Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 23.01.2021, 12:10, 31 graus C, 55 % de umidade

Post 01.01.27

01 Internacional, 01 Economia Global 27 número de ordem do post.

Desde o dia 4 do corrente mês que eu não realizo um apanhado da conjuntura global.  Faço-0 hoje.   

Naquela oportunidade a última informação sobre a economia internacional dava conta que o desempenho do PIB mundial tinha sido de crescimento de 2,8% em 2019, uma queda abrupta de -4,4% em 2020 e que haveria um incremento de 5,2% em 2021. De lá para cá, os números do desempenho global mudaram muito pouco. 

Contudo, há mudanças expressivas para registrar nesse post.  Os Estados Unidos estão de cara nova, a China retomou o seu crescimento, o mercado financeiro encontra-se frente a um dilema de prosseguir na euforia ou observar uma correção iminente e a Europa está dividida entre a pandemia e a sucessão de Ângela Merkel, na CDU e, possivelmente, no seu governo.   As economias emergentes a tudo assistem, sem usufruir um poder de barganha.  

Os Estados Unidos voltarão às mesas de negociações?  É o que todas as lideranças internacionais esperam e eu me encontro entre aqueles analistas que também aguardam o retorno da maior economia do planeta a um cenário global com alguma estabilidade.   A pandemia é o desafio chave em qualquer diagnóstico da crise global.

As vacinas chegaram.  O que seria comemorado como um fato excepcional há três meses, deixou de sê-lo.  Há novas ondas do covid19 em picos mais elevados.  As vacinas não chegaram para todos.  A produção de insumos está concentrada em alguns países.  A logística tem se mostrado bastante complexa.   A eficácia tem sido amplamente questionada. 

Há vacina e vacinas?  Ninguém sabe o que alguns poucos podem saber.  As informações são difusas, dispersas, desencontradas.  A indústria farmacêutica surfa em uma onda de inovação recente, incompleta.   Das projeções de instituições tradicionais às previsões do terceiro milagre de Fátima, vale tudo.   Há um verdadeiro dégradé entre a agenda da ciência e a pauta da fé. 

Nesse sábado, eu creio que as perspectivas para o corrente ano deverão se constituir num período de máscara, de distanciamento e de algum confinamento.   A comunidade internacional deverá realizar as suas projeções levando em consideração que 2021 será um pouco mais de 2020. 

Os números da pandemia não cedem, não desaceleram.  O tsunami sanitário pode ser verificado nas estatísticas da Johns Hopkins University.  Abro o site do Coronavirus Resource Center e confirmo que há 98,2 milhões de infectados e 2,1 de mortes no mundo.

Os top 5 em óbitos são os Estados Unidos (414 mil casos), o Brasil (215 mil casos), a India (153 mil casos), o México (147 mil casos) e o Reino Unido (96 mil casos).   No dia da sua posse, Joe Biden sinalizou que os Estados Unidos devem chegar a 600 mil casos.   Ao mesmo tempo, o presidente propôs vacinar 100 milhões de pessoas nos EUA em 100 dias. 

Se essa projeção se confirmar será um sinal que nesse mês de janeiro 0 mundo está recém na metade da guerra contra o inimigo invisível.   

No Reino Unido circula a informação nessa manhã que a variante britânica da cepa da covid19 poderia estar associada a um nível maior de letalidade.   E, veja o leitor, que o Reino Unido já vacinou nove por cento da sua população. 

Na Polônia, que convive com governo ultraconservador, bares e restaurantes estão a desafiar a pandemia, não obedecem ao confinamento, mantém as suas atividades de rotina, servindo aos clientes que nem estão aí para o distanciamento necessário entre as pessoas.   Discute-se, isso sim, um passaporte sanitário que permita o deslocamento irrestrito do indivíduo.

A Alemanha, ao contrário da Polônia é um exemplo para o Velho Continente.   Angela Merkel tem norteado as decisões do seu governo com base no pragmatismo.  Pressupõe-se que ela manterá a estabilidade nesses tempos de crise. 

Afora o tratamento dado ao caso dos imigrantes no bloco, a chanceler dever preservar a racionalidade e seguir assim até a consolidação do processo de vacinação no país.  Merkel já faz parte de um processo sucessório, primeiro no seu partido, a CDU, depois no seu governo.   Nesse último passo eu reconheço que há dúvidas.  

Na CDU, na Christlich-Demokratische Union Deutschlands, a União Democrata Cristã, o partido conservador germânico, Merkel já começou a transição. 

Num primeiro momento, Annegret Kramp-Karrenbauer, 58 anos, conhecida como AKK, substitui Ângela na presidência da CDU em 2018, mas se exonerou em 2020, devido à crise política no coração verde do país, a Turíngia, localizada no Leste do país, um estado famoso também por estar associado às imagens de Johann Sebastian Bach, Johann Wolfgang von Goethe e MartinhoLutero.

