Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE (2012) durante 40 anos 

Porto Alegre, 06.01.2021, 12:10, 28 graus C, 57 % de umidade, muito calor, o Guaíba está necessitando de chuva 

Post 02.01.25

02 Brasil 01 Conjuntura 25 número de ordem do post.

Era para ser mais uma saída do presidente Jair Bolsonaro do Palácio da Alvorada, parar junto aquele pequeno público que fica à espera da sua caminhada no local e dizer algumas frases convergentes para o que os seus simpatizantes desejavam ouvir. 

Para surpresa de muitos ou para externar um arroubo momentâneo, Bolsonaro saiu-se com a ideia que o Brasil está quebrado.   E colheu do ensejo para emendar que ele não consegue fazer nada.

Enfim, vieram a público duas afirmações que deviam estar escondidas em algum subterrâneo da administração do governo federal.   O Brasil quebrou.  Jair Bolsonaro está em standby.  Analiso, a seguir, as duas máximas da política nacional.  

…   

A primeira máxima, o PAÍS ESTÁ QUEBRADO, de acordo com o presidente.  Na verdade já havia um quadro de desiquilíbrio nas contas públicas ao fim de 2019.    

A pandemia levou a gestão financeira da esfera governamental para a UTI em 2020.   O Auxílio Emergencial atendeu um contingente de 60 milhões de indivíduos e custou R$ 320 bilhões.

Veja, o leitor, que o déficit primário acumulado do setor público consolidado avançou de R$ 48,4 bilhões no período janeiro-novembro de 2019 para R$ 651,4 bilhões no período janeiro-novem de 2020.  

Então, o que já estava ruim em janeiro de 2020 ficou pior em janeiro de 2021.   No site do BACEN eu vejo que no acumulado em 12 meses, o déficit primário já está em R$ 664,6 bilhões, ou seja 8,93% do PIB.

A segunda máxima, Bolsonaro NÃO CONSEGUE FAZER NADA.  Na verdade com a explosão do déficit primário acumulado do setor público, ao fim de dois anos de gestão, a dívida pública foi às alturas.

A Divida Bruta do Governo Geral, em novembro, atingiu um total de R$ 6,559 trilhões, ou seja, 88,1% do PIB.  Esse valor engloba a União, o INSS e os governos de Estados e Municípios.   

Segundo o site do BACEN, o patamar atual reflete a contribuição da valorização cambial, da variação do PIB nominal, dos resgates líquidos da dívida e da incorporação dos juros nominais.

No acumulado do ano, houve um incremento de 13,8% na relação entre a Dívida Bruta do Governo Geral e o PIB.   

Esses 13,8% tiveram origem em aumentos de + 8,6% das emissões líquidas de dividas, de + 4,2% da incorporação dos juros nominais e de + 1,5% da desvalorização cambial acumulada e da redução de -0,4% da variação do PIB Nominal.

Para encerrar, é possível que o presidente tenha afirmado que o país está quebrado porque o déficit público foi às nuvens.  E, ainda, é provável que Bolsonaro tenha confessado que não possa fazer nada porque a dívida pública extrapolou todos os limites imaginados.

Considerando que o governo ultrapassou 50% do período de governo sem contar com uma proposta de retomada do crescimento a situação do Brasil ficou muito mais difícil. 

Considerando que o Brasil acumula seis anos consecutivos de crise é impossível imaginar que um país nas condições atuais possa encontrar uma saída para a sua recuperação. 

Considerando, enfim, que a pandemia pode manter o cenário por mais uns 12 meses – tempo de vacinação, com compra de seringas e outros acessórios – eu espero que o presidente abasteça o país em um outro posto de combustível. 

Assim como está, não dá!  A vacinação resolve a pandemia, mas como resolver o problema do desemprego?

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  CHURRASCO EM VIAMÃO

Eu abandonei a carne, vermelha e branca, nos anos 70.    Eu confesso que foi muito mais fácil que deixar de lado o cigarro.   Eu venho da época em que se começava a fumar aos 13 anos após a autorização do pai.  

Eu consegui superar a falta da carne em 30 dias.   O cigarro foi uma tarefa mais difícil.  Eu parei de um dia para outro, abruptamente, quando estudava nos Estados Unidos.  Naquela época era um bombardeio da mídia sobre os fumantes.   

Para a carne há substituto, para o cigarro, não.  Então, no caso do fumo é preciso ser radical.  Não é possível facilitar que o vício parece estar à espreita do indivíduo.

Na foto acima, acompanhado da minha esposa Eunice,  eu fui à cada dos nossos primos, Nina e Luiz, que residem em Viamão, aqui na Região Metropolitana de Porto Alegre.  Isso aconteceu há alguns anos, quando ninguém imaginava que viria uma pandemia. 

Com a chegada da covid19, até os eventos em família foram abandonados.  Na noite de natal estávamos em apenas três pessoas, a minha esposa Eunice, a minha filha Vanessa e eu.  O resto dos filhos e os netos só nos falávamos por WhatsApp.

No mês que vem eu “comemoro” um ano de confinamento.  À essa altura eu creio que a vida normalizará para janeiro de 2022, não antes disso.  A esperança ficou pelo meio do caminho.  Agora, eu creio que é preciso ter fé!

O PORQUÊ DO DISCURSO QUE O PAÍS ESTÁ QUEBRADO?

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