Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944),  aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012)

Gramado, 02.04.2021, 18:10, 14 graus C, 90 % de umidade, 

Post 01.01.36

01 INTERNACIONAL 01 Conjuntura mundial, 36 Número de ordem do post

Por tudo o que tenho escrito no blog desde o início da pandemia o leitor deve ter firmado a convicção que eu estou numa expectativa danada quanto à retomada da economia mundial.   

A última versão do World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial do FMI, publicado em 26 de janeiro de 2021, registrava variações do PIB de -3,5% (2020), 5,5% (2021) e 4,2% (2022).   O que eu espero é que esse incremento de 5,5% do produto mundial para o corrente ano se confirme. 

Nessa publicação de 26 de janeiro, o PIB da China mostrou variações de 2,3% (2020), 8,1% (2021) e 5,6 % (2022), todas positivas, enquanto o PIB dos Estados Unidos recuou -3,4% (2020) e deve voltar a crescer 5,5% (2021) e 2,5% (2022)

Então, nessa retomada mundial que eu espero que se concretize o mais rápido possível, os chineses não perderam o ano de 2020 com recessão, mas os Estados Unidos sofreram uma forte contração econômica no ano passado.

Logo, os chineses saíram na frente, porque não perdem tempo com recessão, e é fundamental que os americanos retomem a atividade local para que o mundo possa aspirar um novo período de crescimento.

Até aqui as informações apresentadas são datadas de 21 de janeiro próximo passado.  Bem, o que há de novas informações desde então?

… 

Ontem eu escrevi sobre o pacote de infraestrutura apresentado pelo presidente Joe Biden para retomar o crescimento da economia.  A medida é importante, é oportuna, mas há necessidade de alguns meses para que o processo tome o seu curso.

De qualquer forma, Wall Street já começou a avaliar o plano de US$ 2,25 bilhões do presidente norte-americano que combinado com o primeiro plano de US$ 1,9 trilhão, gerará uma injeção superior a US$ 4 trilhões na economia dos Estados Unidos.

No conjunto, o novo governo estará voltado para investimentos em educação, no combate à desigualdade social, e em ações voltadas ao meio ambiente.   Nessa expectativa de retomada que eu espero, eu percebo que Wall Street já saiu na frente porque já procura identificar quais as ações mais beneficiadas nesse novo cenário.

Do lado da China, há uma clara percepção de que as lideranças asiáticas que ao fim e ao cabo da desastrada gestão de Donald Trump é preciso consolidar os ganhos no governo de Joe Biden.   

Trump bateu de frente com a globalização, rompeu com parcerias tradicionais e recorreu a um discurso populista e nacionalista.   Xi Jinping se aproveitou, prosseguiu com a visão de integração internacional, formalizou novas parcerias e assumiu um papel que não era o seu ao longo do governo Obama.

A China contabiliza incrementos mensais expressivos na sua economia, o PMI avançou de 51,6 para 55,3 pontos.   O avanço expressivo do Índice dos Gerentes de Compras aconteceu a partir de uma melhora no desempenho do setor de Serviços.   

E assim, chegamos ao dia de hoje.  Do lado americano o blog do FMI publicou um documento intitulado A lenta recuperação das sequelas: o legado da pandemia.  Nele, a equipe da Instituição mostra os danos e as sequelas – prosseguimento da pandemia, impacto setorial e produtividade – de uma contração diferente que foi a recessão da pandemia.

O FMI afirma que está difícil de elaborar novas previsões, mas que as lições das recessões passadas mostram que houve perdas permanentes de produção na economia.  A retomada dependerá dos danos – diferentes entre países, da eficácia da vacinação, das necessidades de conglomerações setoriais e dos efeitos das políticas econômicas – nos resultados a médio prazo. 

A volta à normalidade poderá tardar e exigirá realocação de recursos face ao avanço da digitalização.   A fragilidade de concorrentes pode aumentar as empresas maiores no mercado.  Nessa crise o maior impacto se concentrou no setor serviços.  Alguns segmentos mais afetados pela Covid – bares e restaurantes – podem afetar outros – comercialização vinícola.

Então, ao fim e a cabo, a estabilidade financeira deverá ser menos afetada do que aconteceu na Grande Recessão de 2009, mas a estimativa para o incremento do PIB global, em 2024, deve ser 3,0% menor do que aquele projetado antes da crise sanitária.