… 

O porquê da crise?  AKK havia indicado um nome para primeiro ministro da Turíngia, mas as lideranças locais optaram por um político vinculado à AfD, à Alternativa para a Alemanha.   

 

O anúncio da demissão foi feito na manhã desta segunda-feira (10.02), numa reunião interna do partido, depois de no estado federado da Turíngia, no leste, a CDU ter ajudado a escolher para primeiro-ministro um membro da Alternativa para a Alemanha (AfD), desrespeitando as indicações de AKK.

Então, o impasse foi solucionado no dia 16 de janeiro do corrente ano com a escolha de Armin Laschet, 59 anos, ministro da Renânia do Norte Vesfália, para a liderança da CDU.    As notícias de ontem e que repercutem nesse sábado é se Laschet poderá vir a ser o sucessor de Ângela Merkel como chanceler?

Na Espanha, as reuniões de mais de quatro pessoas estão proibidas.   Sim, leitor, você leu corretamente, o veto é para aglomeração de, apenas, quatro pessoas.  Em Madri, o comercio e os serviços de hospedaria encerram às 21:00.  Ficou determinado que o toque de recolher acontece às 22:00 e há proibição de reuniões com visitas nos domicílios.

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Nesse momento do meu post eu voltei ao site da Johns Hopkins para verificar as diferenças dos picos da segunda para a terceira onda da covid19 na Europa. 

O gráfico mostra que no Reino Unido a terceira onda é muito superior à segunda. Muito, mesmo.   Na Espanha também a terceira onda é bem superior à segunda.  Interessante que na França e na Itália esse fato não acontece. 

Hoje, pela manhã, eu tomei conhecimento nos noticiários da Europa que a AstraZeneca informou que irá atrasar as suas entregas de doses de vacinas ao Velho Continente.   

Em outra fonte eu li que a mesma empresa vai cortar em 60% as suas entregas de vacinas.   Leitor, é muita alteração de última hora!  Esse assunto tem repercutido amplamente na mídia europeia.  Como a informação é recente, teme-se que a consequência da ausência da vacina possa levar a população a um cenário de “salve-se quem puder”.

Na oportunidade, eu conferi a situação do Brasil nas estatísticas da Johns Hopkins e verifiquei que o pico da primeira para a segunda onda é praticamente o mesmo.  Na verdade o problema do Brasil não é, propriamente, do avanço da pandemia, mas da interrupção da vacina que vai acontecer porque a quantidade que chegou ao país é pouca, mas é tudo.

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Dessa forma eu entendi o porquê da preocupação das autoridades sanitárias europeias estar em um patamar bem mais elevado do que qualquer outra região do globo.

Nos Países Baixos, a música Grow, um canto à esperança tomou conta da mídia europeia nessa transição da terceira para a quarta semana de janeiro.   O autor holandês Daan Roosegaarde destaca que em meio à pandemia é preciso ter presente a beleza que nos rodeia.

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Na verdade, Grow ocupa uma area de 20 mil metros quadrados enfatizando a beleza da agricultura.  Na filmagem, Grow é uma vista luminosa em um sonho.  Tendo um campo à frente, o expectador se depara com ondas de luzes roxas e azuis.

Até onde eu entendi, Daan Roosegaarde parte da noção científica que a luz artificial ajuda no desempenho e na resistência dos vegetais e transfere essa ideia para que as pessoas abatidas pela pandemia recorram à opção de plantar luz como esperança nesses tempos escuros vivenciado pela população do globo.

No contexto da Zona do Euro, os analistas perceberam a presença de um nacionalismo sanitário recente.   Alguns países estão procurando adquirir vacinas como uma iniciativa nacional, à margem do governo de Bruxelas.  A polêmica surgiu essa semana no âmbito do plenário do Parlamento Europeu.   

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A propósito da pandemia, o jornal The New York Times publicou um artigo sobre o futuro da Covid19.   O que diz o artigo assinado por Apoorva Mandavilli, 47 anos, uma jornalista norte-americana focada em ciências médicas ? 

À medida que os adultos estiverem vacinados o virus se tornará um mero resfriado.   A autora do artigo se baseou em um estudo publicado na Revista Science para firmar essa conclusão.   Por isso é preciso que a vacinação seja realizada imediatamente, segundo a coordenadora do estudo, Jennie Lavine, da Universidade Emory de Atlanta. 

O texto trata também das crianças que são desfiadas, sistematicamente, por patógenos que são inéditos para os seus corpos.   Nesse futuro, a única preocupação das autoridades estará relacionada à capacidade das crianças menores de cinco de fazer frente ao vírus.  Por que?  

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Porque o estudo mostrou que o primeiro contágio da covid19 acontece entre os 3 e os 5 anos.   A partir dai, pode haver contágio eventual, que só aumenta a imunidade, mas a pessoa não adoece.

Migro da pandemia para os mercados.   Ontem, o S&P 500 fechou em 3.841,47 pontos, uma variação de -11,60 pontos, ou seja uma queda de -0,30%.   O Nasdaq encerrou o pregão em 13.543, 06 pontos, uma variação de 12,15 pontos, ou seja uma valorização de +0,09.   Finalmente, o Dow fechou em 30.996,98 pontos com uma desvalorização de -0,57%.

