Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 17.02.2021, 12:10, 29 graus C, 61 % de umidade 

Post 01.09.47

01 Economia Internacional 09 Conjuntura global  47 número de ordem do post

Em tempos de crise global toda informação pertinente interessa ao analista.  Ela é ainda mais importante dependendo da fonte.  Quando a origem é o FED e quem a firma é Jerome Powell é preciso atenção redobrada para interpretar a atenção do conteúdo publicado.

Pois hoje eu abri o site do FED e me deparei com um texto de Jerome Powell, intitulado  Voltando a um mercado de trabalho forte e que foi apresentado, por via remota, no Economic Club de Nova York.

Jerome Powell se propôs a discutir a conjuntura no mercado de mão de obra.  Para tanto ele deixou evidente que iria realizar a sua analise em um período dado.  Ele elaborou toda uma descrição do que ele entendia por mercado de trabalho forte, ou seja, as condições para que tal situação se concretize.

O chairman reconheceu que o mercado de trabalho dos Estados Unidos estava muito distante dessa situação.   Então, para se chegar até la era preciso contar com uma política econômica de curto prazo e de uma promoção de investimentos de lo go prazo.  Dessa forma o trabalhador que buscar emprego disponha de habilidades e de oportunidades para um engajamento no processo de prosperidade. 

O roteiro elaborado por Powell me pareceu cirúrgico, preciso.  Tudo porque ele fez uma comparação entre o mercado de trabalho de um ano atrás com o mercado de trabalho atual.  Ora, antes da pandemia os estados Unidos conviviam com pleno emprego e agora a recuperação é extremamente lenta.  Ou pior, incerta.  Quando a pandemia chegou, o pleno emprego que era a âncora de Donald Trump se soltou e contribui, na minha percepção, para a sua derrota nas eleições de novembro.  

Na explanação, Powell analisa o pleno emprego de fevereiro de 2020.  Na ocasião, Trump estava ancorado na taxa de desemprego de 3,5%, a mais baixa desde os anos 70.     O Chairman compara com a taxa de desemprego dos últimos cinquenta anos, mas eu abri o gráfico que acompanha a palestra e percebi que ele compara a taxa de desemprego no mercado de trabalho com a taxa de desemprego dos afrodescendentes.

O pico da diferença entre as duas taxas de desemprego aconteceu na recessão da economia do biênio 1981-82.  Desde então, ambas vinham recuando mas na Grande Recessão de 2009 elas voltaram a se distanciar. 

Depois disso, a diferença caiu mais uma vez até que a taxa de desemprego se encontrasse em 3,5% e a taxa de desemprego de afrodescendentes alcançasse níveis acima de 5,0%  em fevereiro de 2020.  Havia desemprego abundantes nessa oportunidade, destacou Powell.

O chairman relatou que durante o segundo semestre de 2019, o FED promoveu o FED LISTENS, em quatorze eventos, quando foram ouvidas lideranças dos mais diversos segmentos do mercado de trabalho.  Isso aconteceu durante um período em que os avanços dos salários eram moderados, mas eram maiores nos segmentos de salários mais baixos.

Embora a economia se recuperasse após a Grande Recessão de 2009 provocada pela crise financeira global, houve queda na taxa de participação da força de trabalho em idade produtiva.  E mais, em 2015, essa participação chegou ao patamar mais baixo em três décadas.  E, ainda mais, grande parte dessa queda se concentrou na população sem curso superior. 

Por fim, no que diz respeito ao mercado de trabalho até fevereiro de 2020, e contrariando o que os analistas temiam que a globalização e as mudanças tecnológicas reduziriam em definitivo com as oportunidades de emprego para os menos qualificados, não se confirmou.  Na verdade, no  inicio do ano passado a participação inverteu o seu comportamento e os incrementos aconteceram em pessoas sem diploma universitário. 

Na segunda parte da sua entrevista, Powell tratou do mercado de trabalho recente.   Ele destacou que houve uma recuperação forte no início, mas tudo permaneceu muito distante daquele mercado de pleno emprego com benefícios compartilhados.

De fevereiro de 2020 para janeiro de 2021 perderam-se dez milhões de empregos nos Estados Unidos.  Isso significou que no pior da pandemia, em abril de 2020, a taxa de desemprego alcançou o patamar de 1,48%, e passou a cair, atingindo o nível de 6,3%, em janeiro de 2021.

Powell disse que durante a crise sanitária houve publicações sobre a taxa de desemprego, mas que elas subestimaram a real deterioração dos números no mercado de trabalho.  A situação foi tal que 

 

Mais importante ainda, a pandemia levou ao maior declínio em 12 meses a referida participação da força de trabalho desde pelo menos 1948.  Nesse contexto, os restaurante, os hotéis e os locais de entretenimento foram os mais afetados pelas perdas dos empregos por causa do receio da covid19.

Powell citou o casos dos pais que migraram do mercado de trabalho para atendimento dos filhos em função da escolaridade virtual.   Esse número foi expressivo.  Um total de cinco milhões de pessoas deixaram de procurar trabalho por causa da pandemia.

Ao todo, quase 5 milhões de pessoas afirmam que a pandemia as impediu de procurar trabalho em janeiro.  Nesse ambiente de excepcionalidade houve casos de classificações errôneas – desempregados eram classificados como empregados – por parte do Bureau de Estatísticas do Trabalho.

Quando eu li o pronunciamento do titular do FED eu achei que a observação sobre o órgão de estatísticas era marginal.   Muito pelo contrário, o número de janeiro, taxa de desemprego de 6,3%, estaria no patamar de 10,0%.  Confesso que fiquei impactado com essa observação.

Boa tarde leitor do blog!

FOTO ABAIXO: AS FLORISTAS DA PRAÇA DO ROSSIO, LISBOA, 1968

A praça do Rossio é o centro de Lisboa.  Foi a impressão que eu fiquei do tempo que eu estudei na capital portuguesa. Tudo me parecia convergir para o local, qualquer que fosse o meio de transporte que trouxesse o passageiro para a Baixa, para o centro da cidade. 

Eu residia na Avenida Almirante Reis, uma grande avenida que levava o turista do aeroporto ao centro. Havia uma outra avenida, a Gago Coutinho, que era uma espécie de continuidade da Almirante Reis.  Eram duas avenidas importantes. 

Eu caminhava não mais do que seis quarteirões para chegar da minha residência ao Rossio.  Eu lembro que eu saia de casa e caminhava lentamente pela avenida.  Havia um hospital no meu percurso e passavam ambulâncias com o ruído do alarme nas alturas.   

Na parte superior da fotografia que eu bati está o elevador de Santa Justa, uma obras inaugura em 1902, que permite que todo o lisboeta se desloque na Baixa à Alta.   Acessando a esse meio de transporte, o passageiro consegue se deslocar da Rua do Ouro à Rua do Carmo, no Chiado. 

Abaixo estão as floristas, dia inteiro oferecendo bouquets a todo transeunte que possa se tornar cliente do seu produto.   Elas dão um toque especial à praça desde as primeiras horas de um novo dia.   Eu apreciei demais o Rossio, a praça e as flores no tempo que lá estive nos anos 60.

JEROME POWELL, CHAIRMAN DO FED, E O MERCADO DE TRABALHO NOS ESTADOS UNIDOS

Deixe uma resposta