Porto Alegre, 26.08.2021, 18:10 

Post 01.09.86

01 INTERNACIONAL, 09 Conjuntura norte-americano, 86 Número de ordem

CANTINHO DA PANDEMIA:  O mundo está um tanto dividido quanto à possibilidade da pandemia ceder e a economia normalizar.  Entre as economias avançadas, os Estados Unidos e os países da Ásia se mostram mais resilientes do que o continente europeu.   

 

CONJUNTURA NORTE-AMERICANA: Hoje, os canais de televisão anunciaram que Joe Biden iria realizar um novo pronunciamento sobre o que está acontecendo no aeroporto do Cabul. 

Eu me preparei para assistir o evento e na hora aprazada, eu gravei a entrevista e, da mesma forma, como em duas ocasiões anteriores, eu destaco, agora, o que me pareceu pertinente sobre a fala do presidente.

… 

Biden iniciou falando que os grupos de inteligência já mostravam preocupações que um ataque terrorista do grupo Estado Islâmico K acontecesse no aeroporto de Cabul.   Segundo as primeiras informações o ataque ocorrido nessa quinta feira deixou, no mínimo sessenta vítimas, entre civis e militares. 

O presidente passou todo o dia conversando com os comandantes do Exército e das Forças Armadas, no Pentágono e na Casa Branca, em Doha e no Afeganistão, e os comandantes me repassaram muitos detalhes de tudo o que aconteceu.

Biden disse que os fatos prosseguem, mas que os militares, que deram suas vidas, são heróis.   Eles tiveram trabalhando numa ponte aérea com cem mil pessoas, algo jamais visto na história. Cinco mil pessoas foram transportadas somente nas ultimas doze horas. 

Biden disse que estava revoltado e entristecido porque foram muitas vítimas, inclusive crianças.Ele fez referência a algumas perdas e disse que a dor entra no peito das pessoas e não tem por onde sair. Daí que ele sente que o seu coração dói por todas as perdas de hoje.  

Biden disse que tem uma obrigação sagrada com todas as famílias desses heróis.  Não se trata de um compromisso temporário, é uma obrigação eterna.    As vidas que foram perdidas estavam a serviço da liberdade contra o terrorismo.  São heróis que se reúnem aos anteriores que deram a vida pela América. 

O presidente enviou um recado aos inimigos, dizendo que não iria esquecê-los e que iria caçá-los.   E mais, que ele iria defender os interesses do seu povo em todas as medidas do seu governo.  

…   

Ele passou uma informação à essa altura do discurso.  As pessoas do ataque terrorista foram aquelas que foram liberdades das prisões que foram abertas. 

Ele acreditava que a missão era extremamente perigosa e por isso era fundamental limitar o tempo da operação.  Era para ser uma operação rápida e para ser operada sobre intenso estresse e ataque. Mesmo assim, segundo os militares, a operação pode chegar ao fim.   E isso é o que os EUA estão fazendo e não serão contidos pelo terrorismo.

Diariamente quando Biden fala com os militares ele indaga o que mais eles precisam para levar a tarefa adiante.  A resposta de hoje é que eles estão utilizando todos os recursos disponíveis para cumprir o programado.

Sempre há unanimidade por parte do Pentágono e dos Militares sobre como devemos agir.  Foi o que o Presidente falou e complementou, é aquela palavra de DEUS, a quem devemos servir?  É uma resposta que temos há muito tempo.  Aqui estou DEUS, mande-me.

Eu confesso que fiquei surpreso com o parágrafo anterior.  Tendo estudado nos Estados Unidos e acompanhando a conjuntura econômica daquele país há seis décadas, eu jamais havia percebido uma associação da imagem divina, por parte de um presidente norte-americano, nos moldes que eu acompanhei nessa ocasião.

À essa altura da manifestação, Joe Biden pediu um minuto de silêncio em homenagem aos soldados e civis que pereceram na operação em curso no aeroporto de Cabul.   Agradeceu a todos pelo momento de respeito e continuou com o seu pronunciamento.

Deu pediu que Deus protegesse os militares.  Com os olhos fechados o presidente disse que havia muito o que fazer e que estava na capacidade dos norte-americanos levar a tarefa ao fim.  É preciso se manter firme para cumprir a missão.   

A partir de então, o presidente passou a responder perguntas dos jornalistas.  Houve indagações sobre os vinte anos de intervenção, a guerra, os terroristas, a população civil, os militares, e tudo o que eu pudesse imaginar que a imprensa indagasse.

Biden respondeu a todos em um ritmo permanente. Jamais mostrou-se mais ou menos tenso.  Até que ele disse que ia responder uma última pergunta e ia encerrar porque tinha outro compromisso a seguir.

Respondida a pergunta, Biden reuniu o seu material e quando olhou para os presentes para encaminhar as despedidas, ele foi alvejado por muitas perguntas dos presentes.  Ele olhou para o grupo e disse que iria responder a mais uma pergunta e iria se retirar.

Identificado o jornalista pelo próprio presidente, a indagação dizia respeito à confirmação, ou não, de uma lista que os americanos haviam fornecido ao Talibã e que identificava as pessoas que os americanos desejavam que chegassem ao aeroporto de Cabul para saírem do país.

Biden parou, olhou para o jornalista, não respondeu a pergunta e disse-lhe que ele, o Presidente, desejava fazer uma indagação ao homem da imprensa.   E partiu para o questionamento desejando saber se o jornalista sabia que houve um acordo entre o Presidente Trump e o Talibã para sair do país até maio do corrente ano?

E, aí, ficaram os dois, jornalista e presidente, repetindo cada um a sua pergunta.  De repente, não mais que de repente como diria o poeta, Biden fixou os olhos na direção horizontal e foi curvando a cabeça para a frente, lentamente, até que a encostou na mesa de onde fez o pronunciamento.  E, ali, parou por alguns instantes (15 segundos?) e parecia que não voltava.

… 

Daqui do meu beco eu pensei se o presidente havia sentido algo?  Depois, em instantes, ele voltou a elevar a cabeça na mesma velocidade que a havia curvado e, assim, parece que voltou à normalidade.

A ideia que Biden deixou – na minha percepção – é que os jornalistas não estavam ligados no fato que o acerto com o Talibã foi Donald Trump.   

E, quem sabe,  que a imprensa precisava se conscientizar que Biden tinha dado curso à decisão do ex-presidente porque havia a promessa democrata que se os seus candidatos fossem vitoriosos no pleito a guerra seria encerrada.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: RIO GRANDE VINTE ANOS DE CRISE

Em 2007, a Rádio Guaíba promoveu uma série especial denominada RIO GRANDE DO SUL: VINTE ANOS DE CRISE DE AMARAL DE SOUZA À YEDA CRUCIUS. 

Na oportunidade, o governador Amaral de Souza encontrava-se enfermo.  Ele foi substituído pelo economista Mauro Knijnik, secretário da Fazenda do seu governo, e eu também fui honrado com o convite para participar do mesmo programa na condição de Diretor do Departamento de Planejamento Governamental da Secretaria de Coordenação e Planejamento do Estado do Rio Grande do Sul.

Na foto abaixo está representada a capa do DVD da série especial, divulgada pela Rádio Guaíba, que eu conservo com muito carinho até hoje.

O TERCEIRO PRONUNCIAMENTO DE JOE BIDEN SOBRE A EVACUAÇÃO DOS AMERICANOS DO AEROPORTO DE CABUL

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