Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre,   28.11.2020, 12:10, 26 graus C, 54% de umidade 

Post 01.03.18

01. Internacional, 03 União Europeia, 18 número de ordem do post

Eu passei alguns eventos de Natal longe da família.  É interessante porque quando se viver longe do Brasil tudo parece novidade, tudo é motivo de interesse especial.   Isso acontece até que chega a proximidade do Natal.   O mundo parece viver outra realidade à medida que as primeiras imagens natalinas começam a surgir ao longo das cidades.  

Eu não sei se o evento faz lembrar dos familiares distantes, se são as recordações dos tempos de criança ou se é um quadro lúdico de uma felicidade que um dia existiu e ficou armazenada em minha memória. 

De concreto basta ouvir jingle bells ou encontrar uma imagem de crianças frente ao trenó do Papai Noel e a memória parece ser acionada e estimular a cognição.  Distante de imaginar um recurso terapêutico de rotina, o indivíduo parece assaltado por pensamentos coloridos cuja origem desconhecida parece obedecer a um processo determinado por forte dose emocional. 

Tudo isso me veio à mente nessa manhã de sábado porque eu constatei que a Europa começou a conviver com as preparações para a noite de natal.

Eu assisti a uma manifestação de Úrsula von der Leyen, a presidente do Parlamento Europeu, em que ela afirmou o que já havia dito antes, ou seja, que esse Natal será diferente.   Será um Natal silencioso. 

Úrsula continuou afirmando que sabia que os proprietários das lojas e dos bares e restaurantes almejam o fim da restrições, a eliminação dos distanciamentos, mas é preciso aprender com o que aconteceu no último verão e não repetir os mesmos erros.   Se o confinamento for evitado, corre-se o risco de se criar uma terceira onda depois das festividades.

As imagens transmitidas pela televisão sobre a iluminação no Champs-Élysées mostram arvores em vermelho e em amarelo em meio aos postes de luz branca formando um conjunto com muita harmonia e rara beleza.

Na Itália os noticiários desse sábado mostram as luzes sendo acesas na famosa árvore de natal de Trento, uma comuna italiana que é a capital administrativa da região Trentino-Alto Ádige.   Rota de passagem na Antiguidade, ela foi conquistada pelos romanos e se tornou cidade em torno de 50 A.C.

Na Bélgica, a Grand Place, com origem no século XII e um dos lugares mais belos do Velho Continente, os edifícios anoiteceram, na sexta-feira, totalmente iluminados em vermelho e amarelo.     Eu visitei o local em 1969 eu cheguei à praça e fiquei impressionado com a beleza de um dos prédios,  conhecido como a Casa do Rei.  Mercado do pão no século XIII, foi reconstruído no século XVIII e é, atualmente, o Museu de Bruxelas.

Na Dinamarca há um Papai Noel na praça de Copenhague, saudando a todas as crianças que se deslocam até o loca.   Ele está numa bola de neve de tamanho gigante, mas a originalidade está que há uma bolha de plástico transparente isolando o velhinho das crianças. 

O ambiente de confinamento que protege as pessoas do covid19 encontra algumas capitais em que o isolamento não é observado.  Na República Checa as lojas estão abertas para que a população realize as suas compras natalinas. 

Bem, esse é o quadro vigente no bloco às vésperas do Natal.   A situação é crítica porque a população já sofreu em demasia com a crise sanitária na segunda onda.  Festas agora implicam terceira onda da covid19 logo a seguir.  Ficarei atento a tudo o que acontecer nas capitais do bloco nas próximas semanas.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  OS DIQUES NOS PAÍSES BAIXOS

Em 1969 eu vivenciei uma experiência inusitada.  No dia anterior eu havia viajado de Bruxelas para Amsterdã, onde eu permaneci por dois dias.  Encerrada a estada na capital da Holanda, eu decidi que eu queria conhecer um dique antes de viajar para a Alemanha.

Era fim de inverno, mas ainda fazia muito frio.    Eu não sabia a palavra dique em inglês e nem levava dicionário no carro.  É importante lembrar que naquela época não havia Google ou algo parecido,  Eu subi de Amsterdã rumo ao norte do país imaginando que rapidamente eu iria alcançar o meu objetivo.

Rodei bastante e nada de sinalização à margem da estrada.  Ao longo do percurso eu ia parando e tentando me informar sobre a localização certa onde eu deveria chegar.  Eu lembro que eu parava em restaurantes ou lugares com publico à vista e explicava que eu almejava conhecer um lugar onde havia uma parede, um muro, um objeto, enfim, que separasse a terra do mar.

Sempre me sinalizavam que eu devia prosseguir no mesmo rumo, ou seja, em direção ao norte.  E assim eu fui subindo a Holanda rumo ao norte e as horas iam passando.

Cansado de tanto procurar por um dique eu me propus a parar pela última vez à beira da estrada,  Eu repeti a mesma história, mas eu acrescentei que em português a palavra era dique.

Instantaneamente, uma senhora muito simpática, me respondeu, oh, a dike!  You are looking for a dike!    Levou-me até a porta do estabelecimento, apontou para a minha esquerda e me disse que tudo que havia naquele sentido eram um dique.   

Deixei o carro na frente do estabelecimento, caminhei 50 metros rumo ao dique e tirei a foto acima.  Na imagem, ao fundo está o mar, e eu estou em cima do dique que separa a terra em nível mais baixo da água em patamar mais elevado.

Coisas de um manicaca!

UNIÃO EUROPEIA RUMO AO NACOTAL, UM ARDILOSO EVENTO DE NATAL EM PLENA PANDEMIA

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