Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 15.01.2021, 12:10, 32 graus C, 54 % de umidade

Post 02.01.21

02 Brasil, 01 Conjuntura 21 número de ordem do post.

Nessa sexta-feira o mundo contabiliza 93,4 milhões de infectados e dois milhões de mortes por covid19.  Os Estados Unidos lideram a corrida dos óbitos com 389 mil vidas perdidas, seguidas do Brasil com 207 mil vítimas e da Índia com 151 mil óbitos.

A comunidade internacional está ligada no que está acontecendo no Brasil.   Desde ontem a mídia está focada no Brasil, está focada em Manaus.   

Pesou para tanto a divulgação do relatório do Human Rights Watch.  A falta de oxigênio na capital do Amazonas acelerou, ainda mais, a preocupação com o que está acontecendo no país.

No site da NBC, consta a manchete que o presidente Bolsonaro sabotou esforços anti-covi19.  Diz mais, que horam sabotados os esforços anti-covid e foi minimizada a gravidade da pandemia. 

No site da BBC, consta que sem oxigênio recorre-se a ventilação manual para a sobrevivência dos pacientes em Manaus.  Diz mais, o governo promete oxigênio para a manutenção dos bebês prematuros por mais 48 horas. 

Eu passei o dia focado no que está acontecendo em Manaus.    Aparentemente a capital do Amazonas parece ter ocupado o centro mundial da pandemia.  Desde a época do Ministro Mandetta eu ouvia ameaças ao que poderia vir a acontecer no futuro em Manaus.

No ano passado as imagens de Manaus mostravam que a pandemia transbordou da crise crise hospitalar para a crise dos cemitérios.  Os enterros se davam durante o dia e a noite, sem a presença de parentes, utilizando-se para tanto de valas comuns.

As cenas que chegavam às salas dos brasileiros, em todos os recantos do país, eram retroescavadeiras se movimentavam em meio a empregados de cemitérios para identificar alguma cova vazia que estivesse disponível para levar adiante a tarefa de enterrar defuntos. 

Era um filme de terror.   Imagens do alto mostravam grandes espaços de terra ocupados milimetricamente por covas dispostas, lado a lado, algumas já ocupadas, mas outras tantos esperando pelos óbitos que aconteceriam nas próximas horas.

Dessa vez foi tudo diferente.  A crise se deu dentro das unidades hospitalares.  Os pacientes chegavam, mas os seus familiares já eram alertados que não havia equipamentos e meios sanitários em quantidades suficientes para proporcionar um tratamento digno aos seus entes queridos.  Simplesmente, na capital do Amazonas não havia ar para preservar vidas. 

Eu lembro que no início do ano de 1964, eu fui contratado para trabalhar numa loja da White Martins (WM), na cidade de Santa Maria.  A filial da empresa seria inaugurada em algumas semanas à frente. E foi preciso um processo de treinamento tal a quantidade de produtos, a especificação de rotinas e a integração da comercialização.

Havia um catálogo imenso de mercadorias que eram comercializadas.   Eu creio que eram dezenas, centenas de produtos, todos devidamente codificados, que iam de conversores a geradores, de eletrodos a pilhas, de produtos químicos à material de solda.

…   

Os tubos contendo oxigênio vinham da fábrica existente em Cruz Alta.  Eu trabalhava no faturamento e eu lembro que a empresa utilizava a classificação NP para os tubos de propriedade da WM e SP para os tubos de propriedade dos clientes.

Eu aprendi demais nos dois anos que trabalhei na empresa e só a deixei à medida que eu estava próximo de concluir o meu curso de Economia surgiu um convite para eu migrar para uma atividade no mercado de capitais.

Quando eu acompanhei tudo o que aconteceu em Manaus nessa sexta-feira, eu vi a todo momento os caminhões carregando tubos de oxigênio.  Vi, também, os bujões nas ambulâncias que chegavam para deixar pacientes nas unidades de saúde.

Pois é.  Tudo o que aconteceu em Manaus na metade do ano passado está se repetindo nesse início de 2021.   Todos estavam voltados para a vacina e o fim da pandemia, porém está acontecendo exatamente o contrário.

O avião brasileiro que viajou de Campinas para o Recife e ficou aguardando a tripulação para rumar para a Índia mudou o destino.  O governo brasileiro não havia combinado com o governo de Narendra Modi e as vacinas não estariam disponíveis nesse fim de semana.

