Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 27.02.2021, 12:10, 29 graus C, 56 % de umidade

Post 01.11.14

01 Internacional, 11 China, 14 número de ordem do post

Aproveito o sábado para começar o acompanhamento da conjuntura econômica internacional pela China por duas razões especiais.  Creio que preciso monitorar a sequência da retomada econômica local e verificar como se encontra o embate comercial e tecnológico contra os norte-americanos após a posse de Joe Biden na Casa Branca.

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Começo pelo World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial do FMI, com as informações atualizadas recentemente, ou seja, no dia 21 de janeiro do corrente ano.   De acordo com a publicação o PIB da China cresceu 2,3% (2020), e deve registrar incrementos de 8,1% (2021) e 5,6% (2022). 

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Na versão imediatamente anterior do WEO, de 07 de outubro de 2020, o FMI trabalhava com o crescimento do PIB nos seguintes patamares 6,7% (2018), 6,1% (2019), 1,9% (2020) e 8,2% (2021).   A China encontrava-se na desaceleração global em 2018-19, um comportamento comum à economia global, exceção feita aos estados Unidos que navegavam no pleno emprego.

Com a chegada da pandemia,  o FMI previu incremento do PIB de 1,9% (2020) na versão do WEO de 07 de outubro de 2020 e a projeção foi elevada para um avanço de 2,3% (2020) na atualização de 21 de janeiro do corrente ano.   Então, no desempenho do ano da pandemia, a China foi uma exceção entre as grandes economias. 

Além de ter registrado incremento do  PIB, esse aumento foi ainda maior em 0,4% da versão de outubro de 2020 para a atualização de janeiro de 2021.     Para o corrente exercício, o PIB da China deverá crescer 8,1% e para o próximo ano a economia deverá estabilizar em 5,6% ao ano.

Bem, todo esse desempenho de curto prazo da China deve se concretizar simultaneamente à continuidade, ou não, da agenda de Donald Trump frente à reação de Xi Jinping no impasse comercial entre as duas maiores economias do planeta.   Biden já fez uma ligação telefônica para Xi, mas ainda não foi possível avaliar se a pauta entre ambos vai permanecer, vai mudar e, nesse caso, em quanto vai mudar.

O novo presidente já manifestou a vontade de não depender de produtos chineses como aconteceu durante a pandemia da covid19.  O contexto Xi/Trump é diferente do ambiente Xi/Biden porque agora há a pandemia.

No contexto Xi/Trump eu trabalhava com um  cenário A, um cenário otimista, em que a vacina induziria a retomada do crescimento mundial.  Vacina implicaria o fim do confinamento e a volta ao trabalho.  

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No contexto Xi/Biden eu tendo a trabalhar com um cenário B, um cenário alternativo, em que a vacina dependerá da regionalização das vigilâncias genômicas, ou seja, do sequenciamento do virus, que viabilize conhecer as novas variantes e as suas mutações, just in time.  Nesse caso, a regionalização da vigilância levaria a maior eficácia das vacinas que implicaria a volta ao trabalho e a retomada da economia mundial.  Sem vigilância não haverá descoberta de variantes regionais

Na hipótese do cenário B, Joe Biden não pode adotar o posicionamento de Donald Trump porque ele tem consciência da importância de depender, ou não, dos produtos e materiais originados na China enquanto a pandemia se mantiver e a incerteza da eficácia de uma vacina frente a uma variante que ainda não foi descoberta porque muitos países não tem condições de investimento no setor.

Na hipótese do cenário B, como reagirá Xi Jinping se ele sentir que Biden pretende retirar produto e materiais originados na China na cadeia de abastecimento global?

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De qualquer forma a retomada chinesa já é uma realidade.   O FMI fez duas projeções, divulgadas em janeiro de 2020 e em janeiro 2021 e se percebe que a curva em V da publicação de 2021 é seguida de um formato de radical que bate quase em cima da reta projetada em 2020. 

