Professor, 76 anos, aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE  (1973-2012)

Porto Alegre, 19.02.2021, 18:10, 24 graus, 59 % de umidade

Post 01.15.04

01.Internacional,15 Uruguai, 04 número de ordem do post

Natural da fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai eu acompanho a realidade oriental desde menino.  Na fase imediatamente anterior à pandemia, eu utilizava o título URUGUAI, estabilidade sempre.   Essa denominação decorria do fato que, em paralelo, eu escrevia outro título ARGENTINA, instabilidade sempre.  Era uma forma romântica como eu percebia as duas economias.

Depois, com as atividades virtuais disseminadas na economia global eu optei por uma classificação denominada Micro cursos.   O último post que eu escrevi sobre esse país foi no dia 24 de outubro passado, e ele levou o título  O Índice de Confiança do Consumidor Global do Uruguai cresce pelo sétimo mês consecutivo em setembro.

Nesse interim, houve eleições e o eleitorado levou o país a migrar da centro-esquerda para a centro-direita. Foi uma disputa renhida e o termo empate técnico esteve na mídia por alguns dias.  A decisão final decorreu de um resultado que evidenciou 1.189.313 votos para Lacalle Pou, da coalizão de Centro direita, a e 1.152.271 para Daniel Martinez, da coalizão liderada pela Frente Ampla.

O presidente eleito pertence aos blancos, o Partido Nacional.  Advogado, 48 anos, Lcacalle Pou é filho de Luis Alberto Lacalle, ex-presidente  (1990-95) do Uruguai.  Ele sucedeu ao ex-presidente Tabaré Vazquez (2015-20), médico oncologista, falecido em dezembro do ano passado, e que liderou uma aliança tendo à testa a Frente Ampla, que estava há 15 anos no poder.  A margem restrita de 37 mil votos foi a diferença do pleito. 

Hoje o país contabiliza 51.377 infectados pelo coronavírus e 563 óbitos para uma população de 3,449 milhões de habitantes (2018).  Durante os primeiros meses do ano passado o Uruguai era citado como um país fora da pandemia e os governos locais eram elogiados pelos números divulgados.  Depois a pandemia chegou e o país assumiu um lugar comum na crise sanitária.

Atualmente, o Uruguai não dispõe de vacinas para imunizar a sua população.  Lacalle Pou anunciou a compra de 3,8 milhões de doses mais 1,5 milhão de doses confirmadas pela OMS, contudo até hoje o produto não chegou ao país.  O governo adquiriu frigoríficos, elaborou plano e identificou os locais de vacinação, mas espera que as vacinas iniciais para atender 3.0% da população cheguem nos próximos dias, mais tardar no início do próximo mês.

Quando a pandemia chegou, a economia uruguaia estava estagnada.  O PIB do ano anterior havia crescido apenas 0,2% (2019).  Para o ano passado, o Panorama Econômico Mundial do FMI projetava uma queda do Produto da ordem de -4,5% (2020).   Essa era a dimensão da recessão do covid19 no Uruguai.

No final do mês passado, a ministra Azucena Maria Arbeleche Perdomo, 50 anos, economista, primeira mulher a ocupar o cargo de titular da pasta da Economia do Uruguai, divulgou os dados das finanças públicas e confirmou que o déficit fiscal global ficou em -6,0% do PIB em 2020, tendo em vista os efeitos da pandemia sobre as despesas do governo. 

O risco país está situado no patamar de 106 pontos (índice UBI).  O câmbio tem se mantido em alta.  O dólar interbancário fechou na sexta-feira em $ 42,849, após registrar avanço de 0,56% na semana, de 1,35% no mês e de 1,2% no corrente ano. 