O avião passou a realizar uma nova tarefa, transportar tubos de oxigênio para Manaus.  As vacinas que viriam da Índia vão ter que aguardar mais um tempo.  Hoje começa a vacinação de uma população recorde, 1,3 milhão de indianos.  Depois eles atenderão ao Brasil.  O quadro está difícil.  O ano de 2021 parece que será mais complicado do que o exercício de 2020. 

Eu pretendia escrever sobre a conjuntura econômica nacional, mas entrei no assunto da pandemia e não encontrei a linha para sair da falácia em que me envolvi.   Pior, o minotauro está à solta no labirinto criado por Minos e eu não tenho o perfil de Teseu.

Eu selecionei um assunto mais ameno para encerrar o post.  Como era a minha vida, nos fins de semana, na cidade mais quente que eu vivi, Houston, no Texas.

Boa tarde, leitor do blog

FOTO ABAIXO: LAZER EM HOUSTON

A Universidade de Houston (UH) é uma universidade pública norte-americana criada em 1927.  Eu cheguei à cidade numa noite de agosto, época de muito calor no sul dos Estados Unidos

Na primeira noite eu pousei na residência de um casal que exercia um cargo na Instituição e dois dias depois eu aluguei um apartamento nas proximidades do campus universitário.

Desde o início chamou-me a atenção da grande quantidade de estudantes que vinham do Exterior para estudar na UH.    Eu busquei informações na Wikipedia e constatei que a Universidade tem, hoje, 35 mil alunos.

Na condição de graduate student da Instituição eu senti, desde o início, a diferença entre o ensino local e o da América Latina.  Eu era professor na UFSM, havia obtido uma bolsa de estudos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e havia realizado toda a preparação para estudar na França.

Naquela época os alunos estudavam quatro anos de francês no segundo grau no Brasil e depois eu havia passado dois anos me dedicando totalmente ao idioma na Aliança Francesa.

Qual foi a minha surpresa quando a bolsa foi redirecionada para a América do Norte?  Eu ainda tentei reverter a situação, mas a informação que eu obtive da Instituição era que se eu fosse para Paris eu jamais voltaria ao Brasil.

Houve necessidade de um processo de  identificação de três universidades no Brasil.   Ao fim de toda a burocracia vigente eu fui estudar no Texas.  A carga de estudos era descomunal para a minha experiência de docente e para o meu retorno à vida discente. 

A sorte é que havia o fim de semana.  Um fato que me surpreendeu na universidade foi a presença da Igreja Batista em muitos interfaces da minha nova vida acadêmica.

 Sábados e domingos, nós, os alunos dos cursos mais variados íamos para locais de lazer.  A foto acima mostra um dos subgrupos reunidos e debatendo um tema específico.   Tudo era motivo de reunião e de muito debate.  Em alguns momento, eu me lembrava das atividades estudantis no Brasil à época da Legalidade. 

 

Todos tinham espaço para se manifestar.  Sempre no tratamento de um tema específico.  Eram horas muito produtivas pois havia o aperfeiçoamento do inglês e a discussão de um tema de destaque  internacional escolhido no momento do evento.

Eu cheguei nos Estados Unidos com uns oito anos de estudos no Instituto Cultural Anglo Uruguaio, mas o inglês na América era diferente.  O sotaque não era o britânico.  era outro e as pessoas tendiam a recorrer a um idioma com muitas expressões idiomáticas.   Ã medida que os dias foram passando a convivência foi ficando facilitada. 

Na segunda foto eu mostro a piscina em que utilizávamos às tardes dos fins de semana.  

Uns três dias de atividade intensa me dosaram a compreensão do inglês local e não encontrei dificuldades de acompanhar as aulas de economia na universidade.

Na terceira foto eu estou na piscina com colegas da Ásia.  Independentemente da diferenças na comunicação em inglês, saltava-me a aos olhos o perfil diferenciado dos estudantes vindos da Ásia.  Havia diferenças que iam da apresentação física às manifestações culturais. 

Um brevíssimo contato e eu conseguia identificar se o estudante vinha do Vietnã ou da China, da Coreia ou do Japão.   Aquela ideia que eu ouvia quando pequeno que a turma de lá é toda a mesma face mudou abruptamente no meu dia a dia com pessoas de credos e costumes distintos.

É muito assunto para escrever.  Paro por aqui porque amanhã é sábado e eu preciso identificar os assuntos do blog para o fim de semana.

MANAUS, NÃO ERA UMA GRIPEZINHA E NÃO HÁ VACINAS, MAS HÁ, ISSO SIM, UMA TORRE DE BABEL EM CONSTRUÇAO EM PLENA AMAZÔNIA

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