Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 13.01.2021, 12:10, 21 graus C, 63 % de umidade

Post 01.11.10

01 Internacional 11 China 10 número de ordem do post.

Inicio mais uma recorrida por jornais chineses.  Na edição de hoje do People’s Daily eu verifico que os noticiários locais comemoram dois fatos:  as exportações retomaram o ritmo de crescimento e estabilizaram e há um relato da experiência muito bem sucedida na região de Taizhou.

Os números são impressionantes.  De novembro de 2019 para novembro de 2020, houve um aumento nas exportações da ordem de 21,1%.     E, mais, no acumulado dos primeiros onze meses de 2019 sobre o acumulado  dos primeiros onze meses (US$ 4,48 trilhões) de 2020, em plena crise da pandemia mundial, houve um incremento de 1,8%.  O salto parece ter acontecido no período setembro a novembro passado.

O jornal enaltece, em particular, o que aconteceu com as pequenas e médias empresas localizadas em Taizhou, província de Zhejiang.   Essas pequenas e medias empresas são aquelas que exportam até o teto de US$ 15,46 milhões. 

Eu verifiquei na wikipedia que a cidade de Taizhou tem 622 mil habitantes, a província de Zhejiang conta com 57 milhões de habitantes e fica distante 300 quilômetros de Xangai, a maior cidade da China, que tem 26 milhões de habitantes.

Pois esse polo empreendedor enviou ao Exterior um total de US$ 1,35 bilhão em mercadorias em novembro de 2020, representando um incremento de 49,6%, ou seja, recorde em valores brutos e em taxa de crescimento de exportações ao longo de 2020.

É interessante que esse polo empreendedor de Thaizou, em termos de desempenho trimestral, registrou queda de -20,3% no primeiro trimestre, avanço de 0,6% no segundo trimestre e, finalmente, um novo aumento, dessa vez de 1,9% no terceiro trimestre.  Eu percebi na leitura do texto que há ênfase em empreendimentos individualizados nos quais os executivos informam das suas interligações com o Exterior. 

Em pleno transição para o ano novo, a intensidade de trabalho em alguns setores – 24 horas diárias de produção para destino de cem países – evidenciava muito entusiasmo no mundo dos negócios.  Há um consenso local que as medidas adotadas para conter a covid19 e para promover obras e produção contribuíram para o momento atual da conjuntura econômica. 

Para encerrar, eu verifiquei também que houve uma mudança no processo de comercialização à medida que o contato direto entre as partes foi substituído pela substituição de uma plataforma com centenas de empresas para exposições e para negócios, ambos on line.   

Nesse contexto, criaram-se novos modelos e formas de negócios e um mecanismo de coordenação que abrange o planejamento das exportações, as liberações alfandegárias e os serviços de seguros de crédito.   Em suma, foi isso que eu assimilei do texto divulgado pelo jornal. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Livraria do Globo, na Rua da Praia

A Livraria do Globo foi fundada em 1883.  No começo do século iniciou atividades relacionadas à edição de livros e revistas.  A Revista do Globo (1929-67), uma sugestão do presidente estadual Getúlio Vargas, é uma das heranças culturais consolidadas no Rio Grande do Sul e no Brasil. 

Antes da pandemia e com alguma frequência eu visitava os sebos locais em busca de exemplares antigos da Revista do Globo.  No presente momento, eu tenho a edição de número 591, de 25 de julho de 1953, sobre a minha mesa de trabalho.

A propósito, eu convivo com um dilema em torno do destino que eu devo dar aos jornais e revistas em papel.  Quanto aos livros eu já tenho decisão tomada, mas com relação aos demais produtos em papel eu tenho muitas dúvidas.

Eu creio que jornais e revistas fazem às vezes de matérias primas para a elaboração de textos.  Livros são produtos prontos.  Há alguns anos eu enviei quatro mil livros para um destino em Passo Fundo aproveitando um caminhão que se encontrava com espaço disponível para tanto.

Agora, na idade que estou, julguei que eu deveria depurar também os meus estoques de jornais acumulados nos últimos 50 anos.  Mantive, apenas,  publicações que representam fatos importantes na política e na economia brasileira.  As demais, eu descartei.

Então de volta à Revista do Globo, ao número 591, eu confesso que vou passando página a página e sinto como se eu estivesse de volta aos tempos em que eu já estive. 

