Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 15.05.2021, 06:10, 09 graus C, 66 % de umidade

Post 01.14.10

01 INTERNACIONAL, 14 Argentina, 10 Número de ordem do post

Amanheceu muito frio em Porto Alegre.  Agora o termômetro marca nove graus. Na minha percepção não houve o verão de maio nesse ano.  Cada dia me parece que está mais frio que o anterior.  Eu acordo e já começo a preparar o mate.  Ele me ajuda a tornar a tarefa mais fácil no início de um novo dia. Eu penso que é a agitação que ele provoca.  Quem sabe um pouco do ritual em prepará-lo. 

Hoje eu vou priorizar a Argentina.  O país está com a pandemia em alta.  São 3,2 milhões de casos de contágios, décimo primeiro lugar no ranking global, e 69,8 mil óbitos contabilizados no país.   

Eu observei atentamente os gráficos do Coronavirus Resource Center da Johns Hopkins University e verifiquei que o país está na terceira onda de contágios, praticamente o dobro do número de casos quando comparada às duas ondas anteriores, e essa última se mantém no pico da curva.   

Quanto ao número de óbitos eu creio que o país convive com a segunda onda e também se mantém na extremidade superior da curva.   Finalmente com relação ao número de vacinados, esse já alcançou um contingente de 9,5 de pessoas nesse sábado.

O canal 26 de Buenos Aires está informando que ocorreram 27.363 novos casos de contágios e 601 óbitos nas últimas vinte e quatro horas.  Segundo a imprensa local são os piores resultados na convivência com a Covid desde o início da crise sanitária.  

Da pandemia eu migro para a política argentina.  O presidente Alberto Fernandez retornou ao país depois de uma viagem ao Exterior iniciada por Portugal no dia 09 do corrente mês.  Acompanharam o presidente os ministros e/ou secretários Martin Guzman, Gustavo Beliz, Juan Pablo Biondi e Julio Vitobello, além do chanceler Felipe Solá. 

O objetivo principal do presidente e dos seus auxiliares era obter apoio para a renegociação da dívida de US$ 44 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Essa pauta externa da Argentina é antiga.  Há muitos anos o país vive em embates com o FMI.  A fase mais crítica da crise aconteceu com a pressão dos credores abutres sobre o governo de Buenos Aires. 

Maurício Macri assumiu com um discurso de mudar o ambiente local, mas ao fim o governo encerrou a gestão com recessão, inflação nas nuvens e deixando de honrar compromissos com o FMI.

Alberto Fernandez assumiu depois de bater Maurício Macri nas últimas eleições.  O novo presidente teve a ex-presidente Cristina Fernandez como companheira de chapa.   Eu confesso que eu não tinha muitas expectativas com relação ao novo governo.

Para minha surpresa, o Papa Francisco entrou em cena.  Ora Francisco é o antigo cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio, 84 anos,nascido em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936.   O Papa  apoiou Fernández e a comunidade internacional passou a ser parceira argentina. 

Incrível o peso de um papa.  Naquela oportunidade Francisco promoveu um seminário no Vaticano sobre a economia argentina e convidou Kristalina Georgieva, a economista búlgara que exerce o cargo de Diretora Gerente do FMI.  Martin Guzman, o ministro da Economia, participou do evento.  

Dessa vez foi o próprio presidente Alberto Fernández quem esteve com o Papa no Vaticano.  Fernández esteve com diversas lideranças europeias.  Todas fechadas com a Argentina.  Emmanuel  Macron da França, Pedro Sánchez da Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa de Portugal, Antonio Costa de Portugal e Mário Draghi da Espanha.

Alberto Fernandez reuniu também com a Diretora-Gerente do FMI, objetivo principal do presidente em sua viagem ao Velho Continente.   Acompanhado de Martin Guzmán, o líder argentino pleiteou uma revisão nos juros sobre a dívida de US$ 44 bilhões.   De parte da diretora gerente da Instituição o presidente confirmou que recebeu apoio para a elaboração de um programa econômico para enfrentamento da crise atual.

Eu acessei o site do FMI e verifiquei que Georgina deixou uma mensagem sobre o seu contato com Fernández.  Ela escreveu que manteve uma reunião muito positiva com o presidente da Argentina.

… 

E complementou “Tive uma reunião muito positiva com o presidente Alberto Fernández, da Argentina, hoje. Foi um verdadeiro prazer finalmente conhecer o Presidente Fernandez cara a cara, que destacou os benefícios do diálogo pessoal. Conversamos sobre a necessidade urgente de continuar a lutar contra a pandemia Covid-19 para preservar vidas e meios de subsistência, bem como os desafios únicos que os países de renda média enfrentam”.

Ao fim da sua visita, o Presidente reconheceu que recebeu ampla apoio das lideranças europeias em todos os níveis, mas que ele tem presente que está realizando uma negociação.   Enquanto o acordo final não for firmado há muita incerteza em curso.

A par da renegociação da dívida externa argentina não se pode esquecer como se encontra a conjuntura econômica local à essa altura do ano.     

O PIB recuou -10,0% em 20200, o ano da pandemia.   O Panorama Econômico Mundial do FMI estima que a economia argentina crescerá 5,8% no corrente ano e 2,5% em 2022.

Durante a pandemia além da profunda recessão, a Argentina conviveu com uma taxa de inflação expressiva de 42,0% no ano passado.   O país ainda sofre com altos níveis de desemprego.  A taxa de desemprego elevada encontra-se em patamares 11,4% (2020), 10,6% (2021) e 9,3% (2022)

Em suma, essa é a situação da Argentina.   A pandemia está no pico, a economia está no piso e o governo de Alberto Fernández buscando apoio de lideranças internacionais para fechar um acordo com o FMI que contribua, de alguma forma, para que o país possa sair da crise.

Boa noite, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO: MUSEU DA HISTÓRIA DA MEDICINA DO RIO GRANDE DO SUL

Eu estive nesse prédio quando ele era conhecido como Beneficência Portuguesa e ainda não havia sido inaugurado o Museu da História da Medicina do RS.

Naquela ocasião o meu pais precisou ser operado em razão de uma hérnia.  De dia, mesmo sendo um prédio antigo, havia boa iluminação no recinto.  Eu lembro que meu pais precisou ficar dois ou três dias hospitalizado e a iluminação à noite me pareceu muito fraca.

Antigamente as luzes eram amarelas e de baixa intensidade tornando o ambiente um tanto inóspito.  Eu lembro que na primeira noite eu conversei com um trabalhador do hospital.  Ele me disse que o quarto que o meu pai estava utilizando naquela noite, era o mesmo local que tinha sido ocupado pelo cardeal Dom Vicente Scherer.

Atualmente o prédio tem uma iluminação invejável. O leitor pode saber tudo sobre o museu ao acessar o site no endereço eletrônico  https://www.muhm.org.br/

O PRESIDENTE FERNÁNDEZ RETORNA DA EUROPA EM MEIO A CRISE NA ECONOMIA E O AVANÇO DA PANDEMIA

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