.  Eu deixei o nome de Yellen por último porque eu a considero o nome mais importante da nova equipe de Joe Biden.

Yellen tem um currículo extraordinário, tanto na área da academia, como no campo profissional da intermediação financeiras.   

Professora em Berkeley, na Universidade da Califórnia, ela foi dirigente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, seja como diretora do Banco Central de São Francisco como de diretora Geral do FED.   Ela é casada com George Arthur Akerlof, prêmio Nobel de Economia de 2001.

A nova Secretária do Tesouro fui sucessora de Ben Bernanke como chairman do FED entre 2014 e 2018.  Ela ocupou o cargo na transição de Barack Obama para Donald Trump, mas esse último deixou de reconduzi-la para a tarefa porque não a julgava à altura do cargo.

Janet Yellen, uma senhora de 1,60 metro de altura e cabelos brancos, é uma economista mais alinhada à postura dovish, (pomba), uma visão expansionista da economia,  do que ao enfoque hawkish (falcão), uma ótica contracionista da economia.

Durante os últimos vinte anos, eu gravei muitas participações de Yellen na televisão.  Mais recentemente, nos últimos dez anos, período que inclui a estada dela no FED, eu enriqueci a minha videoteca com inúmeras palestras e entrevistas da mesma.

Ela sempre se apresentou com o mesmo visual, carregando consigo uma mala de executiva em que transportava todo o material para os seus pronunciamentos nas Comissões do Congresso.  Eram verdadeiras aulas de economia que eram seguidas por questionamentos dos membros das comissões.

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É importante destacar que os participantes desses eventos em Capitol Hill eram muito preparados, muito qualificados,  para formular perguntas à entrevistada.   Ela respondia a todos com a mesma atenção, sem pressa, ciente que ao passar a palavra ao próximo deputado ou senador, o anterior estivesse satisfeito com a explicação recebida. 

Ora se no FED ela trabalhou com a taxa de juros para contribuir na gestão da oferta da moeda, agora, na Secretaria do Tesouro ela deverá estar focada no ajuste das contas públicas.  Duas tarefas da maior importância numa economia como a dos Estados Unidos, a maior do planeta.

Aqui do meu beco eu vou ficar torcendo pelo êxito de Janet Yellen, afinal de contas ela terá um papel importante na saída da crise da pandemia.   O seu êxito lá, repercutirá positivamente no desempenho da economia global. 

É isso aí, boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:   PARTICIPAÇÃO EM DEBATE NA BAND TV À ÉPOCA DO PLANO COLLOR

Eu trabalhei por 40 anos na FEE.  Convivi com muitos presidentes nomeados por governos de partidos diferentes e, estive na presidência da Instituição em três ocasiões (governos Guazzelli, Colares e Yeda).  

Na oportunidade que a professora Wrana Maria Panizzi esteve na presidência da FEE, entre 1989-91, eu permaneci lotado na sua assessoria.  Um dia ela marcou uma entrevista na imprensa e determinou que eu fosse à televisão para atender à demanda recebida.  

Desde então ela mostrou interesse que a FEE tivesse maior presença na mídia.   A partir daquele momento eu passei a atender demandas diárias da mídia, um processo que cresceu sistematicamente até os meus últimos dias de trabalho antes da minha aposentadoria. 

Na fotografia acima eu estou participando do programa Canal Livre da TV Band de Porto Alegre.   Por dever de ofício eu me encontrava sempre atualizado em tudo que dissesse respeito ao planejamento no Brasil.  Por essa razão eu era convidado diariamente para participar de eventos.

Na tarde do programa, o âncora era o jornalista Samuel Santos.  Junto comigo havia mais quatro representantes de instituições diferentes.   Eu fiquei à mesa junto ao Samuel, durante uma hora de duração, ou quem sabe um tempo maior.

Na noite dessa mesma quinta-feira eu acordei em torno de 01:00 da madrugada com uma dor insuportável nos olhos.   Levantei e quando cheguei à frente do espelho eu percebi que os meus olhos tinham como que saído da cavidade.

Levaram-me diretamente para o hospital.   A dor durante o percurso era cada vez mais intensa, era como se eu tivesse queimado os olhos.   Chegando no Banco de Olhos, deram-me uma anestesia que fez a dor sumir instantaneamente.

Eu lembro do médico comentar que eu devia ter trabalho com solda o dia inteiro. Respondi-lhe que eu havia trabalhado numa empresa nos anos 60, White Martins, que comercializava oxigênio e material de solda.  O fato não tinha acontecido e, aí, eu lhe disse que tinha passado em torno de uma hora em programa de televisão.  E era tudo o que tinha acontecido comigo.

Resumindo, passei três dias com os olhos vendados sem poder enxergar, sempre medicado e ao final da data aprazada pelos médicos o susto passou.  Nessa época eu fiquei sabendo que as córneas tinham a capacidade de recuperação.

Os anos passaram, eu me aposentei e me afastei da mídia.  De qualquer forma, até as minhas ultimas participações na televisão eu lembro que até à hora da gravação eu ficava com os olhos desviados do ponto de origem da luz.   E, mesmo quando em cena, eu sentia um certo desconforto frente à claridade.

Pois é essa a história por trás da imagem acima.  Cavaco do ofício. 

JOE BIDEN COMEÇA A FORMATAR A SUA NOVA EQUIPE DE GOVERNO

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