O que pode emperrar o processo de retomada em curso na China poderá ser a descoberta de novas variantes por falta de investimento em pesquisa em algumas regiões do planeta.  Eu creio que é por aí que está o foco da incerteza atual nesse sábado de final de fevereiro. 

Não deve ser por outra razão que Joe Biden trabalha com um prazo de três meses para um diagnóstico completo das cadeias produtivas que vieram a público durante a pandemia.   Em quanto o mundo depende da oferta chinesa? 

Eu creio que daqui há uns três meses os analistas terão uma ideia precisa de como Biden enfrentará Xi.  Eu, particularmente, creio que ele não deve bisar Trump, contudo eu penso que a relação continuará intrincada entre as duas lideranças mundiais. 

Outro ponto que me parece mostrar uma certa fragilidade “nessa história toda” das vacinas é que eu demorei a entender um ponto que é óbvio para o pessoal do setor de saúde.  O nível de eficácia da vacina não significa que aquele é o potencial de derrubar o coronavírus.  Aquele percentual diz respeito apenas ao nível de eficácia frente ao placebo.

Em suma leitor do blog, a retomada mundial depende de uma conjuntura no setor de saúde que não me permite trabalhar com um cenário dentro de um nível de confiança factível.  Todos os dias há fatos novos. 

São tantas fontes entre os Estados Unidos, numa extremidade, e os países da Ásia, no outro, que fica difícil ter uma compreensão de uma pandemia que o leigo só percebe que ela está ali quando o seu ente querido deixa a UTI rumo a dimensão maior da existência. Fazer o quê?  

A par desse ponto, da perspectiva do desempenho à frente, eu procurei alguma informação  sobre o comportamento recente do mercado de trabalho na China.   Eu fui ao South China Morning Post e encontrei dados recentes do que acontece no mercado de trabalho daquele pais.  

A informação vinda da Ásia dá conta que durante o ano da pandemia o país criou 11, 8 milhões de empregos urbanos.  A chegada dos universitários sinaliza que haverá mais 15 milhões disputando uma vaga em um país que estima gerar 10 milhões de empregos em 2021.  Nesse contexto a taxa de desemprego que chegou ao seu pico em meados do ano passado recuou para 5,6% no final de 2020. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Domingo tem jogo na Arena do Grêmio

Essa é a minha neta Victória, a número um de cinco, que tem mais um ano para chegar à adolescência. É mais uma gremista na família dividida entre tricolores e colorados.   Eu creio que em Sant’Ana a turma está mais alinhada ao Internacional enquanto que o lado da família na capital está mais próximo do Grêmio.

O Internacional teve três possibilidades de se tornar campeão brasileiro com todo o merecimento, mas as oportunidades não foram aproveitadas por razões das mais diversas.  O colorado inicia o Gauchão com  uma nova comissão técnica e terá um técnico espanhol tão logo houver normalização das viagens aéreas. 

Ele traz uma nova metodologia de trabalho para o RS.   Em primeiro plano ele prega a ocupação do espaço em campo; não mais a prioridade pela posse de bola.  

Na segunda foto está a minha neta Laura, número três de cinco. É mais uma torcedora do tricolor.  Ela deu sorte de ter acompanhado a fase do Renato Portaluppi na Arena do Grêmio.  Foram alguns títulos conquistados e posições no grupo de cima que disputa o Brasileirão. 

Amanhã, à noite, a disputa promete ser muito renhida em Porto Alegre.  O Palmeira vinha de um desempenho muito bom até conquistar o titulo do campeonato nacional.  Depois, a equipe mostrou-se mais tímida. O Grêmio vem de um desempenho apenas razoável até conquistar a vaga para a primeira fase da Libertadores.  Agora, a equipe deve se espelhar na história de muita garra demonstrada no passado. 

Tomara que a Victória e a Laura tenham o que comemorar após o segundo jogo a ser realizado em São Paulo no próximo domingo!  Enquanto o Renato estiver na Arena eu mantenho alguma fé que a vitória possa ser alcançada. 

CHINA, DESEMPENHO DA ECONOMIA, VIGILÂNCIA GENÔMICA E IMPASSE COM EUA

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