Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 12.02.2021, 12:10, 29 graus C, 59 % de umidade 

Post 01.09.46

01 Internacional 09 Estados Unidos 46 número de ordem do post

Eu vinha escrevendo com relativo otimismo com relação à economia norte-americana.  Eu sentia eco do que eu pensava acessando o site de instituições multinacionais que apresentavam projeções otimista.  Eu estava focado no novo governo de Joe Biden e de toda a equipe que ele trouxe para a Casa Branca e que apenas confirmavam a minha impressão que nada poderia ser pior do que o final da gestão do governo republicano.

O Panorama Econômico Mundial do FMI, de 07 de outubro do ano passado, trabalhava com uma queda do PIB dos Estados Unidos de -4,3% em 2020 e um incremento de 3,1% em 2021.   O nível de emprego continuava alto para quem conviveu com pleno emprego até recentemente. 

No documento do Fundo consta uma taxa de desemprego de 8,9% (2020) e 7,3% (2021) para os EUA.  O que me parecia um problema era o comportamento do Índice dos Preços ao Consumidor.  A taxa de inflação que era de 1,5% (2020) estava projetada para 2,8% (2021).  

No Panorama Econômico Mundial do FMI de janeiro do corrente ano, houve uma atualização das projeções do desempenho e a queda do PIB foi menor que a previsão anterior de -4,3% (2020) ficando em em -3,4%.    Já para o presente exercício o incremento de 3,1% (2021)  foi elevado ainda mais, para 5,1%.

Então desse referencial acima eu lembro de ter escrito uns três posts sobre a preocupação das autoridades monetárias quanto a projeção do IPC da ordem de 2,8% (2021).   O FED e outras autoridades nacionais estão focadas na meta de 2,0% para a inflação, ou, as vezes, admitem alguma oscilação em torno dessa metas, mas ela permanece nos 2,0%. 

Quanto ao PIB, a história me parece ser outra.  Esse incremento de projeção de 3,0% (2021) para 5,1% (2021) era, até aqui, algo extremamente promissor.   Quantas vezes eu tratei do otimismo nas bolsas?   Foram muitas.  Sempre eu buscava explicar o que estava por trás desses ganhos. 

Aí, surgiu a história da Bolha. Eu escrevi um post sobre o assunto no dia 24 de janeiro deste ano.    Naquele dia eu produzi uma verdadeira catarse.  O termo bolha já tem uns dez anos de acompanhamento de minha parte.  Quando ele surge na mídia, eu dou sinal de alerta, paro tudo e ponho a ideia no papel.

Naquele dia eu vi uma manchete com aquele título, A Bolha.  Foi o que bastou para eu me dedicar o tema. A bolsa da Rússia estava correndo à frente das demais devido à presença de três vacinas para combater a Covid19?   Três vacinas?  Mas a maioria dos países não tem sequer uma.  E mais, a capacidade de produzir vacinas está aquém da demanda mundial.  Era muito otimismo concentrado e as bolsas andavam nas nuvens.

Bem eu escrevi sobre a matéria e procurei esquecer o que tinha acontecido.  Escrever sobre conjuntura é como andar nas selvas e procurar indícios de bons presságios ou de ameaças iminentes.   Os dias passaram e, de repente, a bolha surgiu de novo.  Seria a mesma bolha anterior sobre a qual eu já havia escrito?

Que nada, era uma nova bolha, devidamente embalada, nas mãos de um prêmio Nobel de Economia.  Foi preciso parar.  A seguir, dar o alarma.  E mergulhar no assunto. 

Na verdade, dessa vez eram Três Bolhas.  Não eram poucas cosias  Eu escrevi, então um artigo no dia 05 de fevereiro.  A origem estava numa entrevista de Robert Schiller, prêmio Nobel de Economia de 2013.   Indagado pelo jornalista do La Vanguardia, de Barcelona, se havia uma bolha ele respondeu que havia três bolhas.  Como?

O economista afirmou que havia bolhas em três ativos distintos.  Elas estavam presentes no comportamento dos bônus de longo prazo, nas ações e nas habitações.  Ele as via, ao mesmo tempo, no caso da economia norte-americana.

Na edição virtual de ontem do jornal El Economista eu li a manchete Wall Street enciende las señales de pánico para una corrección inminente. 

Na verdade, o que o autor da matéria destaca no texto tem a ver com a entrada em massa de pequenos inversores no mercado.  O leitor lembra da frequência na mídia da plataforma Robinhood na semana passada? 

E o autor complementa que se os pequenos surfam na onda da bolsa a tendência é que o solo desapareça aos seus pés. E assim, as negociações crescem ininterruptamente. E a ameaça é que os níveis superarão os patamares de 25 de março do ano passado, mais precisamente, à época da pandemia.   

Enfim, é essa correção que parece estar gerando preocupações de que ela possa ocorrer em algum momento à frente.  Então, 2021 irá repetir 2020 em termos de correção? 

Está feito o registro.   Boa tarde leitor do blog!

FOTO ABAIXO: MUSEU DE HISTÓRIA DA MEDICINA DO RIO GRANDE DO SUL

Quem sobe a Avenida Independência, número 270, bem próxima ao centro de Porto Alegre, se depara com um prédio histórico de grande beleza.  Trata-se do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul.

