Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 27.11.2020, 12:10, 24 graus C, 67 % de umidade 

Post 01.11.10

01 Internacional, 11 China, 10 número de ordem do post

Acesso os jornais da China, uma recorrida que realizo a todo momento, e me deparo com mais uma matéria sobre a Rota da Seda, o Silk Road, aquele caminho utilizado para transportar cargas do Extremo Oriente, de Xi’an  para a Europa, até a Antioquia, na Turquia. 

A influência foi muito além daí.  Era a rede mais importante na Antiguidade.  O que me chamou a atenção, em especial, é que os chineses estão partindo para a criação do Silk Road em dimensão aérea.

Vejo, também, que o presidente Xi Jinping enviou uma correspondência a Joe Biden cumprimentando-o pela eleição presidencial.  Da mesma forma, Wang Qishan, o vice presidente da China enviou os parabéns à vice presidenta eleita, Kamala Harris.

Na carta, Xi disse a Biden que o relacionamento estável entre ambos favorece as pessoas nos dois países e contribui para atender as expectativas da comunidade internacional.  Xi especificou no texto que espera o respeito mutuo e cooperação em um ambiente sereno. 

Ele afirmou a Biden que espera que ele se concentre na cooperação, gerencie as diferenças, promova o desenvolvimento sustentável e estável entre as duas potencias, visando, sempre a paz e a retomada global.

A par do novo elo de relacionamento entre a China e os Estados Unidos, o mundo está atento à recuperação da economia chinesa, a primeira a sinalizar retomada e a única a  evidenciar ausência de recessão

Ontem, em Paris,  Margit Molnar, chefe do Escritório da China na OCDE,  afirmou que o seu país foi o primeiro a retomar a atividade econômica no nível pré-pandemia.   

Isso aconteceu ao mesmo tempo em que o país atendeu, nos últimos meses, a demanda de materiais e equipamentos de proteção para o mundo enfrentar a pandemia e se adequar para o tele trabalho e estar, agora, também em condições de demandar o que o mundo produz.

Essa percepção que a economia chinesa voltou à normalidade pode ser conferida em matéria do próprio canal Bloomberg.   Segundo à fonte, a recuperação local está estabilizada com o avanço das exportações e o boom dos mercados.

A referida fonte informou que a recuperação estabilizada se concretizou em novembro.  Ao ler o texto daquele canal eu fiquei com a percepção que o governo chinês virou a chave.   

Agora, o que importa é migrar dos estímulos emergenciais para os objetivos de crescimento de longo prazo.  E só a China parece estar em condições de realizar essa empreitada no corrente ano.

A mesma assertiva que eu encontrei na entrevista de  Margit Molnar da OCDE que deu ênfase especial à  importância do acordo de Livre Comercio de Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP) firmado entre a China e 15 países do Continente Asiático, eu verifiquei na matéria da Bloomberg.

Essa última, a Bloomberg,  atribuiu à demanda externa a força da recuperação e, que, conjuntamente com as exportações de produtos de tecnologia e material de saúde produziram os resultados alcançados pela economia chinesa até o presente momento.

A propósito, cabe o registro que em novembro, esse cenário foi decisivo para a inserção das pequenas e médias empresas no nível da atividade econômica e na confiança empresarial vigentes.

No meu caso que trabalho com conjuntura a tantos anos, me chamou a atenção da Bloomberg incluiu alguns indicadores novos para a análise das projeções da economia.  Eles passaram a incluir a venda de casas e de carros e os estoques adicionais de aço.

Para encerrar, eu leio nos jornais chineses que depois de ter enviado a sonda Tianwen- 1 para o planeta Marte, país lançou um primeira missão Chang’e-5 que representa mais um passo à frente no seu programa de desenvolvimento aeroespacial.   

O objetivo de utilizar o foguete Longa Marcha – 5, no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, em Hainan, visa recuperar rochas lunares.  Em dois mil e duzentos segundos a Chang’e-5 separou-se do foguete Longa Marcha-5 e entrou em órbita de transferência da terra para a lua.

Esse projeto chinês da missão Chang’e-5 é ambicioso porque implica orbitar, pousar e retornar.   Não é pouca coisa em um mundo que vivencia uma recessão sem precedentes e uma pandemia ainda sem vacina.  

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:

No período em que estudei em Portugal (1968-69) eu fui conhecer Cacilhas, uma freguesia portuguesa do outro lado do Tejo, que fica a 14,5 quilômetros de Lisboa.  Fiz o deslocamento de barco, um percurso realizado em 24 minutos. 

