Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 01.03.2021, 12:10, 30 graus C, 59 % de umidade

Post 01.09.52

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 52 número de ordem do post

A conjuntura continua surfando na pandemia. Fica difícil configurar um cenário convincente com uma restrição de tal ordem.   

Normalmente eu apreendi um pouco sobre o hiato entre os que precificam a retomada e levam as  bolsas às nuvens e os que apostam na continuidade da crise e prosseguem com as concepções dos voos de galinha.

… 

Acontece que dessa vez não há um mero hiato entre os dois enfoques.   Há um precipício.

De um lado, há recordes que se sobrepõem.  Há ralis que se repetem.  Do outro lado, há desemprego, divergências de políticas econômicas e a espera atroz para que o destino esperado chegue de vez.

O que ambos os lados tem consciência é que um dia a correção se realizará.   Nesse ínterim a polêmica se instala e encobre o precipício.   

Se o conteúdo migrar da polêmica para a polarização, estamos conversados, leitor. Não há o que fazer.  Por que?

Porque antigamente havia uma pessoa delirante e a gente a achava desequilibrada.  Hoje, há multidões que creem em uma história delirante e seguem o seu autor.

Você, leitor, lembra do post que eu escrevi no dia 5 de fevereiro?  Aquele que tratava das narrativas econômicas do prêmio Nobel de Economia Robert Schiller?  

Pois é, como eu escrevi no início, a conjuntura continua surfando na pandemia.  O quem  preocupa é que podem acontecer decisões precipitadas nessas condições.

Eu comecei a perceber que nas economias avançadas já estão falando em semana de quatro dias de trabalho. 

Da mesma forma eu percebei que já estão falando em que chegou a hora de elevar os juros nos títulos dez anos.   Também percebi que há forte questionamento das injeções mensais de US$ 120 bilhões na economia norte-americana.

Qualquer mudança antes da hora adequada pode criar novos problemas se a pandemia chegar ao fim. 

….

Contudo, e se tudo permanecer como está por mais tempo, o que se pode esperar de Jerome Powell e de Janet Yellen nesses momentos de tamanha incerteza?   

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: LEMBRANDO DO ZÉ DO PASSAPORTE   

Quando eu cheguei em Porto Alegre, em setembro de 1973, eu ia com um grupo de amigos às cercanias da esquina da fotografia acima  onde estava localizado o Zé do Passaporte, o primeiro cachorro-quente da capital gaúcha. 

O empreendimento de 1959, foi tomando forma com o passar do tempo com José Ribeiro Faillace, já falecido, à testa do negócio.   Eu me tornei  vegetariano em 1978.   Então eu curti o cachorro quente, com mostarda e ketchup, por alguns anos.

Durante os três anos nos Estados Unidos, todos os dias eu almoçava na cafeteria da universidade. Qualquer que fosse o almoço servido, o acompanhamento era sempre de batatinhas fritas com ketchup em cima.   Quando eu voltei para o Brasil eu fiz a promessa que jamais comeria ketchup.   

O Zé do Passaporte me fez quebrar a promessa.  Dia e noite, o local estava sempre com clientes,  enfileirados e esperando pelo atendimento.  Eu lembro que ficávamos ali, eu e meus amigos, até que ninguém mais conseguia permanecer acordado.  Era a hora de deixar o local.

Até hoje eu lembro daquele tempo em que tudo era motivo de discussão. Era, também, uma época em que se ria demais.   Hoje, eu creio que essas lembranças ficaram impregnadas na  minha memória.  Dentro do possível, eu nunca mais assimilei o ketchup.  Quando, eventualmente, me perguntam se eu quero ketchup, eu respondo, instantaneamente, “nem pensar!”

ESTADOS UNIDOS, REDUÇÃO NOS DIAS DE TRABALHO E AUMENTO DAS TAXAS DE JUROS?

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