Eu estive no local pela primeira vez quando era a sede do Hospital da Beneficência Portuguesa.  Isso aconteceu nos anos 70, creio eu.   O meu pai devia estar na casa dos 70 anos.  Foi a primeira vez que eu vi o meu pai enfermo. 

Se eu lembro bem ele apresentou alguma dificuldade para caminhar e foi submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal.  Eu o acompanhei ao local e recordo que ao ser internado no hospital, um servidor da casa me disse que o cardeal Dom Vicente Scherer havia ficado naquele mesmo quarto.   

A impressão que eu levei daquela estada no local foi de um prédio muito antigo.  Eu estive com o meu pai até a hora da noite que era permitida a permanência das visitas.  Realmente, uma casa de saúde, à noite, há mais de 50 anos não era um lugar de entusiasmara a quem quer que seja.

Outro fator que me marcou naquela oportunidade foi a iluminação da casa.   Eu penso que as luzes eram amaralas no passado e em um certo momento surgiram as lâmpadas brancas.  Fui ao Google tirar a dúvida. 

Luiz amarela, que traz aconchego, é considerada luz quente enquanto que a luz branca que implica atenção é luz fria, recomendada para cozinha e escritório.

Naquelas noites que eu estive no hospital a iluminação amarela não me pareceu representar aconchego.  O ambiente de gente doente com luz amarela, fraca, me deixou com uma impressão de agrura, de melancolia.   

Tanto que até hoje eu recordo eu caminhando pelo hospital passando pelos quartos onde os doentes estavam em um ambiente que me pareceu mais para penumbra que outra coisa.   Talvez seja um exagero da minha parte, mas eu era um tanto jovem naquela época.  Lamentavelmente foi a imagem que ficou comigo até hoje.

Há muitos anos, nos anos 60 eu viajei pelo nordeste e me hospedei num hotel nas proximidades do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso.  Era um hotel bastante modesto e com a iluminação muito fraca.  Eu estava entusiasmado por chegar ao lugar onde havia aquela grande obra de infraestrutura, mas eu recordo que a hospedagem me deixou um tanto frustrado. 

Nos anos 70, quando eu acessei a Beneficência Portuguesa, a primeira imagem que em veio à memória foi o tal hotel de Paulo Afonso.    Quando eu entrava no quarto onde o meu pai estava em recuperação eu sentia uma certa pena dele porque ele era uma pessoa dinâmica, objetiva, bem humorada na maior parte das vezes, exigente, mas sempre pronto a ajudar e, de repente, ele estava imobilizado numa cama numa escuridão de dar dó.

Anos depois, eu creio que foi no final do século passado, eu voltei ao local.  Nem parecia o mesmo lugar.  Tudo era muito claro, muito iluminado e as pessoas me pareciam que carregavam felicidade consigo.  A minha mente registrou aquela imagem porque até hoje eu lembro de andar pelos corredores do hospital como se eu estivesse sempre com iluminação de luz fosforescente incrivelmente branca.    

Bem, mas o que foi antes não é mais agora.   Agora o prédio se transformou em um museu.  Um museu em cima de uma obra histórica que me faz voltar ao ano de 1845.  Segundo li, os portugueses aqui residentes procuraram criar hospitais onde residissem patrícios seus.  A ideia foi bem aceita pelos governantes, mas não prosperou porque o Partido Restaurador, que abrigava os portugueses, estava em baixa no fim da Revolução Farroupilha. 

Dez anos mais tarde, concomitantemente ao falecimento em Portugal de Dona Maria II, irmã de Dom Pedro II, houve ambiente para a ideia ser retomada.  E assim, em 26.02.1854, portugueses reunidos na Santa Casa fundaram a Sociedade Beneficente, uma iniciativa que congregava 557 pessoas, com um fundo de 5,92 mil contos de reis e que era protegida pelo Rei de Portugal, Dom Fernando II.  

Inicialmente a nova entidade funcionou na atual rua Coronel Genuíno, mas rapidamente se percebeu que era preciso um prédio maior.  O local atual foi doado por portugueses, a pedra fundamental foi lançada em 29.06.1867 e inaugurada em 29.06.1870.  

Tudo foi realizado por profissionais extremamente competentes.   A fachada reflete a arquitetura colonial e o embasamento, a escadaria da entrada, os arcos, as pilastras, as sacadas e os escudos de Portugal e Brasil são de 1868.

Passaram-se muitos anos e aquela parte do prédio se transformou em Museu.  Uma iniciativa do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS), ele funcionava na Avenida Ipiranga e migrou para a Avenida Independência em 18.10.2007

Eu li no site da Wikipédia que o Museu tem como objetivos básicos “a constituição de acervos, velando por sua conservação, organização e divulgação, além de buscar promover e incentivar a pesquisa sobre a história médica do estado”.  Tomei conhecimento também que o seu acervo é de nove mil itens distribuídos em três seções, museológica, arquivística e bibliográfica.   

Sem dúvida alguma, todo o gaúcho deve se orgulhar da obra original e do museu, uma grande iniciativa do SIMERS.  Você, leitor, já conhece o MUHM?

UMA CORREÇÃO EM WALL STREET?

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