Porto Alegre, 09.09.2021, 18:10 

Post 02.01.54

02 Brasil, 01 Conjuntura econômica, 54, Número de ordem do post

CANTINHO DA PANDEMIA:  Estou um tanto surpreso.  No mundo todo há o temor com a Delta e, agora, com a variante C.1.2.   Por aqui, o tema parece que saiu da moda, ou melhor, da roda.  

CONJUNTURA BRASILEIRA:  Ontem eu reapresentei um post que eu escrevi em 16 de junho próximo passado e que tratava da dimensão do poço em que o Brasil caiu nessa crise.  Hoje, eu trato da vida dos brasileiros no fundo desse poço.

A inflação continua subindo no Brasil.   A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 0,53% em junho para 0,96% em julho.  No fundo do poço o IPCA vigente é de 8,99% no acumulado dos últimos doze meses. 

Enquanto a mídia repercute os embates políticos em Brasília e ninguém se entende, o cidadão comum paga mais pela luz, pela gasolina e pela comida, com destaque para o óleo de soja, a carne bovina, o arroz e o café.

No fundo do poço o país contabiliza 584 mil óbitos em decorrência da Covid19.   A gestão do processo no âmbito da crise sanitária foi um caos desde o início. 

Sem coordenação central e sem aquisição de vacinas no marco zero, tudo convergiu para uma guerra de discursos enquanto a população conheceu a primeira crise funerária da sua história.   

Hoje, transcorridos dezoito meses da crise sanitária no fundo do poço, em Brasília há uma CPI e no eixo Rio-São Paulo a vacinação avança do jeito que dá. 

Há 88 cidades do Rio de Janeiro aguardando a chegada de diluente para a aplicação da vacina da Pfizer.   O Rio de Janeiro tem 30% da população totalmente vacinada.  É muito pouco para o momento da crise sanitária.

Metade dos postos de saúde de São Paulo não tem a segunda dose de Astrazeneca para atender a população. Hoje, sessenta e seis por cento dos leitos de UTI estão ocupados no Estado do Rio de Janeiro. 

Não há emprego no fundo do poço.  O número de desempregados move-se da casa dos 14 milhões para a casa dos 15 milhões.  O outro dia passou por mim um estrangeiro que dizia à sua companheira ci sono 14 milioni al fondo del pozzo senza niente da fare. 

E, além dos 14,4 milhões de desempregados há mais gente fora do contexto laboral aqui no fundo do poço.  Há 5,6 milhões de desalentados.  Há 33,3 milhões de subocupados, o maior número em 11 anos de acordo com a PNAD.  Gente, é muita gente!

Há um outro problema que complica em muito a vida dos brasileiros.  O desequilíbrio das finanças públicas.  O discurso do teto dos gastos se esvaiu.   As reformas enxugaram ou não chegaram. O processo orçamentário tem os precatórios no meio do caminho.  Qual o rumo da educação e da saúde em meio à crise?

Vale um Grapette para quem acertar o que vai acontecer na programação financeira do governo! Deixei de falar na compra de armas no fundo do poço porque sou piloto de avião e nunca empunhei uma parabela.  

E o marco legal?  Os crânios deixados ao lado das estátuas de Borba Gato e de Bartolomeu Bueno da Silva dão um outro sentido à história, à captura de indígenas e tráfico de mulheres indígenas pelos bandeirantes.  É um tema complexo.  Transcende o âmbito da economia para uma decisão de afogadilho.  

Não bastassem a instabilidade – IPCA de 8,99% em doze meses – e o desemprego – mais desalentados e subempregados, aqui no fundo do poço há temor pela crise hídrica. 

As informações de hoje dão conta que há reservatórios em níveis muito próximos daquele mínimo para geração de energia.   A limitação maior acontece nos sistemas do Sudeste e do Centro-Oeste.  Em Furnas, por exemplo, há apenas 16,3% de volume.  Em suma, tá danada a perspectiva setorial por aqui!

A par de todos os problemas econômicos que sobrepõe nesse espaço reduzido do fundo do poço, há dúvidas sobre o que aconteceu na transição do dia 07 de setembro. 

Há uma torre de Babel por aqui.  Há os que não se entendem e os que dizem que não se entendem. No dia da Pátria o Presidente disse o que disse.  No dia seguinte ao dia da Pátria o Presidente desdisse o que disse.  Dizem que foi um ex-presidente que disse o que o Presidente disse.  

Nesse ínterim as estradas do fundo do poço ficaram lotadas de veículos.  Não sei se foi pelo discurso do dia ou do dia seguinte.  A bolsa mergulhou no dia do disse e saltou no dia do não disse.  O dólar, do jeito que vai, pode chegar à borda do poço.   

Eu acredito que o agro, que contribui para manter o país em pé, deve ter passado maus momentos. Não é possível que um país com tamanha importância em produzir commodities agrícolas tenha que passar ao mundo uma imagem de tamanha instabilidade política no ambiente interno.  É algo que beira ao inacreditável.

Eu não poderia encerrar o post sem lembrar que depois que tudo terminou eu vi Guedes surgir do ostracismo.  Foi cômico.  Ele não apareceu uma vez na mídia nessas últimas horas de crise. E nas penúltimas também não.

Eu assisti o ministro soletrando na tela da televisão, em inglês, que todo o barulho político poderia desacelerar o crescimento, mas que não mudaria a direção.  Direção, que direção?  Vale outro Grapette!

Para encerrar de fato, tomara que o dólar na borda do poço não provoque uma eclipse aqui no fundo do poço.   Confesso que concluo, um tanto curioso.   Que fim de semana vem por aí nessa Torre de Babel?  O que vai acontecer no poço?  Na borda e no fundo.  Mais do mesmo?

Boa noite leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  O PAVILHÃO TRICOLOR

Chega de Torre de Babel e vamos ao que interessa: o Grêmio precisa ganhar nesse fim de semana. Eu confesso que já estou um pouco acostumado com a ideia de estar no Z 4.   Sem o Renato e sem o Maicon, a solução passa por Santo Expedito.

Então, assim como na política, estou curioso com o que vai acontecer no futebol no fim de semana.  Nem empate salva o Grêmio atual.  É Santo Expedito ou Santo Expedito.   Amém! 

A VIDA NO FUNDO DO POÇO, INSTABILIDADE E DESEMPREGO

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