Porto Alegre, 07.09.2021, 18:10 

Por razões óbvias eu estou reproduzindo o post que eu redigi no dia dezesseis de junho próximo passado.

Porto Alegre, 16.06.2021, 18:10, 16 graus C, 58 % de umidade

Post 02.01.53

02 Brasil, 01 Conjuntura econômica, 53, Número de ordem do post

Está difícil de debater o momento da economia brasileira em meio a tamanha polarização que tomou conta do país.   Atenho-me, apenas, ao desempenho e à estabilidade da economia. 

Em trinta dias, os executivos financeiros que projetavam uma taxa de 3,45% do PIB para 2021, previram nessa última segunda-feira um incremento de 4,85%.    Quanto à taxa de inflação, o IPCA projetado em 5,15%, há quatro semanas, foi atualizado para 5,85% no início da semana. 

Então, crescimento do PIB de 4,85% e o IPCA em 5,85, esses são os dois indicadores atualizados da percepção do que está acontecendo atualmente na economia brasileira.  

Eu acredito que observando a economia num flash como é esse que vem do Boletim Focus pode deixar a falta impressão por parte do leitor que o processo em curso está sob controle. 

Afinal, a cada semana há aumento na projeção do crescimento do PIB, o que é muito promissor e o COPOM tem elevado a taxa básica de juros face ao avanço do IPCA, o que é uma decisão racional.    È vero? 

Bem, em meio à polêmica em que os brasileiros estão envolvidos, muitos não percebem a profundidade do buraco em que o Brasil está imerso.  Passo à descrição dos números disponíveis. 

É preciso lembrar que o PIB per capita recuou de US$ 14,9 mil (2010) para US$ 13,7 mil (2020).   Caro leitor, um país com um agro estupendo e com uma indústria promissora não pode andar de ré ao longo de uma década, sem que as autoridades proponham uma mudança de rumo na economia frente a um decênio desperdiçado.  

Migrando do PIB per capita para o comportamento do PIB anual, ao longo da década, a década pode ser dividida em  em dois subperíodos 2011-13 e 2014-20.   Eu foco o texto no último.

Para o citado subperíodo, as taxas de crescimento do PIB foram de 0,5% (2014), -3,55% (2015), -3,31% (2016), 1,06% (2017), 1,12 % (2018), 1,14% (2019) e – 4,19% (2020).   De novo caro leitor, afora as recessões de 2015, 2016 e 2020, nos demais exercícios a economia brasileira registrou incremento anual máximo de 1,14%.

É lamentável que uma país com um potencial físico ilimitado, com uma capacidade empreendedora notável e com 14 milhões de desempregados não tenha conseguido decolar ao longo de uma década.  É preciso gravar a noção que esse é o tamanho do poço onde o país se meteu.

Isso posto, o que há à frente?   A previsão do IPCA de acordo com o Ministério da Economia é de 5,05% para o corrente ano para uma meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional em 3,75%.  Paralelamente o site da pasta da Economia projeta o crescimento real do PIB para 2021 em 3,5%. 

É isso, leitor, não se pode ler a manchete de um jornal, um noticiário da televisão ou da estação de rádio e “embarcar” no argumento que o Brasil está registrando uma recuperação invejável. 

Ao contrário, as autoridades tem a obrigação de mostrar como pretendem convencer o empreendedor, o produtor, o investidor e o trabalhador que o País tem um caminho – reformas que derrubem o custo Brasil – plausível à frente.   

O foco do país está na impedância da CPI.  Deveria migrar para admitância da CNI.   Surpreende que o FED mantém os juros básicos no piso enquanto o BACEN eleva os juros básicos ao teto.   Assim, vai ser difícil o país mudar de foco e deixar o poço. 

Boa noite, leitor do blog!

… 

FOTO ABAIXO: MERCADO PÚBLICO DE PORTO ALEGRE

Antes da pandemia eu ia com muita frequência ao Mercado Público.   Lá eu fazia uma viagem imaginária ao passado. 

Quando pequeno em Sant’Ana do Livramento, isso no fim dos anos 40 e início dos anos 50, os meus pais tinham um armazém que “ditava o ritmo” da família. 

O estabelecimento comercial ficava na esquina das ruas Rivadávia Correa com Uruguai e a minha mãe atendia o público porque o meu pai sempre trabalhou em Rivera.   

Os produtos eram armazenados em volumes de madeira e embalados, manualmente, em papel pardo.   Não havia frigidaire e os produtos eram armazenados em geladeiras.    À tardinha, a carroça trazendo as barras de gelo abastecia o mercadinho.   Os cálculos eram feitos na ponta do lápis e o dinheiro era guardado numa gaveta do balcão. 

Que tempos aqueles, leitor do blog!

 

BRASIL, 07 DE SETEMBRO, A DIMENSÃO DO POÇO QUE O PAÍS CAIU

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