O editorial é identificado pelo título de SE O LEITOR SOUBESSE…  Passo à leitura do mesmo. O foco está centrado no encerramento da reforma ministerial de João Goulart, na forma como resolveu, parcialmente, a greve dos marítimos que foi criada por ele mesmo em homenagem à sua posse no ministério do Trabalho.

O editorial cita a declaração de Osvaldo Aranha que o Brasil vive em um pé só, o do café. e faz uma série de declarações, umas boas, outras más.   O texto analisa as mais graves das declarações.

 A seguir há referências a Ademar de Barros.  A propósito, eu já contei nesses 14 anos de blog que eu me criei brincando dentro do diretório do partido do Getúlio, à época do PTB.   Desde os sete anos, o diretório ficava trinta metros da minha casa.  Sempre aberto, uma mesa imensa à frente e cadeiras de palha ocupavam todo o espaço existente. 

Eu acompanhava, como menino, todos os comícios de blancos e colorados, do lado de Rivera, porque todos os meus colegas castelhanos eram muito ligados em política e eu aprendi a gostar para não ficar isolado da turma nas minhas aulas do lado de lá.

Então, eu, praticamente, adotei a figura do Getúlio tão logo eu deixei o o berço.  Aos 15 anos, eu era segundo tesoureiro do grêmio estudantil, no segundo grau, mas como a turma desistiu eu fui ficando e sendo promovido de cargo em cargo, até que chegou a Legalidade. 

Uma noite eu não dormi porque nós criamos uma resistência no CTG da cidade e passamos sendo treinados em dar injeções em laranjas porque o RS seria invadido.  De manhã cedo eu não aguentava mais de sono e um jipe me levou em casa.

Ora, chegar em casa em um jipe da prefeitura.  Não era para qualquer um.  Bati em casa, o meu pai abriu a porta e perguntou onde eu estava.   Eu respondi que nós, estudantes, estávamos prontos para tudo.  Ele encerrou o diálogo, abruptamente, dizendo que eu fosse dormir e que na manhã seguinte conversaríamos. 

Bem, nesse mundo em que Getúlio representava tudo, eu acompanhei as primeiras eleições presidenciais, a de 1955, em que os candidatos eram Juscelino, Juarez Távora, Adhemar de Barros e Plinio Salgado.  Eu tinha 11 anos.  Getúlio tinha se suicidado no ano anterior e agora era tudo com JK.

Eu acompanhava a apuração dos votos na frente do jornal A Plateia de Sant’Ana, que ficava a cem metros da minha casa na rua Rivadavia Correa, no centro da cidade.  O Jornal disponha na frente do prédio algumas imensas folhas de papel pardo com os resultados parciais. 

Pois o Ademar de Barros saiu na frente e tomou grande diferença.  Afinal, quem era esse cara de quem eu nunca tinha ouvido falar?  No diretório do Getúlio eu ouvia dizer que Ademar “roubava, mas fazia”.  O que era isso?

Juarez Távora? Plínio Salgado? Integralismo.  Eu lia sobre todos os assuntos no jornal Correio do Povo que eu ia buscar, todos os dias, na banca do Seu Madureira, que ficava localizada no Abrigo dos Ônibus, junto ao Parque Internacional.

Eram muitas coisas para uma cabeça tão pequena.  Adhemar ficou alguns dias na frente e eu fui obrigado a buscar informações sobre quem ele era. 

Um dia, a diferença diminuiu.  No Correio do Povo eu li que os votos de São Paulo tinham sido contados em primeiro lugar.  A partir daí, JK cresceria. Eu imaginava que no fim o candidato do finado Getúlio precisava vencer.

Bem, para encerrar o post, na citada Revista do Globo constava que Adhemar havia afirmado que estava chegando da Europa e que trazia 300 caixas de uísque, que lhe foram presenteadas por, nada mais, nada menos, que  Winston Churchill.

Livraria do Globo, criada por Laudelino Pinheiro de Barcellos e Saturnino Alves Pinto no distante 1883, Revista do Globo, fundada por José Bertaso, sugestão dele, Getúlio Vargas…  Só podia ser dele essa ideia, do gaúcho de São Borja, eu pensaria nos meus 11 anos.  

CHINA, O RETORNO À NORMALIDADE NAS RELAÇÕES COMERCIAIS COM O EXTERIOR E A EXPERIÊNCIA BEM SUCEDIDA EM THAIZOU

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