Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 07.02.2021, 12:10, 30 graus C, 51 % de umidade 

Post 01.03.28

01 Internacional, 03 União Europeia 28 número de ordem do post

Ontem, eu fiz um apanhado da conjuntura norte-americana nesse início de fevereiro.  Hoje, eu optei por bisar o título para a conjuntura europeia.  Eu creio que o leitor terá facilidade de estabelecer um paralelo de como eu estou analisando as duas economias simultaneamente.

Eu inicio esse post lembrando que o PIB da Zona Euro caiu -7,2% no ano passado, o ano do Grande Confinamento ocorrido no mês de abril.  Para o corrente ano, o World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial trabalha com a projeção de um crescimento do Produto da região em 4,2% (2021). 

Esse desempenho expressivo, em 2021, para os padrões do Velho Continente se justifica porque a base de comparação, que é o exercício de 2020 é muito frágil.   

… 

Já para 2022, o WEO projeta um incremento da ordem de 3,6% para o PIB regional.  Desde já eu imagino  que haverá uma redução nessas projeções no mês de abril próximo vindouro porque a economia está sendo profundamente afetada pelo Novo Confinamento.

A par do desempenho da economia, outro tópico que deveria merecer uma atenção especial das autoridades europeias deveria ser a estabilidade de preços.  De forma recorrente eu tenho escrito sobre o objetivo do FED de buscar a meta da meta da inflação de 2,0% ao ano.  Do lado do BCE eu não vejo a mesma frequência de análises na mídia.

Também não é para menos.  Em 2019 o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Zona do Euro foi de apenas 1,2% ao ano.   A desaceleração global estava muito presente no desempenho da economia europeia.   A pandemia chegou e o IPC foi de 0,4% em 2020.  Nesse contexto houve vários meses de IPC negativo. Para o corrente ano o WEO do FMI projetou IPC de 0.9% (2021).  É a realidade do Velho Continente.  Não há o que fazer.  No mínimo, por enquanto.

Nesse sábado, eu paro e verifico que essa foi uma semana de resultados positivos para as bolsas europeias.  O índice FTSE MIB, O Milano Indice di Borsa, o índice de referência do mercado de ações da Bolsa Itália, avançou 7.00% nos últimos sete dias.   Um incremento digno de registro!

Outros incrementos expressivos aconteceram no mesmo período, como foram os casos dos índices IBEX da Espanha que registrou incremento de 5,89%, do EUROSTOXX, o índice da bolsa formado por 50 ações da Zona Euro, (5,01%),  do CAC da França (4,82%), do DAX da Alemanha (4,62%), enfim todos mantiveram valorizações acima daquelas alcançadas pelo S&P 500 dos EUA, que registrou um avanço de 4.56% na semana.

Bem, enquanto os investidores regionais mostram essa face da Europa, no “centro do poder” os alemães mostram-se preocupados como  honrar o compromisso com a dívida de 103 bilhões de euros gerada para fazer frente à crise sanitária.   A crise levou as autoridades a deixarem de lado a obediência ao deficit zero.  Há consenso que é impossível manter discurso de austeridade com a população carente de vacinas em ano de eleições. 

Mesmo assim, o governo de Angela Merkel pretende utilizar recursos existentes para antecipar uma saída do impasse dos gastos excessivos, na verdade déficits recordes em 2020 e em 2021. É preciso fazer caixa e para tanto a oportunidade que se abre ao governo de Berlim é vender participações em empresas.   Tudo dentro de uma estratégia com propostas progressivas. 

Quando eu busco uma opinião balizada sobre o processo de recuperação da economia regional eu percebo que Christine Lagarde, a presidente do Banco Central Europeu continua norteando as suas decisões dentro de uma retomada de 4,0% no PIB  em 2021 e uma normalização da economia em 2022. 

O plano do bloco europeu para enfrentamento da crise foi oportuno.  É preciso fazer frente ao endividamento gerado pela economia do confinamento, mas não é possível descartar o endividamento com as autoridades monetárias europeias.  A legislação vigente não permite tal decisão.

O que me chamou a atenção é que a economista não acredita na formação da bolha imobiliária, uma posição convergente para uma interpretação vigente entre analistas europeus que identificam um processo de resiliência setorial em alguns países do bloco.

A outro ponto ligado à percepção de Lagarde que merece uma observação.  Ela parece crer numa saída orquestrada dos auxílios emergenciais concedidos e os avanços expressivos da vacinação até o início de abril. 