…   

Para encerrar, do lado da China o desempenho em março sentiu o impacto da demanda interna um pouco menos intensa, mas o cenário permanece promissor.   Há divergências entre os números oficiais e os dados do PMI quanto ao ímpeto da economia no presente momento.

Vou prosseguir monitorando as duas economias à luz da retomada global.    A obtenção de informações relevantes na próxima semana me levarão a produzir um novo post assim que a minha agenda permitir.   O citado documento do FMI pode ser acessado no endereço eletrônico  https://blogs.imf.org/2021/03/31/slow-healing-scars-the-pandemics-legacy/

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: UM FERIADO DE DE SEXTA-FEIRA SANTA DURANTE A PANDEMIA EM GRAMADO

A primeira vez que eu vim a Gramado foi no início dos anos 70.  O meu irmão menor, José Luiz, Zezinho para os familiares, trabalhava no antigo Departamento Estadual de Abastecimento de Leite (DEAL), que posteriormente viria a ser denominado Companhia Riograndense de Laticínios e Correlatos (CORLAC).

Ele é formado em Agronomia (1969) e eu em Economia (1966), ambos pela UFSM.  Ele concluiu a faculdade e foi trabalhar como agrônomo da Associação de Crédito e Assistência Rural do Estado de Santa Catarina (ACARESC), que foi o órgão oficial de extensão rural do Estado de Santa Catarina.  

Depois, ele mudou para Gramado e trabalhou como agrônomo na Usina de Leite da CORLAC que ficava localizada ao lado da atual Estação Rodoviária da cidade.   Ele residia a uma quadra do Hotel Serra Azul.  Naquela época a rodoviária era próxima ao citado hotel.

Desde o início eu fiquei muito bem impressionado com a beleza do local.   Havia muitos lugares para visitar, a gastronomia era formidável e sempre havia a possibilidade de dar um passeio até Canela. 

Os anos passaram e eu me integrei à convivência sistemática com Gramado.   Anualmente, eu trazia família para cá durante a páscoa.  Os filhos, hoje todos formados, apreciavam demais aqueles dias de estada na cidade.

Em particular a sexta-feira santa implicava presença de uma multidão de turistas assistindo os desfiles nas avenidas centrais.   Os visitantes se acotovelavam nas calçadas enquanto pessoas – população faz as vezes de figurantes – vestindo roupas a caráter se deslocavam lentamente pelas ruas.   Havia passagem de carros levando muitas imagens de figuras religiosas.   

Um grupo de fiéis batia tambores à medida que se desenvolvia a cerimonia ao estilo medieval.  Tudo porque, na história, o evento foi criado após à época da peste negra (1347-51), associada à bactéria Yersinia pestis que registrou entre 75 a 200 milhões de óbitos.   

Em Gramado havia um som fúnebre, produzido pelo rufar dos tambores, que se repetia, sem interrupções, durante todo o período do desfile até que, ao final, surgia a imagem de jesus, que tinha o seu corpo removido da cruz.  O féretro chegava ao fim quando o corpo de Jesus era levado à Igreja Matriz de São Pedro, no centro de Gramado.

Nesse fim de uma sexta-feira, fria e chuvosa, nada disso se repetiu.  Eu andei de carro no centro da cidade no início da tarde.   As ruas tinham pouca gente circulando.   As vagas para carros estavam ocupadas apenas nas ruas centrais.   

A decoração está maravilhosa como sempre, contudo os estabelecimentos comerciais abertos são os supermercados e as farmácias, e os restaurantes mantém uma mesinha na porta para receber os pedidos de clientes.  Tudo na base do delivery.   Eu confesso que não vi fila alguma em todos os restaurantes que passei de carro. 

Agora, já noite, baixou um nevoeiro muito denso na cidade e a chuva voltou a cair e criar um clima londrino na serra gaúcha. 

A foto acima foi batida numa das minhas vindas a Gramado, antes da Pandemia.  O fluxo de automóveis era intenso na Avenida São Pedro, a segunda via em importância na cidade.   Nessa sexta-feira poucos automóveis circulavam nesse mesmo local.

A RETOMADA DA ECONOMIA MUNDIAL, OS DESEMPENHOS DOS ESTADOS UNIDOS E DA CHINA

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