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Post 01.01.55

01 INTERNACIONAL,  01 Conjuntura global, 55 Número de ordem do post

Angela Merkel está de partida para o anonimato.   Eu fiz essa frase porque eu acompanhei, dia a dia, a presença de George Walker Bush, 75 anos, na Casa Branca, na condição de quadragésimo terceiro  presidente dos Estados Unidos entre 2001 e 2009, e jamais imaginei que um dia, no anonimato, ele se distanciaria da figura do político tradicional.

Nas minhas 65 mil horas de gravações de vídeo, que ocupou um tempo considerável da minha vida, eu lembro, ainda hoje, da primeira vez que vi George W Bush, ao vivo, na televisão.  Eu sabia que ele era filho do ex-presidente George Herbert Walker Bush, quadragésimo primeiro presidente dos Estados Unidos, entre 1989 e 1993, e falecido em Houston, em 2018.

Ele tinha um rancho no Texas e eu vi um anúncio na televisão que a jornalista Barbara Walters, iria entrevistá-lo.  Bush se deu muito mal na entrevista.  Eu o achei pessimamente articulado. 

Meses depois ele venceu as eleições, foi empossado e eu assisti uma nova entrevista do novo presidente dos EUA.  Não era a mesma pessoa. Foi incrível.   Parecia uma enciclopédia tratando de qualquer assunto.

Depois, na presidência durante dois mandatos, ele conseguiu manter as parcerias históricas internacionais embora toda a controvérsia em torno da invasão do Iraque, na Segunda Guerra do Golfo, em março de 2003. 

No relacionamento com a oposição, George W Bush manteve a polarização de sempre.  Encerrada a sua permanência na Casa Branca mostrou sempre um relacionamento equilibrado com os ex-presidentes democratas.   Desde então sumiu da mídia e reapareceu agora para ser entrevistado pela Deutsche Welle com a imagem de um pintor.  Como assim?

Isso, Bush publicou um livro sobre reproduções de suas pinturas realizadas entre 2001 e 2009.  Bush publicou livro de memórias, outro sobre o seu pai e um sobre pinturas de soldados feridos.  Na América dizem que ele é melhor pintor do que foi presidente.  Brincadeira à parte, é só acessar via Internet que o leitor pode conferir a quantidade de quadros que ele pintou de personalidades internacionais.

De volta ao eixo do post, o ex-presidente isolou-se desde que saiu do governo e só aceitou ser entrevistado porque o assunto era sobre a sua amiga Angela Merkel.

Bush, que mora a duas horas ao norte de Boston, disse à DW que Angela é uma pessoa querida e de grande coração.  Ele apareceu perante a jornalista que o entrevistou com charuto na boca e totalmente informal.  Falou bastante da sua atividade de pintor que dá as coordenadas ao seu modo de viver.

Na verdade, a DW está preparando um documentário sobre a chanceler alemã e daí a entrevista com Bush.   Ele acredita que Angela levou dignidade ao cargo, sempre se manteve coerente com os seus princípios e não teme a tarefa de liderar.

Angela Merkel é um sonho americano personificado, disse o ex-presidente.  Essa frase consta do site da DW.  Ela chegou aonde está tendo crescido na repressão comunista.  E ela não veio de qualquer lugar, ela veio da Alemanha, do nazismo que os americanos combateram e do Leste Europeu que os americanos enfrentaram.

… 

Um ponto que Bush destacou, e eu repercuto, é que Merkel foi a única pessoa que foi considerada líder do mundo livre, um título somente direcionado aos presidentes dos Estados Unidos.   Na América, Angela foi considerada como tal durante a gestão de Donald Trump.

Angela é uma âncora na tempestade.  Bush não fez essa frase, mas me levou a fazê-la para interpretar o que ele disse na entrevista.   E, aí, ele disse algo curioso.  Enquanto os americanos estavam fartos dele nos seus oito anos de mandato, os alemães mostram apreço pela chanceler.  Algo, mais ou menos, assim.

Bush e Merkel convergiram desde o primeiro momento.  Eu lembro de apresentar em sala de aula, no pós de Administração da UFRGS, os meus vídeo sobre Gerhard Schroder, o líder do SPD, o Partido Social-Democrata da Alemanha, que antecedeu Angela Merkel da União Democrata Cristã (CDU), e que era um crítico de Bush por causa da guerra no Iraque.

Na prática, Bush e Merkel tornaram-se amigos de primeira hora.   Agora, há um hiato entre os dois.  Bush se opõe, assim com Joe Biden, à construção do gasoduto Nord Stream 2, entre a Rússia e a Alemanha. 

Segundo os americanos o gasoduto mexe com a dependência da Alemanha na Rússia e, pior, recoloca a Ucrânia na instabilidade da agenda.  Para não deixar mal a sua amiga, Bush reconhece que Merkel deve definir o caminho que julgar mais conveniente para os interesses da Alemanha.

Bush abordou, ainda, temas importantes como as migrações,  a relação transatlântica, o interface com a India e com a China, a tarefa que espera a quem suceder Angela e até o exemplo que Merkel representa para as duas meninas do ex-presidente.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: A COVA DA IRIA NA BASÍLICA DE FÁTIMA, 1968

Quando criança e adolescente eu estudei no Colégio das Madres Teresianas e no Ginásio Santanense dos Irmãos Maristas, ambos educandários localizados em minha cidade natal, Sant’Ana, no Rio Grande do Sul, onde eu aprendi um pouco sobre a Igreja Católica e a sua tradição apostólica. 

Em suma, de igrejas, de santos e de cantos, eu aprendi um tanto.   Nesse contexto eu recordo de tudo que se falava em Nossa Senhora de Fátima, nos três pastores – Lúcia, 10 anos, e seus primos Francisco, 9 anos e Jacinta, 7 anos – e nas seis aparições ocorridas, em 1917. junto a uma localidade chamada Cova da Iria, nas proximidades da cidade de Fátima, em Portugal.  

Foi um processo interessante porque Francisco só podia ver, Jacinta podia ver e ouvir enquanto Lúcia podia ver, ouvir e falar com Nossa Senhora.   Lúcia via nuvens desde 1915 e, em 1916, viu um anjo em três ocasiões.

Bem, na foto abaixo, de 1968, eu apareço em primeiro plano.  A casinha pequena que aparece atrás de mim é a Cova da Iria, e a árvore ao lado é a azinheira onde Nossa Senhora aparecia para os três pastores.  Ao fundo, está a Basílica de Fátima.

EM ENTREVISTA À DEUTSCHE WELLE GEORGE W BUSH DESCREVE O TRABALHO DE ANGELA MERKEL

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