Eu confesso que não consigo visualizar essa consolidação de um cenário promissor até o início do segundo trimestre.  Eu também tenho identificado outras fontes que enxergam a recuperação para o início do terceiro trimestre.  Por enquanto, cabe-me, apenas, registrar e  conferir tantas especulações. 

Um tema recorrente na mídia do Velho Continente é a redução na carga semanal de trabalho.   Migrar de cinco para quatro dias úteis de trabalho.  Eu acho que a crise cria as condições para a implementação de uma medida com esse perfil.  O problema é que ao erguer essa bandeira os seus defensores almejam reduzir em uma quinta parte do seu valor semanal. Haveria espaço para uma negociação coletiva dessa natureza?

Encerro aqui.  Um bom sábado para todos os leitores do blog.  Há muito futebol para assistir nesse fim de semana. É uma boa opção para quem gosta de futebol.  Os jogos de vôlei, feminino e masculino, também estão em um nível elevadíssimo.   Boa tarde, amigos!

FOTO ABAIXO:  A EQUIPE DA ALTA ADMINISTRAÇÃO DA UFSM DOS ANOS 60

Até onde eu lembro bem, a foto abaixo decorre de algum evento relacionado à alta administração da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).    

Na imagem a seguir constam, da esquerda para à direita os funcionários, ou servidores, Colbert, Blaya Peres do Departamento de Integração, Gilberto do Departamento de Material, eu, e o Carlinhos do Departamento de Pessoal. 

Sentados, na mesma ordem, o primeiro eu não consigo identificar, no centro o Hélio Silva que era Diretor do Departamento de Contabilidade, um professor e autor muito conhecido de livros de Administração que visitava a reitoria naquela oportunidade e cujo nome eu não recordo, o  Professor Luiz Gonzaga Isaia, Diretor Geral do Departamento de Administração Central (DAC) e José Basílio, Diretor do Departamento de Engenharia da UFSM. 

Eu estive na equipe da administração da Instituição  a partir de 1967 na condição de assessor econômico do Diretor Geral do Departamento de Administração Central da Universidade,

Eu era economista do DAC nos expedientes da manhã e da tarde.  À noite eu era professor de Teoria Monetária na Faculdade particular dos Irmãos Maristas, uma unidade agregada à universidade federal.  A seguir, eu migrei da faculdade particular para o Departamento de Ciências Contábeis da Universidade Federal. 

Eu penso que a faculdade particular foi extinta progressivamente à medida que um curso de Economia foi criado na instituição federal, onde eu assumi a disciplina de Microeconomia.   Foi amor acadêmico à primeira vista.   A dificuldade correu por conta do tamanho do desafio. 

Deram-me os quatro livros de Teoria Econômica, de autoria do então engenheiro Mário Henrique Simonsen, para utilizar em sala de aula.   Nos anos seguintes eu prossegui no cargo na Administração central durante o dia e na atividade docente no expediente noturno. 

Esses quatro livros foram de extrema importância para a minha formação porque onde quer que eu estivesse estudando no Exterior eu coloquei os métodos matemáticos como a minha prioridade maior.   E, foi assim, que eu concentrei os meus estudos em Econometria nos Estados Unidos.  

Era muito gratificante a atividade que eu realizava no prédio da reitoria da UFSM.  Mariano da Rocha era um exímio gestor da educação.  Havia um desenvolvimento exemplar da área acadêmica ao mesmo tempo que as obras eram de grande monta. 

Camobi, o campus da Universidade era um local em construção.    Eram muitos prédios sendo levantados ao mesmo tempo.   Eu lembro que a cada ida ao bairro, havia muitos locais para visitar e conferir as realizações previstas.  

Paralelamente, havia uma instituição, ASPES se não me falha a memória, que trabalhava totalmente voltada para a UFSM.  Entre outras atividades ela dispunha de uma pedreira, de uma olaria e de uma marcenaria.  Era muita atividade convergindo para construir um grande campus.

Quando eu lembro dessa época parece que estou vendo o Dr. Mariano sempre com ideias mil.  Havia, sempre, muita gente à sua volta para tornar realidade o que aquele grande educador pensava sobre o futuro do país.

UM APANHADO DO MOMENTO DA CONJUNTURA EUROPEIA NESSE INÍCIO DE FEVEREIRO DE 2021

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