Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

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Post 02.01.25

02 Brasil, 01 Conjuntura, 25 número de ordem do post 

O Brasil voltou ao foco da mídia internacional com a decisão do Presidente Jair Bolsonaro de intervir na Petrobras.  O fato aconteceu em meio a um tumulto menor que assumiu proporção maior.  Um deputado federal disse impropriedades inimagináveis e foi parar na prisão. Liberdade de expressão de dizer o que disse?

Parece ter havia uma sincronia não programada entre as palavras do deputado federal e as ações do Presidente da República.  O mal menor foi jogado para a imprensa e o mal maior caiu no colo do brasileiro.  Todos se engajaram no impasse entre o STF e o deputado enquanto o Brasil deu as boas-vindas à volta da inflação.

Não foi por falta de alerta que o Brasil perdeu seis anos consecutivos em crise sistemática.  Não houve um programa de estabilização, o presidente acreditou num posto de combustível, a valorização das bolsas internacionais empurrou os resultados locais e a polarização desviou a atenção do tamanho do furo. 

De repente, não mais do que de repente a inflação voltou.  Os caminhoneiros a antecederam.  Os militares fizeram advertências.  O vice presidente ocupou a única folga do mandato para uma consulta ao oftalmologista.  O Centrão ocupou o seu posto em cima da hora.   As lideranças no Congresso foram substituídas no momento aprazado.  O Supremo estava unido atento a uma questão menor.    Os ministros da ala da boiada se recolheram.   Foi um cenário interessante.  Todos estavam atentos em um ponto e não perceberam que o dragão estava de volta.

Depois do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter registrado incremento de 4,31% (2019) o avanço do índice de preços chegou a 4,52% (2020).  Nos últimos meses, o IPCA evidenciou crescimento de 0,89% (novembro) e 1,35% (dezembro).

Na quinta-feira a FGV divulgou dados mostrando que o incremento da inflação da gasolina deixou os analistas impactados porque mais do que duplicou no IGP-M de fevereiro, tudo porque o incremento dos combustíveis registrou incrementos de 1,67% (janeiro) e 3,65% (fevereiro).

As metas da inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional projetam IPCA de 3,75% (2021), 3,5% (2022) e 3,25% (2023).  O IPCA do ano passado foi de 4,52%.  A inflação de dezembro (1,35%) foi a maior desde fevereiro de 2003 (1,57%). 

Vinte quatro meses sem um programa de governo, restou a Jair Bolsonaro agir sobre o termômetro.  Ele sinalizou a substituição do presidente da Petrobrás.  Os preços dos combustíveis assumiram um protagonismo inusitado. 

Nesse contexto, só me resta lembrar ao leitor que o país voltou ao passado.  Em termos de inflação ninguém a conhece tão bem como o brasileiro.

FOTO ABAIXO: O CAMINHO DO LIXO

Sempre que eu ia ao supermercado antes da pandemia e retornava com as compras para o meu apartamento eu contabilizava, em média, dez sacos plásticos no porta malas do meu carro.   

À medida que os dias iam passando, os dez sacos iam armazenando o lixo devidamente classificado conforme as normas do condomínio.  Ao fim do dia eles seguiam para a lixeira do prédio e dali para a lixeira pública da esquina.

Até onde eu sei, a partir da esquina o lixo segue para a Estação de Transbordo de Porto Alegre.  Devidamente pesado ele segue em carretas para o aterro em Minas do Leão.

Em suma, o saco plástico em que eu transportei o pão do supermercado para a mesa do jantar foi parar em outra cidade a 113 quilômetros da capital gaúcha. 

Fui a Wikipédia e li que o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial dos países que mais produzem mais lixo.  Vi também que mantemos lixo a céu aberto em três mil cidades.
Ora crescimento econômico implica mais consumo.  Na sequência, mais lixo.   Em São Paulo, cada pessoa produz até um quilo de lixo por dia.  São caminhões e mais caminhões num fila sem fim rumo ao ponto de destino.   
Nesse mundo com tantos desequilíbrios é preciso estar atento às decisões das autoridades quanto a fixação do caminho do lixo.  Até a revolução tecnológica, que forneceu equipamentos fantásticos à população, tem produzido lixo de qualidade específica.    Na verdade, é preciso estar atento a tudo, da seleção do lixo dentro de casa ao chorume acumulado nas lixeiras. 
Eu tenho lido sobre o que está acontecendo em países da Ásia.  São verdadeiras cadeias de montanhas gigantescas acumulando lixo a céu aberto.  Eu imagino as dificuldades locais para encontrar uma saída racional ao que está acontecendo naquele mar de lixo em um prazo exequível.
BEM-VINDO AO PASSADO DA CONVIVÊNCIA COM A INFLAÇÃO!

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