Lá eu pude conhecer o Santuário Nacional de Cristo Rei, uma obra iniciada em 1949 com 110 metros de altura, e dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.  Ela foi aberta ao público em 1959. Um elevador interno leva o visitante ao topo das colunas e aos pés da estátua do Cristo. 

O monumento inspirado no Cristo Redentor do Rio de Janeiro, foi edificado como decorrência de voto do episcopado local, formulado em Fátima, em 1940, como um pedido a Deus para que Portugal ficasse de fora da Segunda Guerra Mundial.   Salazar aderiu à neutralidade e o país não participou da guerra.

Lá de cima é possível ter uma vista da capital portuguesa e, em primeiro plano, da Ponte 25 de Abril, uma obra rodoferroviária, suspensa sobre o gargalo do Rio Tejo, que possui 2.227 metros de cumprimentos e que liga Lisboa a Almada.   

Na época que eu morei em Portugal a ponte se chamava Salazar.  Posteriormente com a Revolução do Cravos que depôs o regime, a obra trocou de nome Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril.

Na imagem abaixo, o senhor que está de chapéu preto se chamava Senhor Agostinho e ele tem a seu lado a Dona Elvira, a sua esposa e a gerente da Pensão Castromira, um hotel localizado na Rua Almirante Reis, 35 no centro da Capital.  Eu fui hóspede do estabelecimento que existe, até hoje, no mesmo endereço em Lisboa.

Eu jamais esqueci dessa fotografia porque ela foi batida na época que os americanos estavam na corrida espacial rumo à Lua.  Eu lembro que o Senhor Agostinho olhando para o céu me perguntou se eu acreditava que os americanos estavam, realmente, chegando à Lua?

Naquela época, o Senhor Agostinho era o cozinheiro chefe da Companhia União Fabril (CUF), uma empresa do setor químico desde 1865.   

Eu lembro que eu olhei para o meu amigo e antes que eu lhe respondesse ele acrescentou: Professor, esses equipamentos devem estar sobrevoando Lisboa e eles dizem que estão chegando à Lua.

No ano seguinte, 1970, eu tinha retornado ao Brasil e obtive uma bolsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) para realizar o meu mestrado em Economia nos Estados Unidos. 

Eu pleiteava uma bolsa para Paris, mas o argumento que me foi passado era que se eu fosse para a França eu jamais retornaria ao meu país de origem.

Naquela época, transição dos anos 60 para os 70, não bastava mais lecionar baseado somente no título de bacharelado.  As Universidades passaram a exigir que o corpo docente realizasse pós-graduação.  E, assim, eu fui estudar e residir, inicialmente, em Houston, no Texas.    

No segundo fim de semana que eu residia naquela cidade eu fui conhecer o Centro Espacial, o centro de comando dos voos tripulados da NASA, inaugurado em 1963, pela agência espacial dos Estados Unidos.

Na época que eu o visitei ele era denominado Centro de Controle de Missão Christopher C. Kraft Jr. e foi renomeado Centro Espacial Lyndon B. Jonhnson em 1973, em homenagem ao presidente falecido. 

A visita foi um show.  Havia dezenas de prédios.  Na foto eu estou entrando no Prédio 5, onde estava a amostra da rocha trazida da lua.  Era entrar no prédio e dar de cara com a rocha lunar, disposta em um ambiente de muita iluminação. 

Depois eu estive no prédio em que estava todo o centro de treinamento de astronautas, equipamentos moderníssimos para a época.  O que eu conhecia de filmes eu estava vendo à minha frente. 

Mais adiante eu estive em local onde estava situada a cápsula espacial que havia viajado à lua e que acomodava os astronautas ao longo do percurso. 

Realmente foi um show.  Uma experiência inesquecível.   Veja, o leitor, o que me havia dito o Senhor Agostinho, em 1969, no monumento Cristo Rei em Cacilhas em um mundo em que a Apollo 11 já realizava o voo espacial tripulado à Lua.   

Na verdade, os astronautas Amstrong e Aldrin alunissaram o Eagle, o módulo lunar, às 20:17 UTC, o Coordinated Universal Time, o Tempo Universal Coordenado do dia 20.07.1969.   

Em Houston, no ano seguinte, eu pude comprovar tudo o que se dizia da missão Apollo 11 e do primeiro pouso na Lua. 

A CONJUNTURA ECONÔMICA CHINESA NESSE FINAL DE NOVEMBRO