Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 18.02.2021, 12:10, 28 graus C, 58 % de umidade 

Post 01.14.10

01 Internacional 14 Argentina 10 número de ordem do post

Desde que eu comecei a acompanhar a conjuntura econômica da Argentina há cinquenta anos eu me deparei com um país em crise. 

Quando tudo começou para mim, há décadas, já havia um século de crises na Argentina.  O fato de escrever para uma revista publicada em Buenos Aires me levou a estar atento a tudo o que acontecia nas dimensões política, econômica e administrativa daquele pais.

A dimensão política significa que eu estava atento aos pactos políticos que davam sustentação a quem se mantinha no poder.  A dimensão econômicas implicava estar atento ao desempenho da economia – crescimento ou recessão – e à estabilidade da economia – inflação ou deflação.   A dimensão administrativa dizia respeito à política econômica do país – monetária, fiscal, cambial e de rendas. 

Durante os meus quarentas anos de FEE, a demanda da mídia sobre economia argentina era tanta que havia momentos em que o meu tempo era bastante ocupado com o que acontecia no país vizinho.   Houve uma época em que eu recebi jornalistas argentinos para fins de entrevistas.

Nos meus tempos de FEE eu creio que o momento em que me senti mais ligado à crise argentina aconteceu quando eu  participei de um programa de televisão em que eu havia um entrevistado na Europa, outro nos Estados Unidos, Domingos Cavallo em Buenos Aires e eu na Praça da Alfândega em Porto Alegre.

A produção do programa foi tal que o telespectador que assistisse em casa tinha a impressão que nós estávamos todos juntos em um mesmo lugar e tratando do mesmo assunto.  Eu guardei a cópia do programa na minha videoteca porque foi uma das atividades importantes que realizei na minha fase de FEE.  

Nesses cinquenta anos que eu monitorei eu vi a Argentina enfrentar o Reino Unido na Guerra das Malvinas, o fim dos governos militares e a transição em duas etapas, a política com Raul Alfonsin da União Cívica Radical (UCR) e a econômica com Carlos Menem, falecido nessa semana, do Partido Justicialista, do Peronismo.   

Eu vi a hiperinflação, a âncora cambial, as solércias com o FMI, a moratória unilateral, o calote, o default, a quebra, o Plano Brady, as crises sucessivas, o nacional desenvolvimentismo, a perda do bonde da historia, a maquiagem, os fundos abutres, a desesperança, Cristina Kirchner e Maurício Macri.

Eu vi a recessão, a superinflação, Alberto Fernández, a pandemia, a surpreendente participação do Papa Francisco, o seminário com o FMI no Vaticano, a inesperada parceria com Kristalina Georgieva (FMI), a espantosa renegociação da divida externa argentina e o passivo de dúvidas quanto ao futuro.

Amanhã começa um novo capitulo na economia e, porque não dizer, na história da Argentina.  A ideia e boa.  Alguns países já a colocaram em prática.  Eu lembro que escrevi um post recomendando-a para o Brasil.  Eu me refiro ao fato de um país recorrer a um grupo de especialistas renomados para um trabalho de assessoramento a um governo.

É o caso específico da Argentina.  Se há tantas dúvidas com o que há de vir, cabe pensar em trazer celebridades para fazer um entorno ao presidente?   É possível que essa iniciativa contribua para que o presidente possa transformar o que sobrou num Fênix?

Bem, mas o que vai acontecer amanhã?  Alberto Fernández vai criar o Conselho Econômico e Social (CES).   Gustavo Berliz,  titular da pasta de Assuntos Estratégicos será o presidente do CES.  Participarão do novo órgão representantes de todos os segmentos da sociedade.  Qual o objetivo do CES?  Priorizar o planejamento de médio e longo prazo,

Mais alguma coisa sobre o CES que mereça ser citado nesse fim de post?   Sim o Conselho vai trabalhar em áreas específicas e emitirá  recomendações sobre produtividade, trabalho, meio ambiente, dimensão social e ordem institucional.  

Vou acompanhar de perto tudo o que a mídia divulgar sobre o evento e volto ao assunto em breve.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: A DIFICULDADE PARA O RETORNO À NORMALIDADE 

A foto abaixo é do antigo abrigo dos bondes de Porto Alegre.  Era a época da normalidade plena da economia.  Em fevereiro de 2020 tudo mudou. Os meses passaram e a pandemia assumiu o protagonismo. 

Desde então a cidade murchou.   Custei a acreditar, fui até o abrigo e realmente os frequentadores do local pareciam ter se recolhido.  O confinamento durou pouco e a cena tomou a sua forma original.  Depois, a pressão da mídia e o avanço da covid19 fez com que o cenário alternasse.  Hoje, eu parei com as andanças e nem sei como está a imagem local.

Por tudo o que vejo e leio, no Brasil e no Exterior, a crise sanitária reina absoluta.  No Velho Continente o confinamento é ordem do dia; no Novo Continente, é parte da desordem do dia.  

Está difícil imaginar quanto  tempo será necessário para a sociedade volta à normalidade?  Os números da pandemia prosseguem em alta.  A utilização da infraestrutura de saúde cresceu com avanço da covid19. 

Independentemente das causas próximas – aglomerações, férias, praias, carnaval – parece que o cenário se torna cada vez mais difícil de apresentar projeções confiáveis a médio prazo.

Hoje pela manhã eu tomei conhecimento que é preciso aguardar muitos, muitos  pares de horas para que o paciente possa ser atendido em suas necessidades imediatas de saúde.     

Eu vou ao site da Johns Hopkins University e constato que nas próximas horas o mundo vai contabilizar 111 milhões de casos e 2,5 milhões de óbitos.  É gente doente por todos os lados. 

“Quem poderá nos salvar” de tamanho desastre?  Por favor, que não se apresente como o Chapolin Colorado!!! Estou escapando lindo da gincana sanitária até agora. 

Eu tomei uma cerveja em toda a minha vida.  Também abandonei os refrigerantes há muito tempo.  Faço um promessa solene que quando a covid19 der as costas vou sentar no bar do abrigo dos bondes acima e pedir uma Cerveja Gazapina.  De Sant’Ana, da autêntica…   

ALBERTO FERNÁNDEZ PARTE PARA UMA NOVA FASE DE GOVERNO, O CONSELHO ECONÔMICO E SOCIAL (CES)

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