Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 26.02.2021, 12:10, 29 graus C, 56 % de umidade

Post 01.01.33

01 Internacional, 01 Conjuntura Global, 33 número de ordem do post

A economia mundial navega em meio a um mar bravio.  Os números do desempenho de 2020 foram antecedidos por uma desaceleração da economia mundial que já estava em curso quando a pandemia chegou. 

O PIB mundial recuou -3,5% em 2020.   O Produto das economias avançadas registrou uma queda de -4,9% enquanto o PIB das economias emergentes evidenciou um recuo de -2,4%.   Então, esse é o pano de fundo de tudo o que está acontecendo em 2021. 

Eu confesso que eu não esperava focar o meu blog na inflação nesses meses de pandemia.  O consumo sentiu o impacto da covid19.  A atividade econômica se contraiu.  Os confinamentos bateram de frente com o desempenho da economia. 

As projeções da taxa de inflação do World Economic Outlook, o Panorama Econômico Mundial do FMI, de outubro de 2020, trabalhavam com a possibilidade do IPC das Economias Europeias estarem estabilizadas com taxas de 2,0% (2020) e 2.4% (2021).  Na Ásia, o IPC previsto pelo Fundo mostrava taxas de 2,5% (2020) e 2,5% (2021). 

Aqui, no Novo Continente, a América do Norte trabalha com taxas de 1,6% (2020) e 2,7% (2021) enquanto a América do Sul projetava IPC de 7,0% (2020) e 8,6% (2021).  Por fim no Oriente Médio e na Ásia Central havia convivência   com taxas de 9,3% (2020) e 9,3% (2021).

Logo, em 2020 havia um mundo com atividade econômica em contração a inflação estava “sob controle”.   O que se imaginava era que mantidas as linhas emergenciais em crédito e em salários, os preços iriam avançar dentro de um comportamento esperado.

A crise sanitária alterou tudo.  Os números acima que pareciam estabilizados começaram a mostrar algumas movimentações dentro da pandemia.   

Os bancos centrais trabalhavam com a hipótese de que as vacinas criariam um ponto de inflexão sobre as expectativas de retomada do crescimento econômico mundial.   E assim, em janeiro do corrente ano, houve novas projeções para a recuperação da economia global

As expectativas eram de crescimento do PIB mundial em 5,5% (2021) e 4,2% (2022).    Então, o ano está recém no seu primeiro bimestre e o horizonte, em janeiro, era esse, de uma retomada com alguma pujança para o biênio 2021-22.

Hoje, nesses últimos dias de fevereiro, parece que uma nova movimentação começa a ser perceptível.  O leitor tem constatado que a todo o momento eu tenho escrito sobre as vacinas, a logística das vacinas, a eficácia das vacinas, o desafio das mutações sobre as vacinas e todas as incertezas que vem se acumulando mensalmente, semanalmente e porque não dizer, diariamente.

Está difícil firmar convicção nesse mar de incerteza.  Eu acreditei que a chegada de Biden à Casa Branca e a bandeira do seu programa de estímulos da ordem de US$ 1, 9 trilhão iria mexer com uma melhora nas projeções de retomada da economia.  Biden era sinônimo de vacinação generalizada, para mim.  

Havia a perspectiva de normalização da economia.  Na prática eu me deparei com uma explosão no comportamento do mercado de ações.   Paralelamente, aconteceu um volume crescente de transações de divida soberana.  Era chegado o momento de uma mudança no comportamento dos juros. 

De repente, o filme parece que começou a rodar em câmara lenta.  A retomada global que era para ser passou a ser, apenas, uma possibilidade a considerar.  Há pouco o foco estava na logística da vacina; agora, o processo parece emperrar nas variantes e nas mutações. 

… 

Nesse novo momento da crise sanitária, a movimentação nos bônus do tesouro eclodiu nos Estados Unidos.  Entre os investidores a confiança não perdeu força.  O aumento do rendimento dos bônus do Tesouro norte-americano repercutiu internacionalmente, numa verdadeira onda de confiança global.
E, ai, eu chego ao que parece ser um divisor de águas entre as posições dos bancos centrais.  O FED aposta que o incremento do rendimento dos bônus é a confirmação da confiança do mercado; o Banco Central Europeu (BCE) é de parecer que se a retomada é confiável, vem inflação à frente.
A grande diferença está localizada na data da recuperação da economia regional.   Os norte-americanos apostam na retomada no curtíssimo prazo e o aumento dos rendimentos dos bônus do tesouro transmitem confiança.  A inflação está na meta de 2,0% ao ano.
Os europeus, ao contrário, não estão debatendo a retomada no curto prazo, havendo, inclusive, a possibilidade de uma segunda recessão no horizonte.  O que pode vir a frente é alguma inflação e, nesse caso, o aumento do rendimento dos bônus do tesouro não se justifica e deverá ser pago por alguém.  
É isso aí.  O cenário vai sendo configurado progressivamente.   A incerteza corre solta.  A volatilidade some e reaparece.  E pouco vai mudar enquanto a pandemia estiver de mãos dadas com a economia.
Ha pouco eu ouvi uma manifestação de Andy Haldane, chief economist do Banco da Inglaterra.  Ele falava sobre a inflação e disse que o problema não é ser conservador num momento desses, mas ser complacente com o comportamento dos preços.
Outras lideranças de autoridades monetárias, na Ásia e na Austrália, tem se manifestado sobre a ameaça da inflação nesse momento em que a política fiscal trava um embate de guerra contra a crise sanitária.   Uns alinham-se aos Estados Unidos, outros ao Banco Central Europeu e eu fico aqui a registrar o que vejo e o que sinto em meio a uma crise que parece não perder a força.  
Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO O MERCADO PÚBLICO DE PORTO ALEGRE

A foto abaixo eu bati há algum tempo. Grupos de religiosos acessavam o mercado publico para o desenvolvimento de alguma atividade programada para aquela oportunidade.  

O mercado prosseguia com aquela cobertura em azul,  Ela se encontrava ali desde que começou a conservação do prédio em decorrência do incêndio que destruiu parcialmente o segundo andar no ano de 2013.  

Na segunda fotografia eu estou dentro do mercado público, uma obra inaugurada em outubro de 1869.  Foram quatro incêndios desde então, 1912, 1976, 1979 e 2013.   Esse ultimo eu assisti de local próximo.  Na verdade, da distância permitida ao público.   

Quando eu voltei para a casa eu achei que o local tinha ficado destruído.   O incêndio durou muitas horas e as chamas eram altíssimas.  Essa foi a percepção que eu guardei na minha memória.

Dias depois eu voltei ao mercado público.   Qual a minha surpresa!  Cadê o incêndio que eu presenciei, essa foi a primeira pergunta que eu me formulei.  O movimento aparente era o mesmo de tantas outras visitas que eu fiz ao local.

Quando eu subi ao segundo andar eu fiquei com uma dimensão concreta do que tinha acontecido naquela noite.   Desde então eu me abastecia de muitos produtos ofertados nas 111 lojas existentes.   

Na foto de baixo eu fotografei um grupo de religiosos de cultos africanos atendendo um público numeroso.   Em diversas oportunidades, ao longo dos últimos anos, eu obtive boas imagens de diferentes grupos atendendo os seus fiéis no centro do Mercado Público.

RECUPERAÇÃO GLOBAL, INFLAÇÃO, RENDIMENTOS DE BÔNUS DO TESOURO E BANCOS CENTRAIS EM ÂMBITO INTERNACIONAL

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