Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 14.01.2021, 12:10, 32 graus C, 55 % de umidade

Post 01.09.37

01 Internacional 09 Estados Unidos 37 número de ordem do post.

O mundo está atento ao pronunciamento do presidente Joe Biden.  Internamente, aumentam os boatos da ameaça de ataques armados nas capitais dos cinquenta estados norte-americanos até o dia 20.

Eu acredito que a primeira medida de Joe Biden deve ser de natureza política.  Ele deve partir para a harmonização com os parceiros tradicionais dos Estados Unidos e reverter o ambiente truncado dos últimos quatro anos de gestão Trump. 

A volta ao Acordo de Paris será o sinal mais evidente que o país voltará a participar das negociações internacionais em torno do clima.  Será necessário reverter as iniciativas do governo republicano e introduzir a nova pauta democrata. 

O pronunciamento do presidente poderá confirmar as especulações em torno do plano de estímulo à economia.  O impeachment aprovado na Câmara com o apoio de dez deputados republicanos pode tornar mais tenso o ambiente político até à próxima segunda-feira, dia da posse do presidente eleito.

Os investimentos em infraestrutura são, de longe, uma das iniciativas mais esperadas.  É possível que ele aconteça em dois tempos, um primeiro para honrar o compromisso de campanha, um segundo, mais completo e mais amplo, dentro de uma politica fiscal ajustada ao momento da crise econômica.

Certamente que a prioridade de Biden deve estar voltada para tudo que disser respeito à covid19.  Nessa fase da recessão da pandemia, as medidas aguardadas para a primeira hora do novo governo abrangem uma pauta densa.

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Ela deve abranger, entre outras medidas, a volta dos empréstimos às empresas às taxas máximas de 35%, a elevação do salário mínimo para US$ 15 a hora e a fixação de um patamar de perdão de endividamento de empréstimos estudantis ao governo de Washington DC.

Eu acredito que a recuperação da economia será demorada, independentemente de Joe Biden tomar o caminho certo e retirar as pedras que facilitem a passagem da economia norte-americana no rumo da retomada do crescimento  

Outro ponto que deve vir à tona no dia 20 é a estratégia de Biden para fazer frente ao impasse criado por Trump com o governo da China.  O governo republicano impôs tarifas sobre US$ 360 importados da terra de Xi Jinping. 

Todavia, como o governo de Beijing superou rapidamente a pandemia e retomou o crescimento, o receituário praticado por Trump foi um tiro no pé.   

A China passou a exportar equipamentos para trabalho remoto e para a área médica.  Essa é uma informação do site da Bloomberg, do dia 11.01, e o título da manchete é que os norte-americanos tiveram que pagar a conta da iniciativa unilateral de Donald Trump.

Os americanos passaram a importar de diversos países da Ásia desde 2016.   Mesmo assim, no período de janeiro a novembro de 2020, o déficit comercial dos EUA com a China avançou para US$ 287 bilhões contra um déficit de US$ 254 bilhões em 2016.

Bem tudo o que eu redigi faz parte daqueles antecedentes e daquelas especulações que os analistas estão configurando nesses dias anteriores a posse de Joe Biden.  Mais uma semana e será possível confirmar quanto do que constou nesse post será apresentado, oficialmente, após o dia da posse do novo presidente.

Boa tarde, leitor do blog  

FOTO ABAIXO:  URUGUAI, O QUE ELE REPRESENTA PARA MIM

A minha cidade natal, Sant’Ana do Livramento, foi criada em 1823 e o município em 1857. A primeira estação de trem do Brasil foi criada na minha cidade em 1912.  Ela ligava o Rio de Janeiro a Montevidéu e a Buenos Aires. 

Nos anos 30 era praticamente impossível viajar pelas estradas gaúchas.   O DAER, o Departamento Estadual de Rodovias,  foi criado em 1937 e a primeira rodovia pavimentada no Estado surgiu em 1941 entre a cidade do Rio Grande e a praia do Cassino, a atual ERS 734.   A ponte do Guaíba  veio mais tarde, em 1958.

Foi com esse pano de fundo que em 1944 eu nasci na fronteira com o Uruguai.  Dez anos depois, 1954, eu já tinha consciência que a população local vivia isolado do Brasil.   A gente sabia muito mais, e em detalhes, sobre a vida dos castelhanos do que acontecia no Rio de Janeiro, a Velhacap, a capital do país.

O Uruguai era considerado a Suíça sul-americana. Era um pais politizado.  A educação era extremamente qualificada. Afora às aulas do colégio convencional, tudo o de mais eu buscava no lado de lá da fronteira. 

Eu creio que isso acontecia porque a minha mãe era uruguaia e o meu pai, brasileiro, perdeu os pais ainda muito pequeno e foi levado e criado no interior do Uruguai.  A minha casa recebia muitas visitas de tios e primos vindos de Montevidéu, Tacuarembó, além daqueles que residiam em Rivera. 

Inglês, francês, artes, aulas particulares de matemática, física e química, cinemas, bailes, reuniões dançantes, a grande maioria das atividades eu praticava do lado de lá.  A única exceção corria por conta das amizades formadas no tempo de colégio.

Hoje, idoso, eu lembro desses tempos inesquecíveis e sinto muitas saudades dos familiares e amigos que foram ficando pelo caminho.   

Na minha memória eu creio que consolidei a imagem do uruguaio comunicativo, alegre, um tanto falastrão, recorrendo ao recurso da voz alta e muitas vezes polêmico por ser extremamente crítico.

OS PLANOS DO GOVERNO DE JOE BIDEN PARA O ENFRENTAMENTO DA PANDEMIA E DA RECESSÃO ECONÔMICA

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