Na semana da posse de Joe Biden, as variações dos três índices foram positivas.  No período de uma semana, o Nasdaq avançou 4,19%. o S&P 500 ganhou 1,94% e o Dow valorizou 0,59%.   

Vou ao site do New York Times e verifico que nos últimos 30 dias as valorizações alcançaram os patamares de 5,02% para o Nasdaq e 3,02% para S&P 500.  Nos últimos três meses as valorização foram bem maiores atingindo os níveis de 17,27% para o Nasdaq e 10.85% para o S&P 500. 

Finalmente, nos últimos doze meses, os rendimentos avançaram em 44.04% no caso do Nasdaq enquanto a valorização foi de 15,51% no S&P 500.   O quadro é de novas valorizações ou pode haver correção no curto prazo?  

Especula-se que alguma correção de 5,0% possa vir a acontecer porque as valorizações eram expressivas até recentemente.   Eu penso que para fixar posição em um processo dessa natureza é necessário acompanhar, mais um pouco, como serão os desdobramentos da nova política econômica do governo norte-americano.

… 

Paro por aqui.  As dúvidas são muito maiores do que as constatações que ser viram de base para o meu post nessa manhã de sábado.   

Dentre elas, como se dará a permuta entre os tributos que Biden pretende implementar e os tributos que Trump efetivamente cortou?  Valerá a promessa de Biden de tornar sem efeito a iniciativa dos primeiros dias da gestão Trump?  Tudo o que aconteceu em termos de desemprego levará a novas medidas de alívio para a economia?  A pandemia determinou o comportamento do desemprego, é de se imaginar que o pacote de estimulo resolva esse problema ou ele poderá vencer antes da retomada da economia norte-americana?

Tenho que me deslocar agora, em torno do meio dia até Campo Bom, aqui, na Região Metropolitana.  Volto a priorizar os textos do blog amanhã, bem cedinho, então, boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: LEMBRANÇA DA PARTICIPAÇÃO NA TV ASSEMBLEIA RS

Durante trinta dos quarenta anos em que exerci o cargo de técnico da Fundação de Economia e Estatística (FEE)  eu mantive uma agenda densa com a imprensa local.   

Eu fiz essa ressalva inicial porque a minha condição na FEE mudou a partir do momento em que me tornei assessor da professora Wrana Panizzi na presidência da FEE.  Isso aconteceu em 1989.   Até então, eu tinha uma vida relativamente tranquila. 

Wrana me agendou uma entrevista na imprensa e depois foi uma bola de neve que não parou mais.   Ela achava que a Instituição precisava uma transparência, ou melhor, uma interação maior com a mídia.  Com o passar do tempo eu percebi que ela tinha razão.

No final das quatro décadas eu começava o dia com seis compromissos diários junto à imprensa.  A pauta começava amanhã e terminava nos programas que começavam a meia-noite e tinham uma hora de duração.   

Eu lembro, em particular, o meu tempo de colunista do Jornal do Comércio.   Eu começava o meu dia às 06:00 porque tinha aula na UFRGS às 07:30 eu entrava na FEE às 09:00.   Para honrar o compromisso com o Jornal do Comércio eu precisei levantar às 05:00 e escrever um artigo de 4 mil toques em uma hora.   Essa, realmente, foi uma atividade que me exigiu bastante porque eu tinha que escolher o assunto, dispor das informações, redigir a coluna e encaminhar o texto à editoria da FEE. 

À medida que fui envelhecendo e me aposentei na FEE eu fiquei com um compromisso semanal no programa Espaço Aberto da TV Assembleia.   Eu resido a duas quadras do local.  Foram alguns anos em que eu fui entrevistado por alguns jornalistas.

A foto abaixo foi um mimo que eu recebi com o meu nome como participante constante do programa Espaço Aberto. 

Dentre os últimos jornalistas que me entrevistaram na TV Assembleia, eu cito a Daniela Sallet, o Carlos Hammes e o Antonio Czamanski.   Tudo que estava acontecendo da economia internacional à economia brasileira era assunto da entrevista.  A pauta focava nos fatos recentes mais importantes, mas ficava aberta para qualquer tema de última hora. 

Esse meu convívio com a imprensa foi notável.   Na minha videoteca, que está em fase lenta como uma decorrência da minha aposentadoria, eu tenho todas as minhas entrevistas em televisão e em rádio nesses quarenta anos. 

Eu coloquei uma ou outra dessas entrevistas no meu blog para fins de ilustração.  Seria impossível da minha parte lidar com 65 mil horas de imagens e dar um destino mais adequado a todo esse volume de imagens. 

A CONFIGURAÇÃO DE UM NOVO CENÁRIO GLOBAL CONCOMITANTEMENTE À VOLTA DOS ESTADOS UNIDOS À MESA DE NEGOCIAÇÕES

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