Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 28.02.2021, 12:10, 29 graus C, 55 % de umidade

Post 01.09.51

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 51 número de ordem do post

Já escrevi diversas vezes sobre a palavra bolha.  Na condição de analista de conjuntura ela representa algo equivalente aquele sinal que existe no cruzamento de uma ferrovia.   Quando os carros acessam ao local, ele param e o motoristas procuram ouvir se há algum sinal sobre a presença de um comboio chegando ao cruzamento.

Antes desse domingo eu redigi quatro artigos sobre a matéria desse post.   Eu escrevi WALL STREET AVANÇA A MIL, INCERTEZAS PROSSEGUEM UM POUQUINHO À FRENTE, em 18.12.2020, A BOLHA, em 24.01.2021, TRÊS BOLHAS, em 05.02.2021 e UMA CORREÇÃO EM WALL STREET, em 12.02.2021. 

… 

Entre meados e o fim do mês passado, a mídia fazia referencia ao comportamento de Wall Street.  Dentre elas, o Bank of América associava o recorde das ações ao pacote de estímulo do governo norte-americano.    Bolha no lado da política econômica e bolha no lado do mercado de ações.

Na percepção do banco norte-americano, a bolha foi consequência do pacote de estímulos à economia.  O que há de concreto é que a Câmara dos Representantes aprovou no dia de ontem, sábado, por 219 a 212 votos,  o plano de estímulos de US$ 1,9 trilhão encaminhado pelo governo de Joe Biden ao Poder Legislativo. 

O plano criticado pelo Bank of América visa oferecer financiamentos e ajudas.   É preciso financiar o setor de saúde e ajudar as famílias, as empresas e os governos estaduais e municipais.  Para os intermediários financeiros há uma bolha da política governamental, no valor de US$ 1,9 trilhão, para alimentar uma bolha em Wall Street. via os preços dos ativos.  

Esse mesmo assunto que esteve no foco da mídia no mês de janeiro voltou ao centro da atenção dos analistas de mercado de capitais nesses últimos dias de fevereiro. 

Na dimensão política, Joe Biden lançou um plano para lidar com a pandemia.  Contudo ao mirar num escopo, o coronavírus, o pacote bateu em outro alvo, em Wall Street. 

Na prática, além do plano de Joe Biden, os Bancos Centrais de todo o mundo também utilizaram bilhões de dólares  para comprar ativos e jogar liquidez na economia. 

Ambas as iniciativas criaram sobrevalorização de diversos ativos.  É muito provável que tudo o que está acontecendo em meio à pandemia – resoluções de governos e de autoridades monetárias – vá rebater na inflação.    Aí, o temor maior.

Daí o título dado – a bolha das bolhas – entre analistas do mercado financeiro norte-americano.  Houve valorizações recordes.  Quantas vezes eu escrevi sobre valorizações e mais valorizações de ativos.  O que se ouve agora é que esse fato levará a uma correção.  A polêmica implica identificar, quando e em quanto, tal fato irá se concretizar.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: GALERIA CHAVES 

A Galeria Chaves é uma galeria comercial e, ao mesmo tempo, um prédio histórico de Porto Alegre.   Quem passa na frente do prédio, localizado na Rua dos Andradas, número 1444, no Centro histórico da capital gaúcha, fica impressionado com a beleza do local.  Algo de aparência renascentista em plena capital dos Pampas.
… 
A galeria, cuja construção iniciou em 1936, liga a Rua da Praia à rua José Montauri.  O nome da galeria é alusiva à figura de Pedro Chaves Barcelos.   A sua família foi a responsável pela obra.   O prédio foi tombado pelo município em 1986.
Quando eu trabalhava em mercado de capitais, nos anos 60, um dia por semana eu dava expediente em Porto Alegre.  E lembro de visitar a galeria semanalmente.
Posteriormente quando eu migrei da UFSM para a UFRGS, nos anos 70, eu vim morar no beco da Rua General João Manoel, nas proximidades do Palácio Piratini.  Eu lembro de ouvir dizer que o local onde eu resido era um sítio dos Chaves Barcelos.
Quem passa na esquina da Rua Duque de Caxias com a Rua General João Manoel, no Centro Histórico, vê uma mansão imensa e bela.  Eu ouço que era propriedade da mesma família.  Durante algum temo nos anos 80, o recinto foi utilizado como um local para recepções.
Os eventos aconteciam ao anoitecer.  Eu passava pelo local que fica nas proximidades da minha residência, e eu via muita gente aglomerada, vestidas a rigor, em festas dignas de cinema.  O tempo passou e o local se tornou um estacionamento de automóveis.   

De volta à galeria, há muitos anos eu passo por ali diariamente.  Ou melhor, eu passava por ali, diariamente, antes da crise sanitária.  Eu li na Wikipédia que depois de inaugurada, o térreo da galeria destinava-se às atividades comerciais e os cinco andares eram ocupados por residências.
O Portal de entrada é de uma beleza inusitada.  Assim como na Esquina Democrática eu vejo, ou via, grupos de pessoas de certa idade conversando, diariamente, no portal.
Quem acessar o local pela rua José Montauri, junto ao antigo Abrigo dos Bondes, tem uma outra visão da galeria.  Ali há um entre-solo com muitos estabelecimentos comerciais, dentre eles, pizzaria, cabelereiro, caixas eletrônicos de bancos e cafés onde há grupos de idosos que frequentam o local desde que o mesmo foi aberto ao público.
Há uma escada eletrônica que liga o entre-solo, da rua José Montauri, com o térreo, da Rua da Praia.  Eu criei um roteiro como pedestre que eu ia ao Mercado Publico passando pelo térreo e voltava para o centro via entre-solo.  A escada eletrônica era um ponto de passagem obrigatório no meu deslocamento.
Sempre que eu subia essa escada eu sempre via as mesmas pessoas, já de certa idade, sentadas no café e jogando conversa fora.   Foram tantas vezes que eu passei por ali que, ao fim e ao cabo, eu, idoso, era cumprimentado pelos presentes como se pertencesse aos grupos do local.
… 
Na verdade, eu passei a desconfiar que eu poderia conhecer algum dos presentes.  E por isso eles me cumprimentavam.   Esse fato de ser cumprimentado por desconhecidos era comum quando eu morava em Sant’Ana e em Santa Maria.
Em Bagé eu era muito cumprimentado por desconhecidos na rua.  Eu procura ser gentil e respondia aos cumprimentos.  Uma tarde, eu descia a Avenida Sete e um sujeito chegou perto de mim, colocou o braço no meu ombro e começou a falar assuntos totalmente estranhos.  Em dado momento ele parou e percebeu que estava falando com a pessoa errada.
Ele me achou muito parecido com um empresário local, da área das funerárias, assunto que eu não fazia a menor ideia do que se tratava.  Pelo pouco que eu ouvi eu conclui que o setor era muito próspero.  Isso foi no início dos anos 60.    A partir daquela oportunidade, em Bagé, sempre que cumprimentado eu respondia com um sorriso.  Eu sabia que eu era um empreendedor funerário e estávamos conversados!
Em tempo:  Eu tive um aluno no curso de pós graduação de nome Pedro Chaves Barcellos.  Ele era bem mais velho que eu e já faleceu.  Ficamos amigos e conversávamos muito.  Eu nunca falei com o Pedrinho sobre a Galeria. Eu fui ao Google para ver mais detalhes sobre o meu amigo, mas eu percebi que há muitas pessoas com esse mesmo nome.  Como há diversos homônimos eu não sei se adiantaria pedir a ele que me falasse sobre a história da galeria. 
A BOLHA DAS BOLHAS

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