As projeções do Fundo Monetário Internacional para o Uruguai sinalizam que o PIB deverá crescer 4,3% no corrente ano. A inflação deve recuar de 10,0% (2020) para 8,2% (2021).  Partindo do pressuposto que a economia confirme a retomada do crescimento a taxa de desemprego também deve cair de 9,7% (2020) para 9,0% (2021)

A edição de hoje do jornal O Observador de Montevidéu, apresenta algumas projeções de analistas e consultores locais sobre o comportamento da economia uruguaia à frente.   

A inflação de 2,9% em janeiro deve recuar para 0,6% em fevereiro e em 8,7% na taxa anualizada.  O IPC deve recuar para 7,05% no fim de 2021.  Já a queda do PIB em 2020 ficaria em 5,7%, uma taxa equivalente à queda de 5,8% prevista pelo Banco Central do Uruguai.  Quanto ao comportamento do Produto ele projetado com incrementos de 3,5% (2021) e de 2,5% (2022)  

Uma informação que me chamou a atenção nesse fim de semana foi uma matéria do jornal El Pais de Montevidéu que trata da carne sintética, da carne vegetal.  No sub título da matéria o senador Juan Sartori destacou que a carne sintética implica menor emissão de gás carbônico, tem o custo mais barato e proporciona bem estar ao animal.

A reação foi imediata, tanto no plano político como econômico. Cabe lembrar que o termo carne sintética está proibido de ser utilizado para fins comerciais.  Isso porque elas contém células animais produzidas de maneira artificial.  Essa decisão está contida no Orçamento Nacional, mais precisamente no seu artigo 292.   

De tudo que eu li sobre a carte desenvolvida em laboratório virá uma polêmica imensa à frente por parte dos meus patrícios.  Vou conferir e volto ao assunto em próximos posts.

Boa noite, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO: RUA DOS ANDRADAS, SANT’ANA

A rua dos Andradas é a via principal da minha cidade natal.  A memoria me traz de volta a época que eu ia para o ginásio, o colégio dos maristas.  O uniforme era uma farda semelhante àquelas utilizadas por militares.  Cor caqui, com obrigação de quépi na cabeça.   Sapatos pretos, bem lustrados, e cinto preto com fivela dourada.  

Aos sábados eu ia na Rádio Cultura, que ficava localizada na rua dos Andradas, entre as Casas Pernambucana e a loja do Senhor Castorino Simão, pai da minha vizinha Sandra. 

Aos 8 ou 9 anos eu era obrigado pelo meu pai a participar dos programas de calouros; ao passar aos 10 anos eu peguei o gosto pela arte e não faltava um sábado dos concursos e, quando vitorioso, levar para casa um corte de tecido para camisa ou cueca.  Naquela época tudo era confeccionado artesanalmente. 

Aos domingos eu descia a rua dos Andradas para ir à missa das 10 onde eu fazia o solo no coral do Irmão Gaudêncio, professor do Ginásio Santanense.  Nessa época, eu fazia audições de piano no salão nobre da Prefeitura Municipal em um piano de cauda incrível.  Foi a época em que precisava vestir terno azul marinho de calça comprida. 

Foi nessa época que eu me tornei professor de solfejo no Conservatório Kolisher que ficava localizado na rua dos Andradas ao lado da Casa Escosteguy e em frente à Farmácia Guimarães. 

A foto acima eu bati em 2014 quando voltei à terra pela última vez.  Para variar, na rua dos Andradas. Eu saí da agência do Banco do Brasil e percebi que a casa à frente, em cor cinza escura, era aquela em que morava o Lelinho, o Aurélio Guerra, meu contemporâneo do colégio. 

Eu nunca mais o vi o Lelinho.   Ele utilizava óculos, estava sempre de bom humor e foi o fundador do Hércules, um time de futebol da várzea em que toda a gurizada da época participava.  Eu utilizava a camisa número quatro e ocupava a posição de half direito da equipe.

Hermanoque tiempos aquellos!

URUGUAI, A PANDEMIA, A RETOMADA DA ECONOMIA E A CARNE SINTÉTICA

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